O Estado deve flexibilizar mais o modelo de negócios do setor nuclear para que haja maior participação privada nas futuras usinas de energia nuclear, defendeu hoje (17) o diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, ao participar do 6º Seminário Internacional de Energia Nuclear (Sien 2015), no Centro de Convenções da Bolsa de Valores do Rio.
Ele lembrou que o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, tem falado bastante sobre o tema. Inclusive, com indicação de que o modelo de negócio das futuras usinas será diferente de Angra 3, que é totalmente estatal. Guimarães salientou que a questão envolve aspectos legais e possíveis elementos que tornariam os empreendimentos atrativos para os potenciais parceiros privados, nacionais ou estrangeiros. “A combinação disso é o que a gente chama de elaboração do modelo de negócios, que é um tema ainda em discussão”, ressaltou.
A necessidade do país, por outro lado, permanece a mesma, e engloba a construção de mais quatro a oito usinas. A flexibilização do modelo poderia facilitar a construção das novas unidades, concordou o diretor da Eletronuclear. Mas insistiu que o desafio “é fazer um modelo que facilite e viabilize [a participação privada]”.
Segundo Leonam Guimarães, para ser atrativo, o modelo tem que garantir retorno para as companhias privadas, o que “não é simples, porque o setor é fortemente regulado, até em nível constitucional”. A única forma de ter retorno é por meio da receita gerada pelo empreendimento. Ele analisou que a parceria privada nas futuras usinas pode ocorrer via consórcio entre as empresas interessadas, como sucede na China, por exemplo.

