O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou na quarta-feira, 28, a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano, em decisão unânime. Com isso, como ficam os investimentos?
Leia a seguir os principais destaques dos especialistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Oportunidades de renda fixa
Segundo Rogério Freitas, líder de investimentos do ASA, a principal oportunidade na renda fixa, neste momento de juros em 15%, estão nas NTN-Bs, denominadas como Tesouro IPCA+ no Tesouro Direto. Esses títulos oferecem rendimento atrelado à variação da inflação (IPCA) mais uma taxa de juros prefixada.
"Dentre todas as classes de ativos, a NTN-B é a que mais nos agrada e consideramos mais barata. Os juros reais de equilíbrio estrutural de longo prazo no Brasil não são 7,5%, para o bem ou para o mal. Em um cenário positivo, esses 7,5% podem cair para 4,5%, representando um ganho de 300 pontos base. Imagine isso ao longo de 10 ou 15 anos; os papéis podem valorizar de 30% a 40%. Mesmo em um cenário menos favorável, se os juros subirem de 7,5% para 8% ou 8,5%, a perda ainda seria limitada", analisa Freitas
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, também afirma que as NTN-Bs de longo prazo apresentam prêmios bastante interessantes, com títulos de vencimento em torno de 10 anos sendo negociados próximos ao valor de IPCA + 7,6%.
"Dado o nível atual das taxas, uma alocação em títulos de maior duração, especialmente os atrelados à inflação, faz sentido para investidores que buscam capturar ganhos via marcação a mercado, uma vez que esses patamares elevados de juros reais tendem a não se sustentar por muito tempo", avalia.
Cristian Pelizza, economista-chefe da Nippur Finance, alerta que as NTN-Bs não são adequadas para todos os perfis de investidores Ele explica que essas opções fazem sentido principalmente para investidores com perfis moderado e arrojado, uma vez que esses papéis apresentam alta volatilidade e podem ter a rentabilidade negativa a preços de mercado.
"Ativos indexados à inflação oferecem prêmios interessantes. Historicamente, um IPCA + 7% ou valores próximos a isso foram raros nos últimos anos. Os investimentos pré fixados, acima de 13% ao ano, também são atraentes, porém, envolvem riscos. Esse risco está ligado à possibilidade do ciclo de juros ser mais severo e rígido do que o esperado. Ou seja, não ocorrer uma convergência dos juros para algo em torno de 11% ou 12% em um período de três a quatro anos, o que seria necessário para tornar vantajosos os investimentos em ativos indexados à inflação ou prefixados", explica Pelizza.
Oportunidades de renda variável
O economista-chefe da Nippur Finance observa que, de modo geral, há boas oportunidades em praticamente todas as classes de ativos No que diz respeito à Bolsa, ele afirma que as ações ainda estão sendo negociadas a múltiplos baixos, mesmo após as valorizações ocorridas no ano passado e no início deste ano. Além disso, ele destaca que ainda há fundos imobiliários sendo negociados a preços inferiores ao valor patrimonial.
Shahini aponta que há incertezas em relação ao ritmo dos cortes de juros e ao patamar final da Selic ao término do ciclo de afrouxamento monetário. Ele pontua que um corte eventualmente mais agressivo na Selic tende a beneficiar a Bolsa de forma geral, devido à redução da taxa de desconto aplicada aos fluxos de caixa das empresas.
"No entanto, alguns setores são mais sensíveis a esse movimento, destacando-se empresas mais alavancadas, além de segmentos como utilidades públicas, construtoras, varejo e o índice de small caps", afirma.
O líder de investimentos do ASA, tem uma visão um pouco mais otimista para as ações brasileiras de forma geral, sem destacar um papel em específico. No final do ano passado o ASA tinha uma visão de que o Ibovespa, principal índice da Bolsa de valores, poderia chegar à marca de 300 mil pontos em 2026, números que eles mantêm neste começo de ano.
"O sinal que estamos vendo é de um ambiente de repressão financeira e os ativos reais e os prêmios de risco vão continuar sendo comprimidos, com a Bolsa subindo, commodities e ativos reais se valorizando", diz Freitas.

