O contrato de empréstimo de R$ 11,2 bilhões para as distribuidoras de energia foi assinado na manhã de hoje pelos dez bancos envolvidos na operação e representantes do setor elétrico capitaneados pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).
As empresas precisaram contrair a dívida para arcar com os preços de energia cobrados pelas geradoras no início deste ano. As distribuidoras estão descobertas em 3,2 mil megawatts, e por isso pagam no mercado à vista o Preço de Liquidação das Diferenças, que está em R$ 822,83.
O ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, garantiu que, com o empréstimo e o leilão de energia, marcado para o próximo dia 30, a saúde financeira das distribuidoras será resgatada. O consumidor, no entanto, sofrerá com o aumento nas tarifas. Os recursos que garantirão o pagamento do empréstimo sairão da chamada CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), encargo presente na conta de luz. O MME não soube precisar quanto os preços subirão.
As primeiras distribuidoras que irão repassar os preços ao consumidor são as com reajustes marcados para fevereiro de 2015, CPFL (SP) e Energisa (PB). O calendário de reajustes se estende até novembro de 2015, quando as empresas começarão a pagar os empréstimos.
Embora o montante de R$ 11,2 bilhões seja de verba disponível, o presidente da CCEE, Luiz Eduardo Barata Ferreira, avalia que as empresas esgotarão os recursos. "As liquidações dos primeiros dois meses do ano já consumiram R$ 9 bilhões das distribuidoras. Isso representa dois terços de tudo o que foi pago no ano passado. Então, elas precisam destes recursos", diz.
Bancos "puxam" recursos
A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil são os bancos que mais disponibilizarão recursos no empréstimo feitos às distribuidoras. Cada um liberará R$ 2,45 bilhões, com prazo para novembro de 2017.
Itaú e Bradesco somaram R$ 2 bilhões cada um, e o Santander com mais R$ 1 bilhão. Outros cinco bancos completam a conta.
Zimmermann lembrou que o volume de energia demandado pelas distribuidoras e que não está contratado é o principal motivo para a crise financeira das empresas. Ele espera que o leilão compensará, ao menos, parte desse "buraco". "Esperamos que as geradoras, que não entraram no leilão do ano passado entrem dessa vez. Com isso, até mesmo o valor retirado desse empréstimo pode ser reduzido", explica.
O buraco, citado por Zimmermann, é de cerca de 3,2 mil megawatts, algo que se aproxima da metade da capacidade de geração da Usina de Itaipu.
Saída de conselheiros
Anteontem, três conselheiros da CCEE renunciaram a seus cargos na Câmara, alegando questões pessoais. O presidente do conselho afirma que não foram feitas deliberações sobre os motivos da saída, mas desconfia que houve descontentamento com as negociações para o empréstimo.
"Eles participaram de todo o processo que culminou nesse empréstimo, e de repente, saíram. Ninguém é bobo o suficiente para não desconfiar dos motivos. É possível que haja relação entre as duas coisas. Mas eles não nos explicaram nada, apenas alegaram problemas de foro íntimo", diz Barata.


