O BNDES receberá ainda este mês um aporte de recursos do Tesouro Nacional para fazer frente à necessidade de financiamento às empresas brasileiras neste ano.
A informação foi dada pelo presidente do banco, Luciano Coutinho, após palestrar no Fórum Nacional, evento organizado pelo ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso, no centro do Rio.
Segundo Coutinho, até o momento, o banco conseguiu emprestar com os recursos que tem em caixa sem precisar de dinheiro do Tesouro.
No ano passado, por exemplo, o Tesouro teve de aportar R$ 39 bilhões no BNDES, cujos desembolsos (empréstimos) atingiram cerca de R$ 190 bilhões.
Sem citar valores, o executivo disse, contudo, que "chegou o momento em que a necessidade de um aporte vai ser imprescindível".
"Nós tivemos até agora plenas condições de levar adiante [o programa de financiamentos] sem necessidade [de aportes]", disse.
Questionado se o que sairá neste mês é o aporte ou a definição do valor a ser aportado, Coutinho disse que "os dois".
Coutinho voltou a dizer que os desembolsos do banco este ano serão menores do que o ano passado, ainda que não tenha especificado de quanto poderia ser essa redução.
DESACELERAÇÃO
O executivo deu a entender, porém, que a "moderação nos desembolsos" poderá ser menor do que a que o banco esperava fazer no final do ano passado -ou seja, a redução dos financiamentos às empresas poderá ser menor do que o previsto.
O motivo para isso seria uma desaceleração dos empréstimos dos bancos privados às empresas diante da necessidade de se aumentar o volume de investimentos na economia brasileira. O baixo nível de investimentos das empresas privadas tem sido apontado como o principal motivo para a baixa atividade econômica do país.
"Preocupa um pouquinho a desaceleração do crédito para pessoa jurídica do sistema financeiro privado. Talvez tenhamos um pouquinho de cautela, mas é importante sustentar os investimentos para aumentarmos o que todo mundo quer, que é a taxa de investimento [na economia]. Queremos moderar um pouquinho. Pode ser [que a moderação seja menor que o previsto]. É relevante, porém, assegurar o desempenho dos investimentos. Nunca dei nenhum número e não vai ser agora", disse.
CRÍTICAS
Durante seu discurso, em que citou setores que poderão se destacar na economia brasileira, como o de tecnologia e o farmacêutico, Coutinho aproveitou para criticar quem defende uma redução do papel do banco no financiamento do investimento de longo prazo no país.
"Recentemente, uma onda crítica tem buscado em alguns momentos propor um certo 'amesquinhamento' do papel do BNDES enquanto banco de desenvolvimento, buscando suprimir ou reduzir ferramentas para o suporte e acumulação de capital produtivo, como o PSI [Programa de Sustentação ao Investimento]", disse em discurso.
Questionado sobre de onde viria essa "onda crítica", Coutinho foi evasivo, ao dizer que não iria "colocar a carapuça em ninguém".
"Essa ideia [de reduzir o papel do banco na economia] vem de críticas pouco informadas que só olham para o lado do custo dos recursos e nunca os benefícios de operações de crédito do BNDES de suporte ao investimento", disse.
Recentemente, o candidato do PSDB à presidência Aécio Neves e o economista Armínio Fraga, considerado o principal formulador de políticas econômicas da campanha tucana, deram declarações em que disseram que o subsídio a empresas brasileiras por meio de bancos públicos "passou a ser a regra" no país, e seria "exagerado".
Os tucanos defendem que "não é normal" que um banco público empreste dinheiro para grandes empresas a 3,5% ao ano, enquanto a inflação média é de 6%. A referência era principalmente ao PSI (Programa de Sustentação do Investimento), que dá crédito para a compra de máquinas e equipamentos pela indústria.


