A falta de acordo entre empresários e trabalhadores sobre a remuneração aos domingos, pode deixar o comércio de Campo Grande de portas fechadas nas noites festivas de Natal e Ano Novo. Em uma reunião que aconteceu na tarde de ontem (06), acabou sem acordo e criou um clima ruim entre representantes e sindicatos trabalhistas.
De acordo com o presidente da Câmara Dirigentes e Lojistas (CDL), Adelaido Villa, simplificou que o prejuízo econômico com o comércio de portas fechadas nas noites em que ocorrerá atrações festivas de Natal na região central de Campo Grande será de proporções catastróficas na ecônomia da cidade
"Estamos muito preocupados com essa falta de diálogo entre os sindicatos dos trabalhadores e dos comerciantes. O que adianta a gente pensar em crescer e eles resolvem entrar em conflito por algo em que ambos serão os maiores prejudicados. Espero que se resolvam, até porque o comércio fechado no final do ano será um prejuízo gigantesco para a economia de uma capital como é Campo Grande", detalhou.
O diálogo entre o Sindicato dos Empregados no Comércio (SECCG) e o Sindicato do Comércio Varejista se emperrou nas questões trabalhistas aos domingos. Enquanto o SECCG pede 4,1% de renumeração salarial e receber aos domingos, no outro lado o Sindicato dos Varejistas não aceitaram e foram irredutíveis. A reunião acabou gerando um impasse e criando um clima ruim entre representantes.
"Sobre a questão salarial, penso que é possível entrar em diálogo e ambos se ajustarem no meio termo. O que está emperrando mesmo é sobre trabalhar aos domingos. O sindicato dos trabalhadores não quer abrir mão disso e procura os seus direitos, mas do outro lado, os sindicato dos empresários estão irredutíveis porque eles precisam abrir nos finais de semana. Estamos dialogando com todos os representantes e estamos na torcida que ambos os lados consigam se resolver", explicou o presidente da CDL, Adelaido Villa
Sindicato dos trabalhadores vê trabalho escravo
Em busca de seus direitos, o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio (SECCG), Carlos Santos, relatou que a reunião terminou sem diálogo e que os trabalhadores estão abertos para negociar com os empresários.
"O trabalhador tem suas contas para pagar. Colocamos na mesa uma proposta salarial de 4,1% e recebe aos domingos. Sim, os trabalhadores não recebem aos domingos, eles ganham somente uma folga. Os empresários não aceitaram. Sai de lá vendo que o trabalhador está sendo escravizado. Não queremos isso", afirmou.
A reportagem tentou contato com o presidente da Fecomércio, Edson Araújo, que participou da reunião, para entender o impasse, e se abrirá mais reuniões para definir a situação. Os contatos não foram atendidos e o canal segue em aberto.
E se não houver acordo? O que diz a lei?
Conforme informações da Fecomércio, existe uma lei municipal que permite ao comércio abrir até às 22h. Já aos domingos e feriados, a lei da liberdade para que as lojas abrem em Campo Grande.
Ainda de acordo com a lei, não há nenhuma definição sobre os dias de semana em horários especiais de funcionamento no período de final de ano.
Compras de fim de ano devem movimentar R$ 1 bilhão na economia de MS
O período de fim de ano deve movimentar R$ 1 bilhão na economia de Mato Grosso do Sul, entre gastos com presentes e comemorações, segundo aponta pesquisa do Instituto de Pesquisa da Fecomércio MS (IPF-MS) e Sebrae MS, divulgada nesta segunda-feira (27).
O montante é 17,44% maior do que o injetado na economia no mesmo período do ano passado.
"É a primeira vez que a movimentação do fim de ano ultrapassa os milhões e vai para a casa do bilhão", disse a economista do IPF-MS, Regiane Dedé de Oliveira.
“A maior parte da movimentação, R$ 410,07 milhões, será com as comemorações de Ano Novo, seguidas dos presentes de Natal, que correspondem a R$ 355,71 milhões e as comemorações de Natal, R$ 239,32 milhões”, explica a economista.
Contanto presentes e comemorações, o Natal deve movimentar R$ 595,02 milhões, com gasto médio de R$ 628,05 por pessoa.
Dos consumidores, 71,83% informaram que irão presentear no Natal, com valor médio de R$ 333,36. Os filhos, netos, enteados e afilhados são os preferidos para serem presenteados, seguido de pais, avós e tios.
Quanto aos presentes, as roupas lideram as escolhas (53%), seguidas de calçados (43%) e brinquedos (34%).
Sobre o local de compra, lojas físicas são preferência de 88% dos consumidores, que informaram que pretendem pagar à vista, mas esperam descontos.
O analista-técnico do Sebrae/MS, Paulo Maciel, afirma que, com as pessoas optando por lojas físicas, é importante que os comerciantes garantam a qualidade do atendimento.
Ele ressalta que é importante ao empresário se antecipar na contratação, para oferecer o treinamento aos colaboradores.
“Trabalhe a decoração com itens relacionados ao Natal, estímulos visuais bem trabalhados chamam atenção do cliente e ajuda na conquista daquele que ainda está indeciso”, acrescenta Paulo.
Além dos presentes, 54,67% dos sul-mato-grossenses devem comemorar o Natal, sendo que a maioria (59,5%) afirmam que a comemoração será íntima, com a tradicional ceia em casa ou na casa de familiares e amigos.
Neste ano, o gasto médio com as comemorações de ano novo deve ser de R$ 311,68 por pessoa.
Além da comemoração em família, que, assim como o Natal, é opção da maioria, as celebrações de réveillon também incluem viagens, comemorações em igrejas, em praças e espaços públicos e espaços de festa.
"Esse ano as pessoas preferem comemorar o ano novo mais do que o natal, mas as duas datas irão movimentar a questão das comemorações, que envolve um monte de setores da economia", disse.
*Colaborou Glaucea Vaccari


