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MERCADO

Preço da carne bovina se mantém em alta com a falta de oferta de gado

Aumento das exportações e chuvas intensas impactam em pouca disponibilidade de animais e na valorização da arroba do boi
02/02/2021 10:00 - Rafaela Moreira, Súzan Benites


O preço da arroba do boi teve uma nova valorização no mês passado. O movimento de alta não era aguardado pelo setor produtivo. 

Com a falta de oferta de gado e retorno das exportações, o consumidor sente no bolso o aumento dos cortes bovinos. O quilo da carne que já era comercializado em patamares elevados não deve cair.

Conforme o boletim técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Sistema Famasul), em janeiro a arroba do boi gordo foi comercializada, em média, por R$ 269,80, aumento de 54,17% ante os R$ 175 praticados em 2020. 

Em novembro, o preço médio havia chegado a R$ 271 e em dezembro retraído a R$ 241.

De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Rochedo e Corguinho (SRCG), Alessandro Coelho, houve um movimento inesperado de valorização.

“A demanda ainda segue maior que a oferta. A China voltou a demandar carne, após uma parada no mês de dezembro, e contribuiu com o aumento dessa demanda. Além disso, estamos no período que já não há gado de confinamento no mercado e com as chuvas intensas temos um problema de escoamento do gado a pasto. As estradas ficam intransitáveis e o gado não consegue sair”, contextualizou.

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A arroba da vaca também registrou valorização. Em janeiro de 2020, a arroba era comercializada pelo preço médio de R$ 161, já no mês passado custou R$ 254 – alta de 57,76%.

Coelho ainda ressalta que tanto o mercado interno quanto o chinês consome uma fatia maior de fêmeas. E a falta de animais terminados também esbarra no aumento do preço da soja e do milho. 

“A oferta de fêmeas diminuiu e a terminação do gado ficou mais cara com a valorização do milho e da soja. Está caro fazer a terminação do gado”.

PREÇOS

O preço dos cortes bovinos varia até 77% entre os estabelecimentos em Campo Grande, conforme levantamento realizado pelo Correio do Estado ontem. 

A reportagem aferiu preços em supermercados, casas de carnes e açougues da Capital. As maiores variações estão no preço do filé-mignon, que é comercializado entre R$ 46,90 e R$ 82,98, diferença porcentual de 76,92%. E da picanha, que vai de R$ 49,90 a R$ 87,98 – variação de 76,31%.

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de janeiro a dezembro os cortes bovinos como patinho, coxão duro e coxão mole aumentaram 31,69% saindo de R$ 26, em média, para R$ 34,24.  

Para a supervisora técnica do Dieese-MS, Andreia Ferreira, os preços ao consumidor final devem demorar a cair.

“A oferta vem em queda há um bom tempo, e não é algo que recupera fácil. Não acredito que o preço da carne baixe nos próximos seis meses”, afirma.  

O presidente da Associação de Matadouros, Frigoríficos e Distribuidores de Carnes (Assocarnes-MS), Regis Luís Comarella, diz que, com a falta de oferta de animais no mercado, é difícil que o preço caia.

 “Está difícil baixar o preço da carne e, se continuar desse jeito, não vai baixar, essa é nossa grande preocupação”.

Ainda conforme a pesquisa do Correio do Estado, o corte mais barato foi o da costela, que varia de R$ 17,99 a R$ 27,98. Enquanto o mais caro é a picanha que vai de R$ 49,90 a R$ 87,98.

Segundo o comerciante da Casa de Carnes Kon Carnes, João Vitor da Silva, os clientes se assustam com os valores excessivos. 

“Nos próximos dias teremos mais um reajuste. A carne baixou em outubro, nos meses seguintes os valores se mantiveram. Os clientes se assustam com os preços, mas não deixam de consumir carne.

 Como alternativa, acabam optando por opções mais em conta. Era para ser ainda mais caro, porém, as casas de carne que aliviam, pensando no consumidor”, destacou.