Bolsa Família e Mais Social injetam cerca de R$ 145 milhões por mês na economia de Mato Grosso do Sul
Os programas de transferência de renda seguem como um dos principais motores da economia de Mato Grosso do Sul. Somente nos seis primeiros meses do ano, os repasses do Bolsa Família e do programa estadual Mais Social devem movimentar mais de R$ 870 milhões no Estado, reforçando o consumo das famílias de baixa renda e servindo como instrumento de combate à pobreza e à insegurança alimentar.
Pelas projeções, o Bolsa Família deverá fechar junho com um desembolso próximo de R$ 127 milhões, mantendo o patamar registrado nos meses anteriores.
Somado aos cerca de R$ 18 milhões mensais destinados pelo programa Mais Social, o volume de recursos colocados em circulação chega a aproximadamente R$ 145 milhões por mês, totalizando mais de R$ 870 milhões no primeiro semestre.
Os números revelam que, apesar da recuperação econômica e do mercado de trabalho aquecido, a política de assistência social continua desempenhando papel relevante na sustentação da renda de milhares de famílias sul-mato-grossenses.
Conforme especialistas entrevistados pelo Correio do Estado, os recursos provenientes dos benefícios sociais são fundamentais para manter a economia aquecida, uma vez que garantem a circulação de dinheiro no comércio local.
No entanto, eles ponderam que esses programas também podem, em determinados contextos, dificultar a inserção dos beneficiários no mercado de trabalho formal.
Para o economista Eduardo Matos, os benefícios sociais têm duas vertentes de atuação: a primeira é a função social, voltada à inclusão econômica das famílias; e a segunda é o impacto econômico direto, já que os recursos financeiros são integralmente convertidos em consumo.
“Pelo ponto de vista econômico, a injeção de recursos financeiros na camada mais baixa da economia significa consumo, e o consumo, por sua vez, movimenta o comércio, tanto de bens quanto de serviços, o que impulsiona a economia local”.
O especialista em Gestão de Pessoas Carlos Ornellas apresenta um contraponto a essa conclusão ao citar um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Segundo o levantamento, a ampliação dos benefícios do Bolsa Família nos últimos anos tem contribuído para a redução da busca por emprego entre grupos mais vulneráveis da população, como mulheres, jovens e trabalhadores com menor escolaridade.
“Com o aumento expressivo no valor médio do benefício, que praticamente triplicou em relação ao patamar pré-pandemia, observou-se um efeito direto e relevante na queda da participação laboral”.
PROGRAMAS
Ao longo dos cinco primeiros meses deste ano, o Bolsa Família apresentou pequenas oscilações tanto no número de beneficiários quanto no valor investido.
Em janeiro, foram atendidas 181.197 famílias, com investimento próximo de R$ 130 milhões. Em fevereiro, o programa contemplou 181.621 famílias, com aporte superior a R$ 128,3 milhões.
Já em março registrou redução para 178.775 famílias e R$ 124,3 milhões em repasses, enquanto abril manteve cerca de 179,1 mil famílias beneficiadas e investimento de R$ 124,1 milhões. Em maio, houve nova expansão, alcançando 184.860 famílias e recursos superiores a R$ 128,5 milhões.
Considerando a estimativa de aproximadamente R$ 127 milhões para junho, o programa federal deverá acumular cerca de R$ 762 milhões distribuídos apenas neste primeiro semestre em MS.
Paralelamente, o programa estadual Mais Social atende, em média, 40 mil pessoas com benefício mensal de R$ 450, injetando cerca de R$ 18 milhões por mês na economia local.
Em seis meses, isso representa outros R$ 108 milhões, elevando o montante conjunto para mais de R$ 870 milhões.
Além da transferência direta de renda, o Bolsa Família mantém benefícios complementares voltados à proteção da infância e da maternidade. Mais de 110 mil crianças de até 6 anos recebem adicional de R$ 150 mensais por meio do Benefício Primeira Infância, enquanto milhares de gestantes, nutrizes e crianças e adolescentes de 7 a 18 anos recebem complementos de R$ 50.
Campo Grande concentra o maior número de famílias beneficiadas, com 47,5 mil cadastros ativos em maio.
Em seguida aparecem Dourados, Corumbá, Ponta Porã e Três Lagoas. Já Paranhos permanece como o município com maior valor médio pago por família, acima de R$ 800 mensais.
SUPERAÇÃO
Apesar da expressiva movimentação financeira, indicadores recentes apontam que parte dos beneficiários vem conseguindo superar a situação de vulnerabilidade.
Desde 2023, cerca de 27,6 mil sul-mato-grossenses devolveram voluntariamente o cartão do Mais Social após melhoria das condições econômicas e independência do benefício.
O governo estadual também aposta em incentivos para romper o ciclo da pobreza. Beneficiárias que passam a frequentar o ensino regular ou a Educação de Jovens e Adultos (EJA) recebem adicional de R$ 300 por mês.
Já estudantes de baixa renda matriculados em cursos técnicos ou de graduação podem ser contemplados pelo MS Supera, que concede bolsa mensal de R$ 1.621.
Os reflexos dessas políticas aparecem nos indicadores sociais. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de pessoas vivendo em extrema pobreza em MS caiu de 2,7% para 1,6% em apenas dois anos, uma redução de 40,74%, colocando o Estado entre os três menores índices do País.
No mesmo período, aproximadamente 34 mil famílias deixaram a condição de insegurança alimentar. Informações do Cadastro Único também mostram que, entre março de 2024 e março deste ano, 44.604 pessoas saíram da situação de pobreza em Mato Grosso do Sul.