Economia

SAFRA 2025/2026

Ferrugem asiática sextuplica em MS após excesso de chuva e clima irregular

Com 68 casos já registrados, incidência do fungo é quase seis vezes maior do que na safra passada; seca na região Sul atinge 640 mil hectares e expõe contraste climático em MS

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Em Mato Grosso do Sul, o excesso de umidade provocado pelas chuvas intensas dos últimos meses tem favorecido o avanço da ferrugem asiática nas lavouras.

Dados contabilizados pelo Consórcio Antiferrugem, parceria público-privada (PPP) coordenada pela Embrapa Soja, apontam 68 ocorrências já registradas do fungo nesta safra, desde o mês de setembro de 2025.

A alta umidade, que já se acumula desde o fim do ano passado, contribuiu para o cenário, com 41 das ocorrências totais – foram relatadas somente no mês de janeiro deste ano.

O aumento das ocorrências é expressivo, ainda de acordo com o monitoramento. Na safra passada, foram apenas 12 registros do fungo em MS. Assim, neste ano na incidência da ferrugem nas lavouras chega a ser cinco vezes maior.

O avanço das incidências acontece também em outros estados. O Paraná lidera a quantidade de ocorrências da ferrugem asiática, com 127 registros neste ano, em comparação com 66 registros na safra anterior.

Na análise de Flavio Aguena, assessor técnico da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS), a falta de chuva ainda é preocupação maior para o produtor rural.

“Essa safra teve uma maior incidência por causa do clima mais úmido que tivemos até dezembro de 2025, o que favoreceu a reprodução e disseminação do fungo”, explica.

“No entanto, isso não foi motivo de grande preocupação dos produtores. O principal fator que prejudicou as lavouras, nesta safra, foi a seca que ocorreu em uma fase crítica da cultura da soja”, comenta.

O último boletim técnico de Agricultura divulgado nesta semana pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) e elaborado com a Aprosoja-MS ressalta como a irregularidade climática continua sendo o maior inimigo do produtor.

Na linha da análise de Aguena, ainda 64,7% das lavouras do Estado apresentam boa condição. Conforme o relatório, a ferrugem asiática já apareceu em lavouras nas regiões nordeste, oeste, sul e sudoeste.

Mesmo se mantendo em maior parte em boas condições, o cenário de janeiro representa uma “piora acentuada” na qualidade das lavouras, quando 75% dos plantios de soja apresentavam boas condições.

“O agravamento foi motivado por um período de estiagem e temperaturas elevadas, com os maiores prejuízos concentrados na região sul do Estado. Veranicos severos na região sul de MS causaram significativos danos à agricultura. Os levantamentos de campo da última semana de janeiro apontam que mais de 640 mil hectares já foram impactados, com períodos de estiagem superiores a 20 dias em determinadas localidades. Destaca-se os municípios de Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Amambai como os mais impactados pela seca”, é detalhado no boletim.

CHUVA

O boletim técnico também reforça que a quantidade maior de volume de chuvas no fim do ano passado, quando foram registrados volumes acima da média histórica, com acumulados variando entre 150 mm e 300 mm.

O maior volume de chuva foi observado em Mundo Novo, com um total acumulado de 439 mm, valor que representa um desvio positivo de 144% em relação à média climatológica do período.

Em janeiro, a reportagem do Correio do Estado divulgou que a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já indicava volumes consideráveis de chuva para o início deste ano, o que criaria um cenário de contrastes para o produtor rural.

Na ocasião, Eder Comunello, Pesquisador em Agrometeorologia da Embrapa Agropecuária Oeste, também previa a ferrugem asiática nas lavouras por causa da umidade.

“A distribuição das chuvas, e por consequência, do deficit hídrico, tem sido extremamente desigual, deixando o Estado ‘dividido pelo clima’”, avaliou.

“No extremo Sul, a abundância de água acende o sinal de alerta”, explicou. Municípios como Mundo Novo e Sete Quedas registraram acumulados expressivos, superando 70 milímetros em uma semana.

Para os produtores desta região, a chuva pode trazer uma “dor de cabeça” logística e sanitária: o excesso de umidade em lavouras prontas para a colheita favorece a abertura de vagens e pode impulsionar casos de ferrugem asiática.

O solo encharcado dificulta o trânsito de máquinas, prejudicando pulverizações de controle e a própria colheita”, alertava.

A previsão continua com possibilidade de clima instável, apesar de menos chuva no comparativo. “Climatologicamente, em grande parte do Estado, as chuvas variam entre 300 mm a 500 mm”, foi explicado no boletim técnico.

“A tendência climática para o trimestre fevereiro, março, abril de 2026 indica precipitação irregular no Estado, com variações regionais. No entanto, a expectativa é de que, de modo geral, os volumes de chuva fiquem abaixo da média histórica”.

PRODUTIVIDADE

Conforme publicado pelo Correio do Estado na edição de segunda-feira, mesmo com expansão da área cultivada, a segunda safra de milho em Mato Grosso do Sul deve registrar uma forte retração na produção em 2025/2026.

A estimativa mais recente do Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (Siga MS), aponta que o Estado deve colher 11,139 milhões de toneladas, volume 21,6% inferior ao registrado no ciclo anterior, que registrou recorde com 14,226 milhões de toneladas.

Embora o milho concentre as maiores revisões negativas, a soja também deixou de sustentar o cenário de otimismo que marcou o início do ciclo.

A expectativa inicial para a safra 2025/2026 da oleaginosa aponta uma área de 4,794 milhões de hectares, produtividade média de 52,82 sacas por hectare e produção estimada em 15,195 milhões de toneladas.

Segundo Flávio Aguena, o panorama mudou significativamente desde janeiro. “Havia um otimismo até dezembro de 2025, devido ao bom volume de chuvas, principalmente na região sul do Estado, onde está a maior área plantada de soja”, afirma.

No entanto, a situação climática se deteriorou rapidamente. “O mês de janeiro de 2026 foi marcado por uma seca severa nas regiões centro e sul, com algumas áreas ficando mais de 20 dias sem chuvas”.

O problema se agravou porque a estiagem coincidiu com uma fase crítica da cultura. “Essa situação é ainda mais preocupante, porque ocorreu durante o período reprodutivo da soja, quando a planta precisa, em média, de 5 a 7 milímetros de água por dia para expressar todo o seu potencial produtivo”, explica o assessor técnico.

Diante desse cenário, a Aprosoja-MS já descarta a manutenção do discurso de supersafra. “Hoje, o cenário para a soja em Mato Grosso do Sul não é mais de otimismo. O impacto da seca só será mensurado com a evolução da colheita”, ressalta Aguena.

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ENERGIA ELÉTRICA

Energisa adia decisão sobre reajuste na conta de luz

Aneel recomendou aumento de 12,61% e análise que seria na terça-feira foi retirada de pauta

03/04/2026 13h30

Energisa aceitou adiar em uma semana a análise do processo que tramita na Aneel

Energisa aceitou adiar em uma semana a análise do processo que tramita na Aneel Foto: Divulgação

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Com o intuito de tentar reduzir o impacto do reajuste da energia elétrica que em média deve ser de 12,61%, a Energisa MS aceitou adiar em uma semana a análise do processo que tramita na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A diretoria da autarquia iria analisar em reunião colegiada o aumento tarifário na próxima terça-feira, mas retirou de pauta.

No mês passado, a Aneel solicitou que a Energisa MS se manifestasse sobre esta possibilidade de postergar a decisão, atendendo pedido feito pela  Secretaria Nacional de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, que comunicou a Aneel que o “Governo Federal encontra-se, neste momento, conduzindo análises e tratativas institucionais voltadas à avaliação de possíveis medidas relacionadas a reajustes tarifários, “destacando que “o objetivo dessas discussões é examinar alternativas que possam mitigar os impactos dos reajustes tarifários para os consumidores, buscando soluções que preservem o equilíbrio regulatório sem impor ônus excessivo à população”.

Com a apresentação desses argumentos pelo ministério, a diretora-relatora do processo de reajuste da Energisa MS na Aneel, Agnes Maria de Aragão da Costa, considera, com base em parecer técnico, que  a “ANEEL não pode promover o diferimento tarifário sem a anuência da concessionária, por configurar alteração unilateral das cláusulas econômicas do contrato de concessão, notadamente aquelas que definem a respectiva equação econômico-financeira”.

Por esse motivo, no dia 24 do mês passado Agnes da Costa encaminhou oficio à Energisa solicitando seu posicionamento sobre o reajuste. No documento afirma que “considerando o pleito do Ministério de Minas e Energia e diante da relevância e sensibilidade do tema, solicito que a EMS (Energisa) se manifeste quanto ao seu interesse e indique a alternativa que entenda mais adequada para o tratamento de sua tarifa no âmbito do presente processo, de modo a subsidiar a deliberação desta Agência, em observância aos limites legais e contratuais aplicáveis.”

Ontem, após a autarquia já ter apresentado estudos com o percentual de reajuste, a Energisa MS apresentou ofício comunicando que aceita o adiamento em uma semana, “com intuito de contribuir com a avaliação de possíveis alternativas destinadas a mitigar os impactos de reajustes tarifários aos clientes”, enfatizando que “concorda com a postergação da homologação do Reajuste Tarifário Anual a ser deliberado no dia 07 de abril de 2026 para o dia 14 de abril de 2026.”

No documento deixa claro que “que o efeito financeiro decorrente da não aplicação das novas tarifas entre o dia 08 de abril de 2026 e a data de publicação da nova Resolução Homologatória, seja compensado e devidamente corrigido no cálculo das tarifas de 2026”.

Com este posicionamento, a diretoria da Aneel retirou ontem o processo do reajuste tarifário da pauta da reunião do dia 7. Agora, o processo deve ser analisado no dia 14 deste mês, com a possibilidade dos índices de reajuste caírem. 

O reajuste médio da tarifa de energia elétrica dos 1,15 milhão de consumidores em 74 municípios sul-mato-grossenses atendidos pela Energisa MS foi definido pela área técnica em 12,61% em média. A Superintendência de Gestão Tarifária e Regulação Econômica (STR) da autarquia apresentou no processo de reajuste percentuais diferentes para as tarifas residências e industriais.  

Os consumidores de baixa tensão deverão pagar 12,49% a mais pela energia consumida, enquanto os de alta tensão devem ter um aumento maior, de 12,88%, segundo  a planilha apresentada  no dia 30 de março, às 17h57min pela STR. Estes percentuais podem sofrer alterações no relatório a ser votado.

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CASO VORCARO

Banco de Brasília pede que delações reservem recursos para cobrir prejuízos

BRB pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que seja garantida a reserva de dinheiro para cobrir os prejuízos com fraudes envolvendo as operações realizadas com o Banco Master

03/04/2026 11h35

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 Divulgação: MPC-MS

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O Banco de Brasília (BRB) informou nesta quinta-feira (2) que pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que seja garantida a reserva de dinheiro para cobrir os prejuízos do banco com as fraudes envolvendo as operações realizadas com o Banco Master.

Em comunicado enviado ao mercado financeiro, o BRB solicitou que os acordos de delação premiada que estão em discussão com a Polícia Federal (PF) a Procuradoria-Geral da República (PGR) levem em conta o ressarcimento das partes lesadas.

“A medida judicial visa, especificamente, à eventual reserva, segregação e vinculação de bens, valores, ativos, créditos e fluxos financeiros que venham a ser identificados, recuperados, bloqueados, repatriados ou ofertados no contexto de investigações em curso, inclusive no âmbito de eventuais acordos de colaboração premiada”, informou o banco.

Até o momento, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o cunhado ele, Fabiano Zettel, negociam acordo de delação premiada. Ambos estão presos.

As fraudes são apuradas pela Operação Compliance Zero, deflagrada para investigar a concessão de créditos falsos pelo Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo BRB, banco público ligado ao governo do Distrito Federal.

 

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