O número de desempregados no Brasil atingiu o número mais baixo desde a série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que teve início em 2012. No último trimestre de 2025, encerrado em dezembro, a taxa de desocupação do País caiu a 5,1%.
Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados nesta sexta-feira (30) pelo IBGE, mostram que, nos últimos três meses de 2025, cerca de 5,5 milhões de pessoas estavam desempregadas no País, enquanto 103 milhões estavam ocupadas.
No período, a taxa anual do indicador de desemprego caiu de 6,6% em 2024 para 5,6%, número mais baixo desde 2012, passando de 7,2 milhões de desocupados para 6,2 milhões.
Os maiores índices foram marcados nos anos 2020 e 2021 em razão da pandemia de Covid-19, quando a taxa chegou a 13,7% e 14,0%, com uma média de 14 milhões de desocupados.
"É importante registrar que a queda da desocupação não foi provocada por aumento da subutilização da força de trabalho ou do desalento, reduzindo a pressão por trabalho. A trajetória de queda da taxa de desocupação em 2025 foi sustentada pela expansão da ocupação, principalmente nas atividades de serviços", destaca a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy.
Taxa de desocupação das pessoas de 14 anos ou mais de idade na semana do último trimestre de 2025 / Fonte: IBGEA população empregada também foi histórica, chegando a 103 milhões de pessoas, enquanto em 2024 o número era de 101,3 milhões. Em comparação ao início da pesquisa, em 2012, eram 89,3 milhões de brasileiros trabalhando.
O número de trabalhadores brasileiros com carteira de trabalho assinada cresceu 2,8% em 2025, chegando a 38,9 milhões de pessoas, quase 1 milhão a mais que a taxa no ano de 2024.
O número de pessoas trabalhando por conta própria também cresceu, chegando a 26,1 milhões, outro recorde na série histórica. Em relação ao início da série em 2012, o crescimento da informalidade foi de 30,4%.
"A composição e dinâmica da população ocupada ainda é bastante dependente da informalidade, sobretudo, devido à grande participação de trabalhadores no comercio e em segmentos de serviços mesmos complexos", ponderou Adriana Beringuy.
Subutilização
A população subutilizada é formada por pessoas desocupadas ou trabalhando com um número reduzido de horas ou com força de trabalho potencial insuficiente. Esse grupo reduziu 10,8% entre 2024 e 2025, passando de 18,7 milhões de pessoas para cerca de 16,6 milhões, em 2025.
Mesmo após a redução, o número ainda é maior que o observado no menor nível da série histórica, atingido em 2014, quando foram 16,3 milhões de subutilizados no País.
Nos anos da Covid, os números chegaram a 31,2 milhões em 2020 e 32,1 milhões em 2021, atingindo 28,3% e 28,5%.
Mato Grosso do Sul
Até o terceiro trimestre de 2025, Mato Grosso do Sul possuía cerca de 1,4 milhão de pessoas ocupadas, com uma taxa de ocupação de 63%, segundo o IBGE. Os desocupados eram 43 mil pessoas e 106 mil pessoas subutilizadas na força de trabalho ampliada.
A taxa de saldo de empregos em Mato Grosso do Sul fechou o ano de 2025 com um índice positivo de 19,756 postos de trabalho com carteira assinada, resultado de 419.472 admissões e 399.716 demissões ao longo do ano passado.
O número foi 61% maior que o saldo de 2024, que foi de 12.230, mas ainda está abaixo dos anos anteriores. Como divulgado pelo Correio do Estado, em 2025 foram ofertadas mais de 20 mil vagas no mercado formal e não foram preenchidas, chegando a um saldo de 40.648 empregos em 2022.
A construção puxou a geração de empregos no Estado, com 5.873 vagas formais, seguido do setor de serviços, com saldo de 4,835 empregos, indústria, com 4,536, comércio , com 3.258, e agropecuária, com saldo de 1.256 vagas.
O município de Inocência, onde está sendo construída a Arauco, teve saldo de 2.349 empregos, resultado de 8.320 admissões e 5.971 demissões, puxados, especialmente, pelo crescimento do polo industrial no ramo da celulose na região.
Para o economista Eduardo Matos, três fatores principais ajudam a explicar o avanço no saldo de empregos formais no ano passado.
O primeiro é justamente a fase de implantação de grandes projetos industriais e de infraestrutura, que acelera a construção civil e amplia contratações diretas e indiretas.
O segundo está relacionado às obras públicas e privadas que acompanham esse movimento, como pavimentação, saneamento básico, ampliação de redes de energia e empreendimentos imobiliários em centros urbanos que recebem fluxo migratório crescente.
O terceiro é a base de comparação mais fraca de 2024, ano em que a geração de empregos ficou praticamente estagnada.

