Economia

TENDÊNCIA

Frete agrícola pode aumentar até 15% para a safra 2025/2026

Normativa válida a partir deste mês exige preços conformes à tabela de tarifa mínima

Continue lendo...

Os preços do frete agrícola podem registrar aumento de valor na próxima safra. A partir deste mês, conforme as novas regras determinadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), transportadores estarão sob novo sistema de fiscalização on-line da tabela de frete.

Na avaliação de Dorival Oliveira, assessor do Sindicato de Logística e Transporte de Cargas em Mato Grosso do Sul (Setlog-MS), o aumento de preços será mais vantajoso nas cargas de lotação. “As cargas de commodities são de lotação, porém, a maioria é destinada ao transportador autônomo, que é mais barato”, explicou.

Assim, na prática, a medida, mesmo que não de forma uniforme, pode elevar o valor do frete em até 15%. Essa é a estimativa de analistas de transportes, especialmente nas regiões onde a prática de pagamentos abaixo do piso estabelecido ainda é comum.

O consultor em logística João Batista Freitas comentou que o impacto pode variar entre 5% e 15% do custo total do transporte, dependendo da rota e do contrato. 

“O mercado vai precisar se adequar rapidamente. Quem pagava abaixo do piso agora corre risco de multa e até de suspensão de registros. Isso tende a reduzir a oferta de fretes mais baratos, pressionando o custo logístico da soja”, explicou em reportagem do Notícias Agrícolas.

Ainda conforme a reportagem, o setor de grãos, especialmente o da soja, que responde por quase 40% das cargas agrícolas do País, é um dos mais sensíveis a mudanças nas regras de frete. Como boa parte da logística depende do transporte rodoviário entre o Centro-Oeste e a região litorânea, a expectativa é de reajuste nos valores.

Outra mudança importante é a exigência efetiva de seguros obrigatórios, medida que visa à proteção de transportadores, empresas contratantes, caminhoneiros autônomos e da própria sociedade, trazendo mais segurança e transparência ao setor.

Conforme o governo federal, todos os Transportadores Rodoviários Remunerados de Cargas (TRRC) precisarão comprovar a contratação de três seguros essenciais: Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga (RCTRC), que cobre danos às mercadorias durante o transporte; Responsabilidade Civil por Desaparecimento de Carga (RCDC), que protege contra roubos e extravios; e Responsabilidade Civil de Veículo (RCV), que cobre acidentes envolvendo os veículos.

Produtores e cooperativas que utilizam frota própria precisarão contratar o RCV, sob pena de suspensão do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC).

Na prática, isso significa maior formalização das operações de transporte da soja, mas também novos custos fixos para os embarcadores.

QUEDA

Desde o fim da colheita de grãos, o preço do frete agrícola sofreu queda e levou as transportadoras a segurar os custos.Conforme o último boletim da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em setembro, Mato Grosso do Sul foi um dos estados que registrou diminuição de preços.

“É a oferta excessiva de caminhões. O produtor também segurou parte da produção, à espera de melhores preços para seus produtos”, detalhou Dorival Oliveira.

As exportações de grãos também afetam diretamente o setor de transporte. Conforme divulgado pelo Portal Correio do Estado, apesar de Mato Grosso do Sul manter superavit comercial, as exportações de grãos registram queda pelo segundo mês seguido, inclusive a soja e o milho, com participação menor que os demais produtos.

“Os produtores têm vendido apenas o volume necessário para cobrir as despesas com o custeio da safra, assim, os produtos ficam estocados nas propriedades, bem como foi inaugurado mais uma usina que processa milho. Dessa forma, tem diminuído o volume disponível para as exportações”, reforçou Oliveira.

As empresas de transporte adoraram a contenção de custos, ainda de acordo com o assessor, optando por deixar veículos parados nos pátios.

“A regra é reduzir custos, muitas empresas estão deixando seus veículos nos pátios, não estão contratando mão de obra, pois os valores de frete praticados atualmente não vêm cobrindo os custos, então, é ofertar um número menor de veículos para equilibrar o mercado e permanecer na atividade”, pontuou.

“Esperamos que as safras sejam produtivas e que não tenhamos a influência de nenhum fator climático para mudar essa perspectiva, pois depois de uma boa safra sempre aumenta o volume a ser transportado e, consequentemente, aumentam as receitas com o frete”, acrescentou.

SAFRA

A previsão para a próxima safra é otimista. O primeiro levantamento de safras da Conab para o ciclo 2025/2026 estima que Mato Grosso do Sul deve alcançar a maior produção de grãos de sua história. Os dados apontam que a próxima safra pode chegar a 28,7 milhões de toneladas, superando o recorde anterior de 27,1 milhões de toneladas, registrado na safra 2022/2023.

Comparado ao volume colhido três anos atrás, o crescimento é ainda mais expressivo: a produção deve avançar 30% em relação à safra 2021/2022, quando foram contabilizados 22 milhões de toneladas.

O desempenho é atribuído à combinação de expansão da área cultivada, avanços tecnológicos e condições climáticas mais favoráveis previstos para o ciclo 2025/2026. A área plantada deve aumentar 5,5%, passando de 6,6 milhões de hectares para 7 milhões de hectares.

Assine o Correio do Estado

EMPREGO

Com setor de serviços em alta, MS soma mais de 14 mil vagas criadas em 2026

No balanço geral, foram registradas 119.537 admissões e 105.507 desligamentos até março deste ano

04/05/2026 11h15

Nos últimos 12 meses, Mato Grosso do Sul acumula saldo de 20.565 empregos formais

Nos últimos 12 meses, Mato Grosso do Sul acumula saldo de 20.565 empregos formais Foto: Álvaro Rezende/ Governo do Estado

Continue Lendo...

Mato Grosso do Sul registrou saldo positivo de 3.554 novos empregos com carteira assinada em março de 2026, resultado de 40.698 admissões e 37.144 desligamentos, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego e compilados pela Assessoria Especial de Economia e Estatística da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).

Em 2026, o Estado soma 14.030 vagas formais criadas, com 119.537 admissões e 105.507 desligamentos. No comparativo com março de 2025, o desempenho do mercado de trabalho sul-mato-grossense teve crescimento de 8,41% nas contratações e de 172,55% no saldo de empregos.

Em relação a fevereiro deste ano, houve aumento de 1,56% nas contratações, enquanto os desligamentos cresceram 9,52%, impactando a variação mensal do saldo.

Artur Falcette, titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), avalia que o resultado reforça a trajetória de crescimento sustentado da economia sul-mato-grossense.

“Os números mostram a consistência do ambiente econômico de Mato Grosso do Sul, com geração de empregos distribuída entre setores estratégicos como serviços, indústria e construção. Esse desempenho é resultado de uma política de desenvolvimento que combina atração de investimentos, fortalecimento das cadeias produtivas e qualificação da mão de obra, garantindo oportunidades e renda para a população”, destacou.

A taxa de rotatividade ficou em 32,98% em março. Considerando os últimos 12 meses, de abril de 2025 a março de 2026, Mato Grosso do Sul acumula saldo de 20.565 empregos formais, com 422.425 admissões e 401.860 desligamentos, o que representa crescimento de 3,01%.

Setores

O setor de serviços liderou a geração de empregos no mês, com saldo de 1.680 vagas, o equivalente a 47,27% do total. O ramo da indústria geral ocupa a segunda colocação, com 1.208 postos (33,99%), e a construção, com 886 vagas (24,93%).

Na área do comércio, também houve resultado positivo, com 227 vagas ocupadas. Já a agropecuária registrou retração no período, com saldo negativo de 447 vagas.

Confira os municípios que mais criaram novos postos de trabalho:

  1. Campo Grande - 1.428
  2. Inocência - 899
  3. Três Lagoas - 324
  4. Corumbá - 271
  5. Chapadão do Sul - 180

Também tiveram desempenho positivo Paraíso das Águas (124), Fátima do Sul (111), Dourados (104) e Itaquiraí (92). Por outro lado, Paranaíba (-181), Aral Moreira (-142) e Laguna Carapã (-141) registraram os maiores saldos negativos no mês.

Assine o Correio do Estado

Balanço

BNDES aprovou R$ 5,7 bilhões para o agro de MS em 3 anos

Crédito aprovado cresceu 37% desde 2023; Mato Grosso do Sul amplia o acesso a financiamento e reforça ciclo de expansão do agronegócio

04/05/2026 08h00

Extraído da Internet/ Agência Brasil

Continue Lendo...

O agronegócio de Mato Grosso do Sul tem ampliado o acesso a crédito e fortalecido sua capacidade de investimento nos últimos anos.

Dados enviados ao Correio do Estado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mostram que, desde janeiro de 2023, foram aprovados R$ 5,07 bilhões para o setor agropecuário no Estado, volume 37% superior ao registrado entre 2019 e 2022, quando os financiamentos somaram R$ 3,7 bilhões.

O avanço reforça o protagonismo do campo sul-mato-grossense na economia regional e ocorre em um momento de expansão da produção e das exportações, com destaque para cadeias como soja, milho, celulose e proteína animal.

Na prática, o aumento do crédito indica maior capacidade de investimento por parte de produtores e empresas, sobretudo em tecnologia, mecanização e ampliação da produção.

Os recursos aprovados pelo banco incluem operações no âmbito dos Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF), crédito rural e financiamentos para projetos estruturantes, como aquisição de máquinas e equipamentos, além de serviços tecnológicos voltados ao ganho de produtividade.

O desempenho de Mato Grosso do Sul acompanha o movimento nacional de expansão do crédito ao agronegócio. Em todo o País, o BNDES aprovou R$ 160,8 bilhões para o setor desde 2023, montante 65,3% superior ao liberado entre 2019 e 2022, que somou R$ 97,3 bilhões. Os recursos alcançaram 93% dos municípios brasileiros, ampliando a capilaridade do financiamento.

Parte relevante desses investimentos tem sido direcionada à agroindústria. Do total nacional, R$ 19 bilhões foram destinados ao aumento da capacidade produtiva, incluindo projetos de armazenagem, centros de pesquisa e expansão da produção de biocombustíveis – segmento que ganha força também em Mato Grosso do Sul, especialmente com o avanço das usinas de etanol de milho.

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o aumento do volume de crédito está alinhado à estratégia de fortalecimento do setor agropecuário no País.

“Por orientação do presidente Lula, o BNDES tem sido um dos principais parceiros do setor agropecuário brasileiro. Ampliamos o volume de recursos para esse setor em todas as áreas. Um dos destaques é a produção de biocombustíveis. Foram aprovados R$ 13,5 bilhões para 48 projetos de etanol, valor 217% superior ao que foi aprovado entre 2019 e 2022”, afirmou.

OPERAÇÕES

O banco também registrou crescimento expressivo no número de operações realizadas por meio de instituições financeiras parceiras, o que facilita o acesso ao crédito por produtores de diferentes portes.

De acordo com o superintendente da área de Operações e Canais Digitais do BNDES, Marcelo Porteiro, somente no último ano foram mais de 200 mil operações no setor agropecuário.

“Num setor tão importante para a economia brasileira como o agropecuário, o BNDES se faz presente apoiando especialmente o investimento. Então, no ano passado, foram mais de R$ 50 bilhões investidos no setor, mais de 200 mil operações realizadas por meio de uma extensa rede de parceiros”, destacou.

Os números foram divulgados durante a Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, realizada em Ribeirão Preto (SP), que reúne produtores, fabricantes de máquinas e instituições financeiras. O evento funciona como vitrine para novas tecnologias e reforça a importância do crédito como motor de modernização do campo.

Em Mato Grosso do Sul, o aumento de 37% nas aprovações de crédito ocorre em um cenário de consolidação do agronegócio como principal vetor econômico.

O setor responde por parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) estadual e tem sido decisivo para a geração de empregos, renda e saldo positivo na balança comercial.

Especialistas apontam que o acesso a financiamento é determinante para sustentar o ritmo de crescimento, especialmente diante da elevação dos custos de produção e da necessidade de adoção de tecnologias mais eficientes.

Investimentos em armazenagem, por exemplo, ajudam a reduzir perdas e melhorar a logística, enquanto a mecanização contribui para ganhos de produtividade.

Outro fator relevante é o avanço dos biocombustíveis no Estado, impulsionado pela produção de etanol de milho, que tem atraído investimentos e ampliado a diversificação da matriz produtiva.

Nesse contexto, o crédito do BNDES tende a desempenhar papel estratégico na viabilização de novos projetos industriais.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).