A primeira ação para exterminar javalis invasores do Estado será o diagnóstico da região de Rio Brilhante, antes de que qualquer tiro seja disparado. O grupo de extermínio da Polícia Militar Ambiental (PMA), único autorizado a abater os animais, visitará fazendas que comunicarem os ataques. A caça não está liberada a produtores rurais. “Autorizar a caça seria muito complexo, criaríamos um problema maior do que os javalis”, afirma o comandante do 15º batalhão da PMA, major Carlos Matoso.
As secretarias de Estado de Meio Ambiente (Semac), de Produção (Seprotur) e de Segurança Pública (Sejusp) regulamentaram o controle ambiental, na última quinta-feira, para evitar mais prejuízos provocados pelos javalis. Perdas em lavouras de milho, que serve de alimento aos bichos, chegam a R$ 1,4 milhão na região de Rio Brilhante.
O presidente do sindicato rural da cidade, Leonardo Mendonça Thomaz, concorda com a caça restrita à polícia. “Já temos que ‘correr’ com um monte de pessoas que caçam nas fazendas, isso transformaria as propriedades em locais de caça”, analisa.
Animais que resultam do cruzamento com porco monteiro (javonteiro) e com porco doméstico (javaporco) também serão sacrificados. Pequenas propriedades que mantém criadouros terão de comunicá-los à Polícia Ambiental. As espécies híbridas colocam em risco a exportação de carne suína, porque podem causar contaminação pela pseudorraiva (aujeszky). A doença fecha as portas do mercado europeu.
Como fazer
A presença de javalis deve ser comunicada à Polícia Militar Ambiental, ao Instituto de Meio Ambiente de MS (Iamasul) ou à Secretaria de Estado de Produção e Turismo (Seprotur). O modelo de comunicado pode ser solicitado nessas instituições.
O principal método de captura será a armadilha, mas não estão descartados outros meios, como arma de fogo. Os policiais vão construir um mangueiro, espécie de cercado, com alimentos para atrair os bichos. Quando um grupo aparecer, será fechado no local e sacrificado. Os corpos serão enterrados.“A ideia é reduzir a zero a população dessa espécie invasora, e evitar o descontrole da população desses animais”, avisa o comandante. (CHB)


