Economia

Alíquota

Com recorde na arrecadação de impostos, Estado congela ICMS em 17% para 2024

MS recolheu R$ 13,482 bilhões somente com o imposto em 10 meses, R$ 812 milhões a mais que no mesmo período do ano passado

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Mato Grosso do Sul registra recorde na arrecadação de impostos neste ano. De janeiro a outubro, foram recolhidos R$ 16,047 bilhões com todos os tributos ou 89,97% do total angariado nos 12 meses de 2022, que foi de R$ 17,835 bilhões. Somente com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) foram R$ 13,482 bilhões.

O recolhimento recorde dá “fôlego” para que a gestão estadual mantenha a estimativa de crescimento e consiga congelar a alíquota do ICMS em 17% para o próximo ano. De acordo com o governador Eduardo Riedel (PSDB), a decisão foi tomada para não prejudicar a população.

“Não vou enviar um projeto de lei para mudar a alíquota, sem crítica a nenhum estado que já tenha feito. Cada um tem a sua realidade. Optamos por não enviar e manter em 17%, que já é a menor do Brasil. A partir dessa decisão, vamos montar um grupo de trabalho para acompanhar as variáveis da reforma tributária”, afirmou o governador em coletiva à imprensa na manhã de ontem.

Com o texto da reforma tributária aprovado no Senado, os governadores de 25 unidades da Federação anunciaram aumento da alíquota modal de ICMS. Porque, de acordo com o texto em tramitação no Congresso, a receita de estados e municípios com o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá o ICMS e o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), será proporcional à média da arrecadação entre 2024 e 2028.

O imposto incide em praticamente todos os produtos, afetando o preço final que chega ao contribuinte. Para 2024, o governo do Estado estima arrecadar R$ 25 bilhões com todos os impostos, sendo R$ 16 bilhões por meio do ICMS.

ESTRATÉGIA

A principal motivação para a estratégia do governo estadual é a manutenção do crescimento da arrecadação. Caso mantenha o ritmo, o Estado deve bater o montante registrado no ano passado, que já havia sido o melhor resultado da série histórica iniciada em 1999.

Dados do boletim de arrecadação do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) apontam que o total arrecadado nos 10 meses deste ano (R$ 16,047 bilhões) é o melhor resultado acumulado para o período. Em outubro, o recolhimento de tributos em MS totalizou R$ 1,591 bilhão, mantendo a média mensal do ano.

O ICMS permanece na primeira posição como a principal fonte de receitas do Estado no período de janeiro 
a outubro, sendo responsável por 84,01% de tudo que Mato Grosso do Sul arrecada.
Na sequência estão “outros tributos”, que já acumulam R$ 1,203 bilhão, responsável por uma fatia de 7,5% do total recolhido até outubro.

Já o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) atingiu R$ 991,007 milhões de janeiro a outubro, representando 6,18% das receitas. Por último está o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCD ou ITCMD), responsável por 2,21% do total ou R$ 354,170 milhões.

O governo acredita que o crescimento econômico do Estado garantirá um aumento na arrecadação sem a necessidade de aumento dos impostos que todos pagam.

“Esse crescimento nos dá conforto. É uma medida responsável. Nesse momento, achamos que manter a alíquota aumenta a nossa competitividade e atrai ainda mais investimentos. A nossa aposta 
é que a gente preserve a capacidade de compra e a capacidade produtiva”, complementou Riedel.

A decisão recebeu o apoio do setor produtivo. Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems), Sérgio Longen, todos ganham com a decisão de manter a alíquota sem alteração. “O grande ganho é da sociedade, porque a empresa transfere os impostos para os produtos, é custo”, disse.

Marcelo Bertoni, que é presidente da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Sistema Famasul) e do Conselho Deliberativo do Sebrae-MS, acrescentou que o setor produtivo entende que deve ser parceiro do governo neste momento. “O campo vai fazer a sua parte, com aumento da área de plantio. Todo o setor produtivo está consciente”, comentou.

CRESCIMENTO

Conforme publicado em 25 de outubro pelo Correio do Estado, o Orçamento de Mato Grosso do Sul para 2024 é estimado em R$ 25,488 bilhões. 

O próximo exercício financeiro acumula acréscimo de 15,69% ou R$ 3,458 bilhões na comparação com os R$ 22,030 bilhões previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA) deste ano.

O Projeto de Lei nº 290/2023 foi entregue pelo governo de MS no dia 16 de outubro à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), dando início a uma nova fase para a definição das receitas e despesas do Estado no próximo ano.

O projeto tramita entre os deputados estaduais, que já apresentaram 219 emendas e subemendas. O texto foi aprovado em primeira votação no dia 14 de novembro.

Segundo o economista Eduardo Matos, o aumento exponencial nos valores é reflexo do bom momento econômico vivenciado no Estado, fato que deve se estender, uma vez que Mato Grosso do Sul tem muito potencial a ser aproveitado nos próximos anos.

“Em primeiro lugar, muitos dos grandes investimentos privados não estão atuando em plena capacidade, o que significa que nos próximos anos a produção tende a aumentar e, consequentemente, elevar a arrecadação do Estado, principalmente no que diz respeito ao ICMS”, avaliou Matos.

Pesquisa

Café pode custar quase o dobro em Campo Grande e diferença chega a R$ 21

Levantamento do Procon comparou 38 produtos em oito estabelecimentos

14/09/2026 14h45

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Levantamento do Procon encontrou variação de 88,24% no preço de uma mesma embalagem de 500 gramas; pesquisa avaliou 38 produtos em oito supermercados e atacadistas

O preço de um mesmo pacote de café pode variar mais de R$ 21 em Campo Grande, dependendo do estabelecimento escolhido pelo consumidor. Pesquisa do Procon Municipal encontrou diferença de até 88,24% entre os preços praticados para uma embalagem de 500 gramas do Café do Ponto, que foi encontrada por R$ 23,90 em um estabelecimento e chegou a R$ 44,99 em outro.

O levantamento foi realizado entre os dias 2 e 4 de setembro e avaliou 38 itens em oito supermercados e atacadistas da Capital. A pesquisa considerou diferentes marcas, tipos e apresentações de café e mostra que comparar os preços antes da compra pode representar uma economia significativa no orçamento doméstico.

No caso do Café do Ponto Tradicional e Extraforte a vácuo de 500g, a diferença entre o menor e o maior preço foi de R$ 21,09. Assim, quem encontra o produto por R$ 23,90 economiza praticamente o valor de uma segunda embalagem em comparação com o consumidor que paga R$ 44,99.

A diferença também é expressiva no Café Tradicional a vácuo de 500g da Três Corações. O produto foi encontrado por R$ 21,90 no menor preço pesquisado e chegou a R$ 37,99 no maior, uma diferença de R$ 16,09. A variação percentual foi de 73,47%, a segunda maior identificada pelo Procon.

Diferença

As diferenças ganham dimensão maior quando o café é comprado regularmente. No caso do Café do Ponto, por exemplo, a escolha pelo menor preço representa uma economia de R$ 21,09 em apenas uma embalagem de 500g.

Se o consumidor comprar dois pacotes do mesmo produto, a diferença entre escolher o menor e o maior preço chega a R$ 42,18. Em quatro embalagens, a economia acumulada seria de R$ 84,36.

Já na comparação entre os preços do Café Três Corações, duas embalagens compradas pelo menor valor custariam R$ 43,80, enquanto a mesma quantidade pelo maior preço chegaria a R$ 75,98. A diferença, nesse caso, seria de R$ 32,18.

Os cálculos consideram apenas os preços registrados na pesquisa e servem para demonstrar como pequenas diferenças por embalagem podem se acumular quando o produto é adquirido com frequência.

Apesar das diferenças encontradas entre alguns produtos, o levantamento também identificou cafés com preços iguais nos estabelecimentos pesquisados.

O Café Rancheiro almofada de 500g, nas versões tradicional e extraforte, foi encontrado pelo mesmo preço de R$ 32,90 nos locais avaliados. O Café Rincão almofada tradicional também apresentou estabilidade, com o pacote de 500g custando R$ 24,90 em todos os estabelecimentos considerados na pesquisa.

A pesquisa incluiu ainda marcas comercializadas exclusivamente por determinados estabelecimentos. Segundo o Procon, a presença dessas opções demonstra a variedade de produtos disponíveis ao consumidor e reforça a necessidade de observar não apenas a marca, mas também o tipo e a apresentação do café antes de decidir pela compra.

Comparação pode reduzir gasto

Para o Procon, a diferença encontrada mostra que pesquisar antes de colocar o produto no carrinho pode fazer diferença no orçamento familiar.

O superintendente do Procon Municipal, José Costa Neto, afirmou que o café é um produto de consumo frequente e que a comparação entre estabelecimentos pode gerar economia para as famílias.

“O café é um produto indispensável na mesa dos campo-grandenses. A nossa pesquisa demonstra que, ao comparar os preços e as marcas disponíveis no comércio, o consumidor obtém uma economia expressiva que ajuda a aliviar o orçamento familiar”, afirmou.

O levantamento também funciona como uma fotografia dos preços praticados no período da coleta. Como os valores podem mudar conforme promoções, reposição de estoque e política comercial de cada estabelecimento, os preços encontrados entre os dias 2 e 4 de setembro não representam necessariamente os valores cobrados atualmente.

 

Expansão

MS tem quase R$ 90 bilhões em investimentos previstos

Carteira reúne megaprojetos de celulose, mineração, bioenergia e citricultura; UFN3 acrescenta R$ 5 bilhões à conta

14/09/2026 07h45

Carteira reúne megaprojetos de celulose, mineração, bioenergia e citricultura; UFN3 acrescenta R$ 5 bilhões à conta

Carteira reúne megaprojetos de celulose, mineração, bioenergia e citricultura; UFN3 acrescenta R$ 5 bilhões à conta Divulgação

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Mato Grosso do Sul mantém uma carteira próxima de R$ 90 bilhões em grandes investimentos previstos para os próximos anos, mesmo após a conclusão de empreendimentos que estavam no radar no levantamento realizado pelo Correio do Estado em 2025.

A nova panorâmica mostra avanço de obras, projetos que ganharam cronograma e também investimentos que foram reprogramados.

O levantamento atualizado pelo Correio do Estado reúne cerca de R$ 85 bilhões em investimentos privados entre projetos em implantação, confirmados ou em fase de estruturação.

A esse montante se soma a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), da Petrobras, com investimento superior a R$ 5 bilhões para a conclusão da fábrica em Três Lagoas. Com isso, o volume chega a cerca de R$ 90 bilhões.

O valor, portanto, é superior aos R$ 81,5 bilhões identificados na reportagem publicada no ano passado. A comparação, porém, não significa apenas o surgimento de novos recursos.

Alguns empreendimentos que constavam no levantamento anterior já entraram em operação, enquanto outros foram substituídos por uma nova geração de projetos.

Entre os maiores investimentos está o Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência, estimado em R$ 25 bilhões.

A construção da fábrica avançou para uma etapa decisiva e a previsão é de início das operações no segundo semestre de 2027. A unidade terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano. 

A movimentação em torno do empreendimento também já alcança a logística. O ramal ferroviário da Arauco, que consumirá cerca de R$ 1 bilhão, chegou a 50,8% de execução e teve iniciado o orçamento das vigas de uma ponte de 270 metros.

Carteira reúne megaprojetos de celulose, mineração, bioenergia e citricultura; UFN3 acrescenta R$ 5 bilhões à conta Fonte: Reportagem/Semadesc/Petrobras

CELULOSE

O setor de celulose continua sendo o principal responsável pela concentração de capital na nova carteira de investimentos de Mato Grosso do Sul. Além da Arauco, a Bracell projeta uma fábrica no Estado, com investimento estimado pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) em R$ 25 bilhões.

O empreendimento, que inicialmente seria instalado em Água Clara, foi direcionado para Bataguassu e terá capacidade produtiva de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas de celulose.

Em julho deste ano, o governo estadual entregou a licença prévia para o empreendimento. Apesar do avanço no licenciamento, o início das obras foi reprogramado para 2027, depois de uma previsão inicial de começar em fevereiro deste ano.

O terceiro grande projeto é a segunda linha da Eldorado Brasil, em Três Lagoas. Depois de anos travada pelo conflito societário entre a J&F e a Paper Excellence, a proposta voltou ao radar após a solução da disputa.

O investimento estimado é de R$ 25 bilhões e elevaria a capacidade de produção da empresa de 1,8 milhão para aproximadamente 4,4 milhões de toneladas de celulose por ano.

O projeto, contudo, deve ser tratado com uma ressalva. Embora a expansão esteja novamente nos planos da empresa, ainda não há um cronograma oficial de inauguração. Por isso, o valor entra no levantamento como projeto confirmado, mas não como uma obra com data definida.

Somados, Arauco, Bracell e Eldorado representam R$ 75 bilhões, ou mais de 80% de toda a carteira mapeada.

BIOENERGIA

A segunda frente de grandes investimentos está no setor sucroenergético. A Atvos confirmou um pacote adicional de R$ 2,36 bilhões para Mato Grosso do Sul, destinado à instalação de três plantas, uma unidade de biometano e duas usinas de etanol de milho.

Em Nova Alvorada do Sul, a planta de biometano recebe investimento superior a R$ 350 milhões e já está em implantação. A unidade deverá produzir cerca de 28 milhões de metros cúbicos de biometano por safra, utilizando resíduos da cana-de-açúcar.

Também em Nova Alvorada do Sul, a Atvos recebeu licença de instalação para uma nova usina de etanol de milho. O projeto prevê investimento superior a
R$ 1 bilhão.

A terceira unidade prevista pela companhia será instalada em Costa Rica. Como os três projetos fazem parte do mesmo pacote de R$ 2,36 bilhões, o levantamento considera o valor consolidado para evitar dupla contagem.

Outra aposta na produção de biocombustíveis está em Jaraguari, onde a usina de etanol de amido Pioneiras prevê investimento de R$ 300 milhões.

O movimento reforça a mudança no perfil dos investimentos industriais do Estado, que deixa de depender exclusivamente da celulose e amplia a participação de etanol de milho, biometano e outras fontes de energia renovável.

OUTRAS FRENTES

Em Corumbá, a LHG Mining, do grupo J&F, prevê R$ 4 bilhões para ampliar as operações no complexo Morro do Urucum. O projeto pretende elevar a produção anual de minério de ferro de alto teor de 12 milhões de toneladas para 25 milhões de toneladas.

Na região sul do Estado, a Copasul mantém em implantação a indústria de processamento de soja em Naviraí, com investimento total de R$ 1,4 bilhão. A unidade deverá produzir farelo e óleo vegetal e agregar valor à produção de soja regional. 

A agroindústria também aparece com força na expansão da citricultura. A Cambuhy Agropecuária, do grupo Moreira Salles, anunciou R$ 1,2 bilhão para o plantio de laranja na região de Ribas do Rio Pardo e Água Clara. Já a Cutrale prevê R$ 500 milhões para o cultivo de cerca de 5 mil hectares na divisa entre Campo Grande e Sidrolândia.

A citricultura já acumula cerca de R$ 2,1 bilhões em investimentos anunciados no Estado, considerando diferentes grupos que estão implantando pomares. 

UFN3

Fora do cálculo dos investimentos privados, a UFN3 representa uma das principais novidades em relação ao levantamento do ano passado. Depois de mais de uma década de paralisação, a Petrobras retomou oficialmente as obras da fábrica de fertilizantes em Três Lagoas.

A estatal estima investimento de cerca de US$ 1 bilhão, equivalente a mais de R$ 5 bilhões, para concluir o empreendimento.

A previsão atual é de início das operações comerciais em 2029. A fábrica deverá responder por aproximadamente 15% da demanda nacional de ureia, reforçando a estratégia de reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados.

A retomada também representa uma mudança importante em relação à reportagem anterior, quando a UFN3 ainda era tratada como uma promessa sem definição concreta para o reinício das obras.

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