Principal produto da balança comercial de Mato Grosso do Sul, a exportação de celulose rendeu 46,2% a menos no primeiro mês de 2026 na comparação com igual período do ano passado, recuando US$ 394,1 milhões para US$ 212 milhões.
E por conta deste recuo, os dados da balança comercial como um todo apresentaram recuo de quase 6,4% na comparação com janeiro do ano passado, caindo de US$ 755 milhões para US$ 636,9 milhões. Se a comparação for com dezembro de 2025, o recuo é ainda mais significativo, de 28,3%. Naquele mês, as vendas externas somaram US$ 869 milhões.
O principal motivo da queda significativa no faturamento das três indústrias de celulose que exportam a partir de Mato Grosso do Sul é a redução no preço, já que o volume exportado foi apenas 26% menor que no começo de 2025.
No primeiro mês do ano passado, conforme mostram os dados da Carta da Conjuntura do Comércio Exeterior, divulgada pela secretaria de Meio Ambente e Desenvolvimento Sustentável (Semadesc) a tonelada de celulose rendeu US$ 538 por tonelada. Agora, o valor médio foi de apenas US$ 394.
Esta queda na cotação vem ocorrendo desde meados do ano passado e por conta disso as indústrias estão colocando o pé no freio da produção e das ofertas ao mercado externo. As vendas caíram principalmente para China.
No primeiro mês do ano passado, as vendas totais ao país asiático, incluindo soja, carnes e outros produtos, significaram 41,5% de tudo aquilo que Mato Grosso do Sul exportou. Agora, o principal parceiro comercial foi responsável por apenas 30,6% das vendas externas.
Os números da balança comercial em janeiro somente não tiveram baque maior porque a venda de soja e carnes começou o ano com números bem melhoras que em 2025. O faturamento com carne bovina fresca aumentou em 41%, passando de US$ 102 milhões para US$ 145 milhões.
E, ao contrário da celulose, os preços tiveram significativo aumento. O volume exportado subiu 25%, passando de 20 mil para 25 mil toneladas. Porém, o preço médio da tonelada saiu de US$ 5,1 mil para US$ 5,8 mil por tonelada.
No caso da soja, os embarques dispararam, passando de 53 mil toneladas para 163 mil toneladas. Assim, o faturamento aumentou em quase 240%. No caso do milho, o cenário foi parecido. O volume saltou de 38 mil toneladas para 170 mil.
PREOCUPAÇÃO
Embora as exportações normalmente signifiquem motivo de comemoração do setor econômico. Em Mato Grosso do Sul a importação de gás boliviano é motivo de festa, já que rende ICMS para os cofres locais.
E, assim como já vinha acontecendo ao longo de todo o ano passado, 2026 começou com mais uma significativa retração, da ordem de 40%. Em janeiro do ano passado as importações foram da ordem de US$ 97,6 milhões. Agora, este valor ficou em apenas US$ 58 milhões.
Para os cofres estaduais isso siguifico uma perda de cerca de R$ 1 milhão por dia. Em janeiro do ano passado o gás importado da Bolívia garantiu em torno de R$ 80 milhões aos cofres estaduais. Agora, este valor recuou para cercad e R$ 50 milhões.

Na safra 2024/2025 foram colhidas 14,2 milhões de toneladas de milho em Mato Grosso do Sul - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

