Economia

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Estagiário tem direito a 13º salário? Saiba o que diz a legislação

Lei do estágio garante uma série de benefícios, como férias e seguro, mas há alguns direitos que são garantidos apenas nos contratos CLR; confira

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O prazo para o pagamento da primeira parcela ou da parcela única do 13º salário, que seria no dia 30 de novembro, foi antecipado para esta sexta-feira (28), devido à data inicial cair num domingo. Com a aproximação do pagamento, volta à pauta uma dúvida comum entre os estudantes: estagiário tem direito ao 13°?

Entenda o que diz a lei e por que esse benefício ainda gera tantas dúvidas.
O estágio não configura vínculo empregatício, mas há uma lei específica que protege os estagiários. A Lei do Estágio garante bolsa, férias e seguro, mas o 13º salário não é um dos benefícios previstos.

A gratificação natalina é um direito exclusivo de trabalhadores contratados pelo regime CLT e não está prevista entre as obrigações legais dos contratos de estágio.

A distinção, segundo especialistas, é fundamental para preservar o caráter educacional dessa modalidade.

O coordenador do curso de Direito da Estácio, professor Igor Santos, explica que estágio e trabalho são figuras jurídicas completamente diferentes.

“O estágio é uma atividade acadêmica, parte do processo de ensino. Ele acontece fora da sala de aula, mas permanece sendo ensino. Já o contrato de trabalho está ligado à produção e à atividade empresarial. No estágio, o objetivo central é o aprendizado prático do estudante”, afirma.

A professora Kelly Teixeira Norões, também de Direito, reforça essa separação ao lembrar que o 13º salário é um direito exclusivo de quem possui vínculo empregatício.

Ela explica que o cálculo é feito com base no salário bruto e no número de meses trabalhados no ano, considerando-se 1/12 da remuneração para cada mês com mais de 15 dias trabalhados.

Além dos estagiários, trabalhadores temporários e prestadores de serviço também não têm direito ao benefício.

“Os prazos para pagamento são fixos: a primeira parcela até 30 de novembro e a segunda até 20 de dezembro. Quando há atraso, a empresa está sujeita a multas do Ministério do Trabalho e o empregado pode recorrer à Justiça para cobrar o valor devido com correção monetária”, destaca.

A professora lembra ainda que situações como demissões, pedidos de demissão, licenças médicas e licença-maternidade influenciam o cálculo, mas sempre dentro das regras da CLT, que não se aplicam aos estagiários.

Legislação

A Lei nº 11.788/2008 é que regulamenta o estágio e garante ao estudante benefícios como bolsa-auxílio, seguro contra acidentes pessoais, férias alinhadas ao calendário escolar e, em casos de estágios não obrigatórios, o auxílio-transporte.

O 13º salário fica de fora dessa lista, só podendo ser pago quando a empresa escolhe oferecê-lo voluntariamente e registra isso no contrato. Mesmo nesse caso, o pagamento não configura vínculo empregatício.

Para o professor Igor Santos, o risco de transformar um estágio regular em trabalho informal surge quando o estudante passa a cumprir funções sem qualquer relação com o curso ou atua sob subordinação e habitualidade, condições típicas de uma relação de trabalho.

Kelly Norões destaca que tanto empresas quanto empregados devem estar atentos aos cuidados jurídicos em torno do 13º salário para evitar conflitos trabalhistas.

Ela lembra que o cumprimento dos prazos, o cálculo correto com inclusão de médias de adicionais, a documentação adequada e a transparência são fundamentais para as empresas.

Já os trabalhadores devem acompanhar valores, verificar holerites, guardar comprovantes e buscar orientação jurídica quando houver irregularidades. A única situação em que o trabalhador perde o direito ao 13º proporcional é na demissão por justa causa, cenário que também não se aplica ao estagiário.

Ou seja, o 13º salário não é um direito automático do estagiário porque o estágio não é uma relação de emprego, e sim uma etapa do processo formativo. 

Movimento na economia

O pagamento do 13° salário aos trabalhadores, aposentados e pensionistas deve injetar R$ 5,2 bilhões na economia de Mato Grosso do Sul, de acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). 

Deste total, R$ 1.281.222.949 são provenientes dos aposentados e pensionistas da Previdência Social (INSS), e R$ 3.921.221.091 de trabalhadores formais. 

O montante não contempla os trabalhadores autônomos, assalariados sem carteira assinada ou trabalhadores com outras formas de inserção no mercado de trabalho que, eventualmente, recebem algum tipo de abono de fim de ano.

A cifra bilionária teve um aumento de 22,42% em comparação ao ano passado, o que significa um acréscimo de R$ 953.570.685.

Em todo o Brasil, o pagamento do 13º salário deve injetar cerca de R$ 369,4 bilhões na economia brasileira.

O montante representa aproximadamente 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do País e é pago aos trabalhadores do mercado formal, inclusive empregados domésticos; beneficiários da Previdência Social; e aposentados e beneficiários de pensão da União e dos estados e municípios.

Agronegócio

Falta de armazenagem faz com que MS deixe de arrecadar R$ 6,1 bilhões em grãos

Mais de 12 milhões de toneladas de soja e milho da safra 24/25 não tinham onde ser armazenadas no Estado

22/02/2026 13h35

Safra do milho perdida deixou de arrecadar R$ 1,7 bilhão

Safra do milho perdida deixou de arrecadar R$ 1,7 bilhão FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A falta de local para armazenar a produção de grãos em Mato Grosso do Sul fez com que mais de R$ 6,1 bilhões deixassem de ser arrecadados na safra 2024/2025. Esse valor corresponde ao quantitativo que deixou de ser capturado pelos produtores devido à limitação estrutural dos silos no Estado. 

Da quantia total, R$ 4,7 bilhões representam a soja e R$ 1,4 bilhão, o milho, evidenciando uma sensibilidade maior da oleaginosa às condições do mercado e à insuficiência da capacidade de estocagem. 

Os dados são de um estudo desenvolvido pela Aprosoja/MS, desenvolvido para analisar o impacto na comercialização dos grãos causado pela falta de armazenagem adequada especialmente no período da colheita. 

Na safra analisada, a produção estimada de soja e milho foi de 24,26 milhões de toneladas. Enquanto isso, a capacidade de estocagem é de 16,39 milhões de toneladas.

De acordo com o parâmetro técnico recomendado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a capacidade de armazenagem deve equivaler a 120% da produção anual.

Assim, Mato Grosso do Sul apresenta um déficit de 12,72 milhões de toneladas, o mesmo que 43,7% da capacidade necessária para atender adequadamente à demanda das safras. 

Entre os municípios, Maracaju foi o que mais sofreu custo de oportunidade, deixando de arrecadar R$ 708,5 milhões. O município, maior produtor de grãos do Estado, corresponde, sozinho, a mais de 11% do “prejuízo”.

Em seguida, Ponta Porã, com R$ 457,9 milhões; Sidrolândia, com 401,2 milhões; Dourados, com R$ 318,6 milhões; e São Gabriel do Oeste, com R$ 265,7 milhões “perdidos”. 

Ao todo, esses municípios somam mais de R$ 2,15 bilhões em perdas por falta de armazenagem. 

“A comercialização forçada no período de colheita reduz o preço médio recebido pelo produtor e compromete o fluxo de caixa da atividade. Sem a possibilidade de escolher o momento mais adequado para vender sua produção, o produtor perde flexibilidade para escalonar as vendas, negociar melhores preços e projetar receitas ao longo do ciclo produtivo, o que fragiliza o planejamento financeiro. Por isso, a armazenagem deve ser encarada como um instrumento de gestão econômica, essencial para a sustentabilidade e a competitividade das propriedades”, afirmou o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc. 

Maior produção, menor armazenamento

Nos últimos cinco anos, a produção média de soja e milho em Mato Grosso do Sul ultrapassou 22 milhões de toneladas, deixando um déficit de armazenagem no Estado superior a 11 milhões de toneladas. 

Segundo a Aprosoja/MS, a capacidade de armazenamento no Estado é de 16,4 milhões de toneladas, enquanto a necessidade estadual chega a 27,5 milhões de toneladas. Essa diferença de 67,8% obriga muitos produtores a venderem suas safras logo após a colheita, impedindo de esperar por preços melhores do mercado.

Assim, o ritmo da capacidade de armazenamento dos grãos não acompanha o crescimento da produção agrícola. 

Entre 2014 e 2025, a capacidade de armazenagem saltou de 9,01 milhões para 16,39 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 82%. No mesmo período, a produção cresceu 69%, saindo de 17,23 milhões para 29,11 milhões de toneladas. 

A consequência disso foi o aumento do déficit de armazenagem de 8,25 milhões para 12,72 milhões de toneladas, um crescimento de 54%. Em 2023, foi registrado o déficit recorde da série, de 21,23 toneladas, após uma safra excepcional. 

Expansão

Para o economista da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes, a expansão da armazenagem vem ocorrendo de forma reativa. 

“Historicamente, o déficit estrutural vem acontecendo em resposta ao crescimento da produção, o que limita a capacidade momentânea, aumenta a demanda por transporte no pico da colheita, pressiona negativamente a cotação dos fretes e reduz o efeito multiplicador da atividade agrícola sobre a economia local, afetando comércio, serviços e arrecadação municipal”, avaliou.

Segundo o estudo, o valor perdido na safra 24/25 equivale a cerca de 10% do valor bruto da produção de soja e milho no Estado, quantia que poderia financiar investimentos em novas estruturas de armazenamento. 

Como já noticiado pelo Correio do Estado, em julho do ano passado, o governo do Estado anunciou apoio aos investimentos de R$500 milhões da empresa Coamo para ampliar a indústria e construir novos armazéns. 

Conforme a gestão estadual, a empresa pretende expandir sua unidade de processamento de soja em Dourados e construir mais três armazéns nas cidades de Sidrolândia, Amambai e Dourados. 

Jaime Verruck, secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), detalhou que a ampliação da fábrica da Coamo localizada em Dourados terá um investimento de R$200 milhões. 

Atualmente, a planta que tem capacidade de processamento de 3 mil toneladas de soja por dia, e após ampliação, vai passar para 4 mil toneladas/dia. Já os novos armazéns serão construídos nos demais municípios, com previsão de investimento de R$80 milhões em cada um.

Empregos

Indústria, construção e comércio cortam 34 mil vagas com ensino superior em 2025, mostra FGV

O número de empregados com carteira assinada em 2025 foi menor que nos anos anteriores

22/02/2026 13h00

Construção civil puxou a geração de vagas de trabalho em Mato Grosso do Sul

Construção civil puxou a geração de vagas de trabalho em Mato Grosso do Sul Paulo Ribas

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O mercado de trabalho no País mantém-se robusto e resiliente, com abertura líquida de vagas com carteira assinada em 2025, mas em menor quantidade do que nos anos anteriores. Num cenário em que a população ocupada segue renovando recordes, a formalização deveria ter espaço para avançar e melhorar a qualidade do conjunto de empregos existentes.

Porém, em meio aos juros elevados, as atividades de indústria, construção e comércio já cortam postos de trabalho mais qualificados, com demissões de funcionários que completaram o ensino superior. Considerando todas as dispensas e admissões, os três setores juntos eliminaram 34.297 empregos formais com ensino superior completo em 2025.

Os dados são de um estudo das pesquisadoras Janaína Feijó e Helena Zahar, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), obtido com exclusividade pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O levantamento tem como base os microdados do Novo Caged, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho.

Em 2025, o mercado formal criou 1.279.448 vagas, 398 mil postos a menos do que em 2024, uma queda de 23,7%. Apenas 1,9% desses novos postos de trabalho foram vagas com ensino superior completo: 24.513. Entretanto, houve demissão líquida entre esses funcionários com maior nível de instrução na indústria, 13.686 vagas a menos em relação a 2024; na construção, 8.179 postos a menos; e no comércio, 12.432 a menos. O resultado geral só não foi negativo porque o setor de serviços absorveu mais 58.300 trabalhadores com ensino superior, e a agricultura, mais 509.

"A gente sabia que a manutenção de uma taxa de juros elevada por muito tempo teria rebatimento no mercado de trabalho, mesmo que fosse de forma tardia. Então, a partir de junho esse impacto esperado no mercado de trabalho se consolidou, foi gerando saldos negativos. Desde agosto a geração de empregos vinha caindo na margem, e quando chegou o último trimestre, ela se consolidou de fato", relatou Feijó.

Em dezembro, o mercado formal registrou o pior saldo para o mês da série histórica do Novo Caged, com perda de 618.164 vagas líquidas, desempenho 11,3% inferior ao de dezembro de 2024. Com exceção da agropecuária, todos os demais setores econômicos apresentaram retração ante dezembro do ano anterior.

"A taxa de juros é um dos principais fatores que afetam a geração de postos formais. A gente já tem outros problemas estruturais também. No Brasil há dificuldade de contratar CLT porque os encargos trabalhistas ainda permanecem muito elevados. (...) Tem outros elementos adjacentes que influenciam, como as expectativas dos empresários. Se eles percebem que o ambiente econômico está muito desfavorável, eles tendem a postergar essa decisão de contratar especialistas no negócio e a não contratar novas pessoas", frisou Feijó. "Mas a gente sabe que para o País crescer, a gente tem que focar na geração de postos formais."

Quanto a 2026, a desaceleração da atividade econômica e a manutenção de juros em patamares elevados geram expectativas de um desempenho ainda mais modesto na geração de empregos com carteira assinada, diz o estudo. Feijó acrescenta que o cenário será de mais incerteza, por conta das eleições no segundo semestre, embora seja esperado algum efeito de retenção de mão-de-obra em setores específicos por conta de pacotes de estímulo do governo e da realização da Copa do Mundo de Futebol

"O nível de incerteza tende a aumentar, e as pessoas tendem a esperar até o final do ano para ver como é que vai se consolidar a questão eleitoral, quem vai ganhar, para poder decidir o que vai fazer (sobre investimentos em contratações)", estimou a pesquisadora do Ibre/FGV.

O resgate do fôlego no emprego com carteira depende, em primeiro lugar, de uma redução na taxa básica de juros, mas também da melhora no ambiente de negócios, defendeu.

"A gente tem conseguido aumentar a população ocupada, mas a qualidade ainda deixa a desejar. Uma sociedade que tem mais de 38% de trabalhadores na informalidade, isso é muito prejudicial, por conta da evasão fiscal. Do ponto de vista do trabalhador também é ruim, porque ele não tem garantia", justificou Feijó.

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