Economia

Fim de ano

Comércio deve abrir mais de 1,8 mil vagas temporárias em Mato Grosso do Sul

O segmento de hiper e supermercados terão maior destaque no setor de contratos

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Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), estima-se que o comércio varejista de Mato Grosso do Sul contrate 1.812 pessoas de forma temporária para fomentar as vendas de fim de ano. De acordo com os dados, os números deste ano é 15% maiores que o registrado em 2022, quando foram contratadas 1.573 pessoas.

O segmento de hiper e supermercados, com 859 vagas, será o maior segmento de contratações. Os setores de utilidades domésticas e eletroeletrônicos, com 316 vagas, e pelo vestuário e calçados, com 290 contratações, terão também destaque nos dias de festas. Livrarias e papelarias aparecem com 137 vagas e demais segmentos totalizam 210 contratações. 


“A desaceleração da inflação, em meio ao processo ainda inicial de flexibilização da política monetária, deverá impactar favoravelmente nas vendas de fim de ano e isso estimula o otimismo do empresário. É um momento muito oportuno para aquela pessoa que está procurando por uma vaga de trabalho e que encontra no emprego temporário uma oportunidade de contratação efetiva”, explica a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS (IPF/MS), Regiane Dedé de Oliveira.

 

Espaço

Brasil disputa mercado espacial e prevê lançamento de foguete ainda este ano

O Brasil firmou um acordo de salvaguardas tecnológicas com os Estados Unidos em 2019, no governo Bolsonaro

05/07/2026 17h00

Lançamento de foguete sul-coreano em Alcântara.

Lançamento de foguete sul-coreano em Alcântara. Divulgação / Sgt Vanessa Sonaly

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O Brasil está tentando abocanhar uma fatia do mercado espacial, que movimenta bilhões ao redor do mundo e tende a crescer mais nos próximos anos, puxado por SpaceX, Blue Origins e dezenas de outras empresas menores, mas relevantes.

Neste momento, há cerca de 20 contratos em negociação entre o governo federal e multinacionais para "alugar" o Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão. A expectativa é que ao menos um lançamento ocorra ainda neste ano, servindo de chamariz para outros contratantes.

A sul-coreana Innospace obteve, no dia 22 de junho, autorização da Agência Espacial Brasileira (AEB) para realizar um lançamento. A multinacional desenvolve veículos lançadores de pequenos satélites que atendem setores como telecomunicações, meteorologia e defesa.

A SpaceX, de Elon Musk, já avisou que busca centros espaciais ao redor do mundo para expandir suas atividades - e o Brasil tem condições de entrar no páreo, dizem especialistas.

"Estamos interagindo com empresas com interesse em lançar seus veículos do Brasil. São aproximadamente 20 empresas, de América, Europa, Ásia e Oceania, sendo algumas em estado mais avançado de negociação", conta o diretor de projetos e negócios da Empresa de Projetos Aeroespaciais (Alada), Paulo Ricardo da Silva Mendes

A Alada é a estatal criada em 2024 pelo governo Lula com o objetivo de prospectar clientes para uso da infraestrutura e dos serviços de lançamentos de Alcântara, bem como intermediar a interação desses clientes com os órgãos públicos locais que emitem as autorizações.

O faturamento dos contratos será convertido em investimentos na própria infraestrutura local. A base vinha sendo pouco utilizada. Agora, pode transformar-se em um trunfo, pois faltam centros espaciais disponíveis no planeta

Nessa preparação, o Brasil firmou um acordo de salvaguardas tecnológicas com os Estados Unidos em 2019, no governo Bolsonaro. O acordo protege a tecnologia norte-americana, o que é considerado um passo essencial para viabilizar os lançamentos, uma vez que cerca de 80% da tecnologia empregada nos veículos vem de lá.

"O mercado aeroespacial cresceu rapidamente. Criou-se aí uma janela que o Brasil não pode perder. O que buscamos é explorar a capacidade de lançamento, a valor justo de mercado, e colocar o País dentro desse mercado mundial", diz Silva Mendes.

Mercado trilionário

O setor de satélites, foguetes e bases de apoio movimentou US$ 220 bilhões no mundo em 2025, com tendência de chegar a US$ 315 bilhões (cerca de R$ 1,6 trilhão) até 2034, segundo a consultoria Global Market Statistics.

A quantidade de satélites ativos em órbita deve saltar de 11,7 mil, em 2025. para 30 mil, em 2030, chegando a 60 mil, em 2040, segundo relatório produzido pela Força Espacial dos EUA (o braço militar criado no primeiro mandato de Donald Trump).

Alcântara, por sua vez, tem potencial para atender cerca de 90% dos lançamentos, estima o coronel Adalberto de Rezende Rocha Júnior, diretor do centro espacial. "Alcântara está se transformando para absorver uma parte dessa demanda e ser um agente global", diz.

A infraestrutura dali é capaz de atender foguetes de pequeno e médio portes, com capacidade de levar para órbita entre 20 a 50 toneladas de carga, o que representa a maior parte dos lançamentos. A título de comparação, é uma faixa compatível com o Falcon, da SpaceX, que carrega até 23 toneladas, mas abaixo do 'supercargueiro' Falcon Heavy, de até 64 toneladas.

"Nossa infraestrutura já está totalmente adequada para o mercado. E se mais empresas vierem no futuro, aí precisaremos de investimentos", complementa Rocha Júnior.

Vantagens

O grande diferencial de Alcântara é a sua localização próxima da Linha do Equador, considerada o 'filé mignon' da órbita, onde fica a maioria dos satélites geoestacionários (que ficam 'parados' em relação à Terra, monitorando pontos específicos). Nessa latitude, o gasto de combustível para impulsionar o foguete é cerca 30% menor do que em outras partes do globo.

Outra vantagem é que o tráfego no Maranhão é baixo, sem necessidade de grandes mudanças no fluxo de aviões. A região tem poucos moradores e não tem histórico de desastres climáticos. Por fim, sua principal concorrente, Kourou, centro espacial da Guiana Francesa, já está praticamente lotada de lançamentos europeus, com pouca margem para crescer.

Dentro deste cenário favorável, o Brasil deve atingir a cadência de um lançamento por mês no curto a médio prazo, estima o coordenador de Licenciamento da AEB, Danilo Sakay.

"Já será um bom começo e com capacidade de expandir mais para frente". Segundo ele, a criação da Alada foi um passo importante para o Brasil entrar nesse mercado. "Existe uma logística por trás. Antes, eram só lançamentos brasileiros, então o próprio governo se arranjava. Agora vão envolver empresas estrangeiras, o que requer organização".

A sul-coreana Innospace fará em breve o seu segundo lançamento no Maranhão. O primeiro ocorreu em dezembro de 2025, mas o veículo explodiu após 33 segundos no céu devido a um vazamento de gases de combustão. A causa do acidente foi do projeto do foguete, não na base, diz o diretor da Alada.

"É como um avião. Se decolou e caiu, não é culpa da infraestrutura do aeroporto".

Virada

O Centro Espacial de Alcântara foi inaugurado em 1983 para ser o ponto de lançamento de um foguete brasileiro, mas isso não teve o sucesso esperado. Houve três tentativas. A última ocorreu em 2003, a maior tragédia do programa espacial brasileiro, quando a explosão do veículo matou 21 profissionais do setor.

"Junto com eles se foi também todo nosso conhecimento sobre foguetes. Eles eram nossa referência, nossos heróis. Aí ficamos parados no tempo", observa o diretor do espacial.

"Nessa época, a Índia estava no mesmo patamar que nós. Hoje, ela pousa no lado oculto da Lua e nós não", diz, referindo-se à missão indiana não tripulada que chegou ao polo sul lunar em 2023.

Nos anos seguintes, Alcântara foi reformada e passou a atender voos suborbitais - que não são capazes de lançar satélites em órbita, mas servem para experimentos científicos em ambientes de baixa gravidade. Já o projeto de um foguete próprio sofreu cortes de orçamento e dificuldades no desenvolvimento da tecnologia necessária.

Com o centro espacial pouco utilizado e o mercado crescendo, veio a virada na estratégia, com a busca de clientes corporativos.

"Ainda queremos lançar nosso foguete, mas vislumbramos esse lado comercial, pois o mercado está superaquecido", aponta Rocha Junior.

ECONOMIA

Endividamento no País atinge micro e pequenas empresas e negócios maduros

Levantamento indica 1.638.645 CNPJs endivididados distintos identificados em 2025, que totalizaram 3.042.775 consultas realizadas por empresas do setor de cobrança

05/07/2026 11h30

Entre os segmentos com maior presença na base de CNPJs endividados consultados, o comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios lidera (3,19%).

Entre os segmentos com maior presença na base de CNPJs endividados consultados, o comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios lidera (3,19%). FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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No Brasil, o endividamento empresarial está mais concentrado em micro e pequenas empresas e também em negócios já consolidados, como mostra levantamento feito através do Mapa Assertiva de Cobrança e Endividamento (MACE). 

Segundo o Mapa, 1.638.645 CNPJs endivididados distintos foram identificados em 2025, que totalizaram 3.042.775 consultas realizadas por empresas do setor de cobrança.

O resultado acompanha o perfil do tecido empresarial brasileiro. Conforme a Receita Federal, cerca de 92% das empresas ativas no País são micro empresas, enquanto pequenas representam aproximadamente 5%, médias 2% e grandes em torno de 1%.

Nos principais Estados analisados, a Assertiva mostra que as microempresas predominam entre os CNPJs endividados consultados: 63,31% no Rio de Janeiro, 59,81% em Santa Catarina, 59,49% em São Paulo, 59,41% no Paraná e 58,68% em Minas Gerais.

Na sequência, aparecem as pequenas empresas, com participação entre 17,08% e 19,66%, a depender do Estado.

De acordo com a datatech Assertiva, o cenário reforça a vulnerabilidade das empresas menores diante de oscilações de custos, queda na demanda e atrasos nos recebíveis. A companhia, que oferece soluções integradas para análise de crédito, ressalta que muitas dessas empresas operam com menor fôlego de caixa e têm acesso mais restrito a financiamento em condições favoráveis.

O estudo também mostra que o tempo de mercado não elimina o risco financeiro. Empresas com mais de 15 anos de atividade lideram a base de endividados, representando, dos CNPJs consultados: 

  • 35,63% em São Paulo
  • 31,95% no Rio de Janeiro;
  • 31,86% em Minas Gerais; 
  • 30,92%  no Paraná; e
  • 28,90% em Santa Catarina.

Na sequência, aparecem empresas com 5 a 10 anos de atividade, com participação próxima de 22% a 24% nos estados avaliados.

Segundo o CEO da Assertiva, Hederson Albertini, o dado quebra a percepção de que o endividamento empresarial está concentrado apenas em negócios jovens.

Empresas maduras também podem acumular obrigações, principalmente quando operam em ambientes de margem reduzida e crédito mais seletivo.

O executivo também destaca que negócios mais jovens tendem a ter mais dificuldade de acesso ao crédito - o que pode limitar, inclusive, sua capacidade de se endividar.

Dívida

Em valores médios de dívida, o Estado de Santa Catarina aparece na liderança (R$ 117.473,88), seguido por São Paulo (R$ 110 335,26). O Paraná registra média de R$ 47.094,49, enquanto Minas Gerais e Rio de Janeiro ficam abaixo de R$ 20 mil.

Setores

Entre os segmentos com maior presença na base de CNPJs endividados consultados, o comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios lidera (3,19%).

Em seguida vêm construção de edifícios (2,24%), transporte rodoviário de carga (2,23%), varejo de mercadorias em geral com predominância de alimentos - como minimercados, mercearias e armazéns (2,11%) - e restaurantes e similares (1,98%). Segundo a Assertiva, esses setores compartilham alta dependência do consumo, custos operacionais relevantes e necessidade constante de capital de giro.

 

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