Economia

PROPOSTA

Instituto aponta que fixar o ICMS dos combustíveis não deve reduzir preços

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que pretende mudar a forma como é cobrado o imposto estadual

Continue lendo...

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou na semana passada que estuda enviar um projeto de lei para que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incida sobre o preço dos combustíveis nas refinarias ou que seja fixado um porcentual para o imposto estadual. 

O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) avalia que as medidas terão pequena ou nenhuma contribuição para a redução do preço final ao consumidor.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Bolsonaro afirmou que a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) já foi zerada e que busca uma forma de zerar o PIS/Cofins, imposto federal, mas ressaltou que o maior impacto é do ICMS, imposto cobrado pelos estados. 

As propostas foram apresentadas pelo presidente durante coletiva na sexta-feira, em função do aumento dos preços dos combustíveis e da ameaça de greve dos caminhoneiros.  

“Nós pretendemos ultimar um estudo e, caso seja juridicamente possível, apresentaremos [o projeto] ainda na próxima semana, fazendo com que o ICMS venha a incidir sobre os preços dos combustíveis nas refinarias ou que tenha um valor fixo para o álcool, a gasolina e o diesel. E quem vai definir esse porcentual ou valor fixo serão as respectivas assembleias legislativas [de cada estado]”, explicou o presidente. 

De acordo com o coordenador técnico do Ineep, William Nozaki, as medidas sinalizadas para a política de preços dos combustíveis são de pouca contribuição para a formação de preços.

“A coletiva foi um improviso, pois não há nenhuma medida efetiva. Está tudo em estudo. E teve por objetivo reafirmar que o governo não tem interferência na Petrobras”, comenta.

Também coordenador do Instituto, Rodrigo Leão afirmou que as medidas sinalizadas para o curto prazo (mudança da incidência do ICMS e unificação dos impostos) podem ser interessantes para simplificação tributária, facilitar a arrecadação e dar previsibilidade aos preços, mas não deverão reduzi-los.

Para ele, as medidas de simplificação na cobrança do ICMS não garantem a redução do imposto.  

“O próprio presidente falou seguidas vezes, na entrevista coletiva, que os governos estaduais não serão afetados. Por isso, parece improvável que as medidas que serão sinalizadas tenham impacto significativo sobre os preços nos postos”,ressalta.

PREJUÍZO

O governo federal estuda ainda as possibilidades jurídicas para fazer alguma mudança em relação à cobrança do imposto. Segundo o advogado Leandro Provenzano, a intenção do governo é dar previsibilidade com a proposta.  

“Hoje o PIS/Cofins, por exemplo, tem um valor fixo de R$ 0,35 por litro, que é uma verba que vai direto para o governo federal. E ele [Bolsonaro] quer fazer algo semelhante com o ICMS. Ele indica um caminho de que haverá uma redução no valor dos combustíveis”.  

Provenzano ainda alerta que a medida pode trazer prejuízo aos estados. “Atualmente, o que acontece é que o ICMS é calculado no preço da venda, então ele é calculado no posto de gasolina. Ao passo que se ele fosse calculado na refinaria, seria mais barato, porque embora seja a mesma alíquota, ali não tem o lucro do posto e de outras etapas que acabam compondo o preço final. O lado positivo é que [o governo federal] está indicando uma intenção de redução dos valores dos combustíveis, por outro lado, isso pode trazer uma redução na arrecadação dos estados, que já passam por uma situação bastante complicada”, frisou o advogado.

O ICMS é a maior fonte de arrecadação de muitos estados, como é o caso de MS.  

O secretário de Fazenda de Mato Grosso do Sul, Felipe Mattos, e outros 26 secretários divulgaram nota afirmando que os constantes aumentos dos combustíveis desde 2017 não têm relação com aumento de impostos estaduais, e sim com a política de preços adotada pela Petrobras, que prevê paridade entre o preço do combustível no Brasil e no mercado internacional.  

Para os secretários, “somente uma reforma tributária nos moldes que os estados têm defendido desde 2019 junto à Comissão Mista da Reforma Tributária no Congresso Nacional poderá reorganizar essa e outras receitas dos entes federados e decidir sobre novas formas de incidência, reequilibrando o seu alcance nos setores estratégicos”, informaram em nota.  

ALÍQUOTA

Dados da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis) apontam que o ICMS da gasolina varia entre 25% e 34%, o do etanol vai de 13,3% a 32% e o do diesel comum vai de 12% a 25% no País.

O imposto mais barato para o biocombustível é cobrado no estado de São Paulo, 13,3%, e o mais caro no Rio de Janeiro, onde o ICMS sobre o etanol é de 32%. Já a menor alíquota da gasolina é de 25%, encontrada em São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso e outros estados. 

A maior cobrança, assim como no caso do álcool, é no Rio de Janeiro, onde o porcentual é de 34%. Enquanto o diesel é tributado em 12% no Espírito Santo, Rio de Janeiro e outros estados, o maior porcentual , 25%, é cobrado no Amapá.

Em Mato Grosso do Sul, atualmente, o ICMS do diesel é de 12%, do etanol 20% e da gasolina 30%.  

Depois da definição dos preços nas refinarias, na composição do preço final do diesel, por exemplo, cerca de 9% são impostos federais e 14% são de ICMS. Os demais custos, segundo dados da própria Petrobras, são distribuição e revenda (16%), custo do biodiesel (14%) e realização da estatal (47%). 

Ainda de acordo com a Petrobras, na composição do preço da gasolina são 29% de impostos estaduais e outros 15% de taxas federais. E ainda incidem sobre o valor: 12% de distribuição e revenda; 15% de etanol anidro misturado à gasolina; e 29% do preço na refinaria.

OUTROS IMPOSTOS

O governo federal também estuda a redução do PIS/Confins sobre combustíveis como compensação ao aumento da arrecadação. A previsão da equipe econômica é de crescimento do PIB em torno de 3,5% neste ano, o que, de acordo com o ministro da Economia, Paulo Guedes, pode ser repassado à população, gradualmente, em forma de desoneração de impostos.

Ainda de acordo com Guedes, o governo não vai esperar a reforma tributária, que deve levar em torno de seis meses para ser aprovada no Congresso. A decisão, segundo ele, sairá em até duas semanas. 

Assine Correio do Estado

Economia

BRB firma acordo para transferir ativos comprados do Banco Master

Banco público vai criar fundo de investimento com Quadra Capital

21/04/2026 22h00

Foto: Joédson Alves / Agência Brasil

Continue Lendo...

O Banco de Brasília (BRB), instituição pública controlada pelo Governo do Distrito Federal (GDF), anunciou a criação de um fundo para a transferência de ativos comprados do Banco Master.

O anúncio foi feito por meio de um comunicado do BRB a acionistas, clientes e mercado financeiro, divulgado na última segunda-feira (20), após aprovação do negócio pelo Conselho de Administração da companhia.

A operação busca vender ativos recebidos do Banco Master, após a liquidação da instituição então controlada por Daniel Vorcaro, atualmente preso por fraude e crimes financeiros.  

Quadra Capital
Para estruturar a criação do fundo de investimentos, o BRB assinou um memorando de entendimento com a Quadra Capital, com valor de referência de R$ 15 bilhões.

A Quadra Capital é uma gestora de fundos de investimento, especializada em ativos de baixa liquidez e com forte atuação em infraestrutura e logística. Nos últimos anos, investiu na aquisição de concessões portuárias no Espírito Santo e no Paraná.

Segundo o BRB, a operação será composta por uma parcela financeira à vista, de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões. Já a parcela remanescente, estimada entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, será realizada por meio de cotas subordinadas do fundo de investimento a ser estruturado para a gestão e monetização dos ativos.

A conclusão do negócio ainda vai depender do cumprimento das condições previstas em um memorando de entendimento. 

Executivo preso

Na semana passada, a Polícia Federal (PF) prendeu o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, durante a 4ª fase da Operação Compliance Zero.

Costa é suspeito de ter descumprido práticas de governança e facilitar negócios sem lastro entre o banco público e o Banco Master. Ele também é suspeito do recebimento de propina estimada em R$ 146,5 milhões, pagas por Vorcaro para facilitar a compra do Master pelo BRB, transação que foi vetada pelo Banco Central (BC).

Ao estruturar um novo fundo, o BRB espera "fortalecer sua estrutura de capital e sua liquidez, bem como aprimorar a gestão de seu portfólio, sendo a transação etapa relevante no processo de readequação da companhia, com expectativa de efeitos positivos sobre a liquidez, a gestão de ativos e a racionalização patrimonial".

regularização

Com 30% das declarações enviadas em MS, veja como evitar erros no IR

Mais de 200 mil contribuintes já transmitiram as informações ao Fisco; são esperadas 650 mil declarações

21/04/2026 10h00

Continue Lendo...

Com 30% das declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) já entregues em Mato Grosso do Sul, especialistas reforçam a importância de atenção ao preenchimento dos dados para evitar pendências com a Receita Federal. A expectativa é de que 650 mil contribuintes prestem contas neste ano no Estado. Mais de 200 mil declarações já foram enviadas até o momento.

O envio antecipado, além de reduzir o risco de imprevistos de última hora, também amplia as chances de o contribuinte receber a restituição mais cedo. Ainda assim, dúvidas sobre quem deve declarar, quais documentos reunir e como preencher corretamente os campos continuam comuns.

Com o objetivo de esclarecer essas questões, a Estácio Campo Grande promove, na quinta-feira, às 19h, a palestra "Descomplicando o Imposto de Renda 2026", aberta à comunidade. A iniciativa pretende orientar contribuintes sobre as principais exigências da Receita Federal e apresentar, de forma prática, como evitar erros que podem levar o contribuinte a cair na malha fina.

Segundo a docente dos cursos de Ciências Contábeis e Administração, Alessandra de Almeida Silva, a proposta é tornar o processo mais acessível. "Muitas vezes, o contribuinte deixa de fazer a própria declaração por insegurança ou falta de informação. A ideia da palestra é mostrar, de forma clara e acessível, como preencher cada etapa e entender quais são as suas obrigações, evitando erros e possíveis problemas com a Receita Federal", afirma.

Durante o encontro, serão apresentados os campos obrigatórios do formulário, além de orientações detalhadas sobre o preenchimento correto. Entre os pontos abordados estão a identificação de quem está obrigado a declarar, a faixa de renda anual exigida, os documentos necessários e a possibilidade de parcelamento do imposto devido.

ERROS

Além das dúvidas iniciais, especialistas alertam que erros aparentemente simples podem trazer impactos financeiros ao contribuinte ao longo do tempo. Um dos equívocos recorrentes envolve a forma de declarar imóveis no Imposto de Renda.

O advogado tributarista Eduardo Rodrigues, sócio da área tributária do Duarte Tonetti Advogados, explica que os imóveis devem ser informados pelo valor histórico de aquisição, ou seja, o valor efetivamente pago no momento da compra, e não pelo preço de mercado atualizado.

"O imóvel deve ser declarado pelo valor de aquisição, que corresponde ao montante efetivamente pago na compra. Um erro relativamente comum ocorre quando o contribuinte tenta atualizar esse valor com base no preço de mercado ou em estimativas de valorização do imóvel. Esse tipo de atualização não é permitido pela legislação e pode gerar inconsistências na declaração", afirma.

Outro ponto que costuma gerar dúvidas diz respeito às reformas realizadas no imóvel ao longo dos anos. Segundo o especialista, despesas com benfeitorias, como ampliações ou melhorias estruturais, podem ser incorporadas ao custo do bem, desde que haja documentação comprobatória.

"Esse registro é importante, porque reduz o ganho de capital apurado no momento da venda e, consequentemente, o imposto devido", explica Rodrigues.

Ele ressalta ainda que a Receita Federal possui capacidade crescente de cruzamento de dados, incluindo registros de cartórios e tributos pagos na transferência de propriedade. Inconsistências entre essas informações podem aumentar o risco do contribuinte cair na malha fina.

NOVIDADES

Neste ano, o Imposto de Renda traz novidades, como a possibilidade de uso do nome social na declaração e a inclusão de um campo opcional de diversidade (raça/cor). Também passa a ser obrigatória a informação de rendimentos provenientes de apostas esportivas, além da declaração de saldos em contas desse tipo quando superiores a R$ 5 mil.

Outra novidade é a criação de um programa de cashback voltado a contribuintes que não são obrigados a declarar, mas possuem valores a restituir, funcionando como incentivo ao envio do documento mesmo em situações facultativas.

Devem declarar o IRPF deste ano pessoas que receberam rendimentos tributáveis superiores a R$ 35.584 ao longo de 2025, obtiveram rendimentos isentos acima de R$ 200 mil, realizaram operações na bolsa de valores, tiveram ganho de capital na venda de bens ou possuíam patrimônio superior a R$ 800 mil até 31 de dezembro de 2025, entre outros critérios.

A Receita mantém ainda a opção da declaração pré-preenchida para contribuintes com conta nível Prata ou Ouro no gov.br. Quem utilizar esse modelo e optar por restituição via Pix, com chave CPF, terá prioridade no pagamento.

Especialistas recomendam que o contribuinte organize a documentação com antecedência e revise atentamente os dados antes do envio. O atraso na entrega da declaração gera multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido, além de possíveis restrições no CPF.

Entre as principais recomendações para evitar pendências estão não deixar o envio para a última hora, conferir informações de dependentes, declarar corretamente rendimentos no exterior e guardar comprovantes por, pelo menos, cinco anos.

A orientação geral é tratar a declaração do Imposto de Renda como um histórico patrimonial contínuo.
O cuidado no preenchimento anual reduz o risco de inconsistências futuras e evita custos tributários desnecessários.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).