A arrecadação do Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul (Fundersul) começou o ano “patinando”, com o primeiro trimestre praticamente igual ao de 2025.
Enquanto no primeiro trimestre do ano passado o fundo, que é sustentado sobretudo por taxas cobradas pelo escoamento de mercadorias e produtos do agronegócio, teve arrecadação de R$ 241,4 milhões, no primeiro trimestre deste ano atingiu R$ 249,7 milhões, aumento de 3,44%.
Os resultados do ano passado têm demonstrado um aumento de arrecadação do Fundersul, mas em ritmo lento. De 2024 para 2025, o crescimento da receita com o fundo que banca as estradas em MS foi de 8,5%.
Em 2026, o Fundersul teve receita de R$ 1,083 bilhão. Desse total, R$ 1,049 bilhão teve origem nas contribuições, R$ 12,29 milhões foram oriundos do pagamento da outorga da Way por operar a MS-306 e outros R$ 2,5 milhões vieram da Way-112, concessionária do mesmo grupo que administra a MS-112 e as BRs 158 e 536.
O valor arrecadado pelo Fundersul teve crescimento absoluto de R$ 85,2 milhões em relação à receita de 2024, que foi de R$ 997,9 milhões. O aumento no faturamento foi de 8,55%.
A última vez que o fundo teve receita bilionária foi em 2023, quando a arrecadação anual chegou a R$ 1,31 bilhão.
Na época, sobrava dinheiro na conta do Fundersul, que se dava ao luxo de ver o capital render de um ano para o outro, como ocorreu com os R$ 27 milhões oriundos desse tipo de operação financeira.
A arrecadação do Fundersul no ano passado, apesar de não ter recomposto os patamares de 2023, foi decisiva para que o governo do Estado tivesse um alívio no caixa e conseguisse continuar investindo, uma vez que, com a queda na arrecadação com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na importação do gás natural, o crescimento da receita passou a ser menor que o da inflação e impôs uma série de desafios ao governo, como, por exemplo, o corte de despesas.
O Fundersul não compõe o Orçamento do Estado, mas uma receita bilionária faz com que o dinheiro das contribuições, feitas majoritariamente pelo agronegócio, chegue aos municípios e permita a conservação das rodovias estaduais.
Em 2025, o fundo teve saldo de R$ 28,9 milhões. As despesas somaram R$ 1,054 bilhão. Desse total, R$ 792 milhões foram aplicados em investimentos pelo governo de Mato Grosso do Sul, que administra o fundo, e R$ 261 milhões foram repassados às prefeituras, aproximadamente 25% do total desembolsado.

DESTINAÇÃO
As obras rodoviárias ficaram com a maior fatia dos valores desembolsados pelo Fundersul, sendo 30% do valor arrecadado (R$ 311 milhões) destinados à implantação de pavimentação asfáltica. A segunda maior destinação foi para os serviços de manutenção e conservação das rodovias estaduais.
Em 2025, o desembolso para essa classe de despesa foi de 21,75% do total arrecadado pelo fundo.
Outros R$ 76 milhões (7,5% das despesas) foram destinados a obras de recapeamento, a terceira maior despesa entre as obras rodoviárias.
A implantação de revestimento primário (conhecido popularmente como cascalhamento) utilizou
R$ 45,8 milhões dos recursos do fundo, totalizando 4,5% das despesas.
A construção de pontes e viadutos – que na engenharia recebem o nome técnico de obras de arte – representou 2,1% das despesas (R$ 22,1 milhões).

