Economia

SERVIÇO PÚBLICO

Excesso de emendas desfigura reforma da previdência

Deputados já protocolaram 26 emendas; algumas aumentam privilégios

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A proposta de emenda à Constituição (PEC) que muda as regras para aposentadorias e pensões de servidores públicos de Mato Grosso do Sul já tem 26 emendas apresentadas pelos deputados estaduais. Relator da matéria, o deputado Gerson Claro (PP) teme a desfiguração do texto enviado na semana passada pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB). “Toda mexida na Previdência tem impacto. A reforma é um sistema e os pontos se ligam uns aos outros, os remendos vão modificar a proposta”, alertou.

O excesso de sugestões para alterar o texto proposto e adicionar e suprimir artigos da matéria já incomoda associações ligadas ao setor produtivo, como as federações da Indústria (Fiems) e do Comércio (Fecomércio), além da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MS). Na noite de quarta-feira (4), na sede da Fiems, os empresários declararam apoio ao texto proposto por Azambuja. Nos bastidores, porém, quase todos demonstraram temor de que o excesso de emendas dos parlamentares possa resultar em uma economia menor ao governo. “Sou radicalmente contra, temos modelo lá de cima para baixo, não podemos criar um monstrengo jurídico”, afirmou o deputado estadual João Henrique Catan (PL).

OAB

No caso da Ordem dos Advogados do Brasil, uma comissão foi constituída para acompanhar a tramitação da PEC da Previdência e o presidente da instituição, Mansour Elias Karmouche, cobrou explicações sobre a tramitação da reforma. 

“Uma proposta de emenda constitucional tem ritos especiais. Queremos saber se a tramitação obedece a esse rito”, afirma o presidente da OAB-MS. Na semana passada, deputados estaduais aprovaram redução de dez para três sessões para a discussão das propostas na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Assembleia Legislativa. Karmouche ainda criticou a pressa para aprovar o texto, sem que a PEC paralela, que tramita no Congresso Nacional e trata da reforma da Previdência para estados e municípios, tenha sido promulgada. “Tudo vai ser analisado”, disse. Quando Karmouche fala de tudo, também se refere às tentativas de vários órgãos com autonomia administrativa e orçamentária, como Ministério Público, Tribunal de Contas e Tribunal de Justiça, conseguirem tratamento diferenciado no texto. 

Na segunda-feira (2), os presidentes das três instituições, Iran Coelho das Neves (TCE), Paulo Cezar dos Passos (MPE) e Paschoal Carmello Leandro (TJ), com o presidente da Assembleia Legislativa, Paulo Corrêa (PSDB), encaminharam dezenas de sugestões para alterar o texto da PEC. Elas foram protocoladas na noite de quarta-feira pelo presidente do Legislativo. Só ele, protocolou 16 emendas ao texto, a maior parte delas sugerida pelos chefes dos outros poderes.

DEFENSORIA

Excluído do grupo dos quatro órgãos que entregaram sugestões e as submeteram ao governador Reinaldo Azambuja, o defensor público-geral do Estado, Fábio Rogério Rombi da Silva, sugeriu a adição de emendas similares às sugeridas pelas outras instituições, em busca do mesmo tratamento. 

Entre as medidas, está a que dá “tratamento constitucional” aos magistrados e se estende a essas categorias. A medida abre brechas para criação de leis complementares e, por não tratá-los como servidores comuns, para permitir que eles consigam escapar das regras impostas à maioria dos servidores: a idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, além do teto de R$ 5,8 mil para o provento, o mesmo do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Para todos os servidores, quem quiser ganhar mais que isso terá de aderir à previdência complementar. 

MUDANÇAS

Ao pedir “tratamento constitucional”, que abre brecha para diferenciação, o texto deixa em aberto a possibilidade de os cônjuges dos integrantes desses órgãos autônomos receberem a pensão por morte integral. Para todos os servidores, vale a regra nacional:  50% do salário do servidor, mais 10% por dependente. 

Os chefes dos poderes também querem a faculdade de conceder aposentadorias e pensões a seus servidores, e não deixar a tarefa exclusivamente para a Agência Estadual de Previdência, como queria o governo do Estado. 

Entre as propostas, também está o impedimento de contribuição extraordinária em caso de deficit que atinja até 45% do salário. Agora, para que isso ocorra, o porcentual será regulado por lei e será precedido de números que justifiquem a medida. 

Corrêa e também o deputado Coronel David (PSL) querem 90 dias de prazo para a PEC entrar em vigor após sua promulgação. O texto inicial previa promulgação imediata. 

Emendas de Corrêa, Capitão Contar (PSL) e Pedro Kemp (PT) pedem tratamento diferenciado para policiais civis e agentes penitenciários, conforme o já previsto na Constituição para os policiais federais: idade mínima de 53 anos para homens e 53 para mulheres. 

Onevan de Mattos (PSDB) quer limitar a contribuição previdenciária do servidor e do aposentado e pensionista ao valor de R$ 5,8 mil de seu salário, que seria o valor máximo de aposentadoria. 

Lídio Lopes, do Patriotas, aproveitou a oportunidade de mudar a Constituição Estadual para estabelecer que prefeitos e vereadores possam receber o teto do serviço público estadual, que é o salário de um desembargador: R$ 37,5 mil. 

ENERGIA ELÉTRICA

Energisa adia decisão sobre reajuste na conta de luz

Aneel recomendou aumento de 12,61% e análise que seria na terça-feira foi retirada de pauta

03/04/2026 13h30

Energisa aceitou adiar em uma semana a análise do processo que tramita na Aneel

Energisa aceitou adiar em uma semana a análise do processo que tramita na Aneel Foto: Divulgação

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Com o intuito de tentar reduzir o impacto do reajuste da energia elétrica que em média deve ser de 12,61%, a Energisa MS aceitou adiar em uma semana a análise do processo que tramita na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A diretoria da autarquia iria analisar em reunião colegiada o aumento tarifário na próxima terça-feira, mas retirou de pauta.

No mês passado, a Aneel solicitou que a Energisa MS se manifestasse sobre esta possibilidade de postergar a decisão, atendendo pedido feito pela  Secretaria Nacional de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, que comunicou a Aneel que o “Governo Federal encontra-se, neste momento, conduzindo análises e tratativas institucionais voltadas à avaliação de possíveis medidas relacionadas a reajustes tarifários, “destacando que “o objetivo dessas discussões é examinar alternativas que possam mitigar os impactos dos reajustes tarifários para os consumidores, buscando soluções que preservem o equilíbrio regulatório sem impor ônus excessivo à população”.

Com a apresentação desses argumentos pelo ministério, a diretora-relatora do processo de reajuste da Energisa MS na Aneel, Agnes Maria de Aragão da Costa, considera, com base em parecer técnico, que  a “ANEEL não pode promover o diferimento tarifário sem a anuência da concessionária, por configurar alteração unilateral das cláusulas econômicas do contrato de concessão, notadamente aquelas que definem a respectiva equação econômico-financeira”.

Por esse motivo, no dia 24 do mês passado Agnes da Costa encaminhou oficio à Energisa solicitando seu posicionamento sobre o reajuste. No documento afirma que “considerando o pleito do Ministério de Minas e Energia e diante da relevância e sensibilidade do tema, solicito que a EMS (Energisa) se manifeste quanto ao seu interesse e indique a alternativa que entenda mais adequada para o tratamento de sua tarifa no âmbito do presente processo, de modo a subsidiar a deliberação desta Agência, em observância aos limites legais e contratuais aplicáveis.”

Ontem, após a autarquia já ter apresentado estudos com o percentual de reajuste, a Energisa MS apresentou ofício comunicando que aceita o adiamento em uma semana, “com intuito de contribuir com a avaliação de possíveis alternativas destinadas a mitigar os impactos de reajustes tarifários aos clientes”, enfatizando que “concorda com a postergação da homologação do Reajuste Tarifário Anual a ser deliberado no dia 07 de abril de 2026 para o dia 14 de abril de 2026.”

No documento deixa claro que “que o efeito financeiro decorrente da não aplicação das novas tarifas entre o dia 08 de abril de 2026 e a data de publicação da nova Resolução Homologatória, seja compensado e devidamente corrigido no cálculo das tarifas de 2026”.

Com este posicionamento, a diretoria da Aneel retirou ontem o processo do reajuste tarifário da pauta da reunião do dia 7. Agora, o processo deve ser analisado no dia 14 deste mês, com a possibilidade dos índices de reajuste caírem. 

O reajuste médio da tarifa de energia elétrica dos 1,15 milhão de consumidores em 74 municípios sul-mato-grossenses atendidos pela Energisa MS foi definido pela área técnica em 12,61% em média. A Superintendência de Gestão Tarifária e Regulação Econômica (STR) da autarquia apresentou no processo de reajuste percentuais diferentes para as tarifas residências e industriais.  

Os consumidores de baixa tensão deverão pagar 12,49% a mais pela energia consumida, enquanto os de alta tensão devem ter um aumento maior, de 12,88%, segundo  a planilha apresentada  no dia 30 de março, às 17h57min pela STR. Estes percentuais podem sofrer alterações no relatório a ser votado.

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CASO VORCARO

Banco de Brasília pede que delações reservem recursos para cobrir prejuízos

BRB pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que seja garantida a reserva de dinheiro para cobrir os prejuízos com fraudes envolvendo as operações realizadas com o Banco Master

03/04/2026 11h35

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 Divulgação: MPC-MS

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O Banco de Brasília (BRB) informou nesta quinta-feira (2) que pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que seja garantida a reserva de dinheiro para cobrir os prejuízos do banco com as fraudes envolvendo as operações realizadas com o Banco Master.

Em comunicado enviado ao mercado financeiro, o BRB solicitou que os acordos de delação premiada que estão em discussão com a Polícia Federal (PF) a Procuradoria-Geral da República (PGR) levem em conta o ressarcimento das partes lesadas.

“A medida judicial visa, especificamente, à eventual reserva, segregação e vinculação de bens, valores, ativos, créditos e fluxos financeiros que venham a ser identificados, recuperados, bloqueados, repatriados ou ofertados no contexto de investigações em curso, inclusive no âmbito de eventuais acordos de colaboração premiada”, informou o banco.

Até o momento, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o cunhado ele, Fabiano Zettel, negociam acordo de delação premiada. Ambos estão presos.

As fraudes são apuradas pela Operação Compliance Zero, deflagrada para investigar a concessão de créditos falsos pelo Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo BRB, banco público ligado ao governo do Distrito Federal.

 

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