Economia

BLOQUEIOS

Fronteira fechada do Brasil com a Bolívia resultou em prejuízo de mais de R$ 1 bilhão

Principal trecho de comércio exterior do Centro-Oeste foi reaberto na noite de sábado e ficou bloqueado por mais de 30 dias

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Depois de acordo costurado ao longo desta última semana, a fronteira do Brasil com  a Bolívia foi aberta na noite de sábado e o protesto gerou prejuízo estimado de R$ 1.125.000.000,00 para o comércio exterior de Mato Grosso do Sul. A região é o principal trajeto de negócios do Centro Oeste em termos de Porto seco.

A Bolívia é um grande comprador do Brasil e cerca de 90% do volume negociado e que passa nessa região é de exportação para o país vizinho. A importação da Bolívia corresponde a 10% das cargas que transitam entre Corumbá e Puerto Quijarro, conforme dados locais da Receita Federal.

Autoridades brasileiras, incluindo a Associação Comercial e Empresarial de Corumbá, governo de Mato Grosso do Sul e transportadas brasileiras tiveram mais de uma reunião com manifestantes bolivianos para apontar a fragilidade que o protesto estava ocasionado e os prejuízos escalonáveis, atingindo não só o Brasil, mas também gerando desabastecimento no país vizinho.

Para liberar o acesso da fronteira foi necessário o uso de trator para retirar terra e outros objetos que estavam bloqueando a fronteira. Apesar da liberação na região, o acesso até Santa Cruz de la Sierra continua com manifestações. Isso significa que nem todo o comércio exterior vai fluir por enquanto.

“A Receita Federal irá se reunir com os representantes do Porto Seco, transportadores, importadores, exportadores e demais intervenientes para buscar alternativas com o objetivo de minimizar todo esse impacto”, detalhou a Receita Federal em Corumbá, por meio de nota emitida na noite de sábado.

Por dia útil, cerca de R$ 45 milhões são comercializados no Porto Seco da Agesa e transitam pelo Posto Esdras, último ponto no Brasil para se adentrar na Bolívia. A manifestação dos Comitês Cívicos da Bolívia fecharam a fronteira por 25 dias úteis, no total foram mais de 30 dias. Essa manifestação foi a maior dos últimos cinco anos.

Além do prejuízo no comércio exterior, a movimentação no comércio corumbaense é altamente dependente do consumidor boliviano. Estimativa que comércios e serviços sofreram queda entre 40% e 70% de vendas. 

O bloqueio foi definido pelos Comitês Cívicos, primeiramente da província de Santa Cruz, para cobrar o governo federal sobre a realização do censo demográfico em junho de 2023. O governo federal sustentou que só poderia realizar o procedimento no país a partir de 2024. O censo que define os repasses que municípios recebem, tal qual ocorre no Brasil. O último censo realizado foi em 2012 e há defasagem nos repasses. Além disso, o governo provincial de Santa Cruz, de Luiz Camacho, também é adversário do governo federal boliviano, conduzido por Luis Arce (MAS).

PMS | IBGE

Volume de serviços em MS fecha 2025 com números preocupantes

Apesar da estabilidade se comparado com igual período do ano anterior, dois últimos meses apresentaram tendência de queda em Mato Grosso do Sul

12/02/2026 12h30

Índice foi fortemente influenciado por queda nos transportes, setor com recuos em todos os segmentos, como, por exemplo, no Aéreo (-5,5%) e Terrestre (-1,7%)

Índice foi fortemente influenciado por queda nos transportes, setor com recuos em todos os segmentos, como, por exemplo, no Aéreo (-5,5%) e Terrestre (-1,7%) Marcelo Victor/Correio do Estado

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Nesta quinta-feira (12) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trouxe os resultados de dezembro da chamada Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), indicando que esse índice em Mato Grosso do Sul fechou o ano de 2025 com números preocupantes em uma tendência de queda no setor nos dois últimos meses. 

Ainda que o próprio índice nacional tenha fechado dezembro com recuo, menos 0,4% frente a novembro no País, a queda para Mato Grosso do Sul foi de -5,2% no setor no último mês de 2025, com o segundo indicador, do comparativo com o mesmo período do ano anterior mostrando certa estabilidade. 

Enquanto na série sem ajuste sazonal, comparado com dezembro de 2024, Mato Grosso do Sul anota uma alta de 2,2%, esse índice nacional fechou mais de um ponto percentual acima (3,4%), segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE. 

Nacionalmente, o recuo de 0,4% da Pesquisa Mensal de Serviços prestados entre novembro e dezembro, foi sentido em três das cinco atividades, principalmente influenciado pela queda nos de 3,1% nos transportes. 

Nessa atividade específica, segundo dados da PMS, os recuos foram registrados em todos os segmentos investigados, sendo: 

  • (-5,5%) - Aéreo; 
  • (-4,9%) - Armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio; 
  • (-1,7%) - Terrestre e
  • (-1,4%) - Aquaviário.

O índice do volume de serviços foi também influenciado pelas quedas em: outros serviços (-3,4%) e de serviços profissionais e administrativos (-0,3%), com as taxas positivas ficando a cargo apenas do setor de informação e comunicação (1,7%) e serviços prestados às famílias (1,1%). 

PMS em números

Para além do recuo de 5,2% entre novembro e dezembro do ano passado, e da alta de 2,2% no comparativo do último mês de 2024 e 2025, os dados mais recentes divulgados pela Pesquisa Mensal de Serviços mostram uma dura realidade para Mato Grosso do Sul. 

Nesse quesito, o último resultado "positivo" mês a mês para Mato Grosso do Sul foi registrado na passagem de setembro para outubro do ano passado, quando a PMS local teve alta de 6,3%, conforme divulgado pelo IBGE ainda em 2025. 

Esse número, além de ter sido a maior alta do ano passado - como bem acompanha o Correio do Estado -, ainda foi o primeiro índice a interromper uma tendência de queda observada mensalmente desde julho de 2025.

Isso porque, conforme a PMS de dezembro, na série com ajuste sazonal, regionalmente foi registrado recuo no volume de serviços em 16 das 27 Unidades da Federação entre novembro e dezembro de 2025. 

Entretanto, além de figurar entre as 16 das 27 UFs que registraram recuo, o índice negativo de Mato Grosso do Sul (-5,2%) aparece atrás apenas do volume de serviços anotado pelo Estado do Pará (-7,3%). 

Com pouco mais da metade das Unidades da Federação pesquisadas apresentando recuo, entre os bons resultados aparecem, por exemplo, Rio de Janeiro (1,3%), Paraná (1,5%) e também o vizinho direto ao norte de MS, Mato Grosso (4,3%).

Índice foi fortemente influenciado por queda nos transportes, setor com recuos em todos os segmentos, como, por exemplo, no Aéreo (-5,5%) e Terrestre (-1,7%)Reprodução/SDI-MS/IBGE

Através da PMS, como bem frisa a Seção de Disseminação de Informações de Mato Grosso do Sul (SDI-MS) do IBGE, é possível acompanhar a evolução do setor de serviços empresariais não financeiros, bem como dos seus principais segmentos.

 

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SAFRA 2025/2026

Ferrugem asiática sextuplica em MS após excesso de chuva e clima irregular

Com 68 casos já registrados, incidência do fungo é quase seis vezes maior do que na safra passada; seca na região Sul atinge 640 mil hectares e expõe contraste climático em MS

12/02/2026 08h40

Divulgação / Mapa

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Em Mato Grosso do Sul, o excesso de umidade provocado pelas chuvas intensas dos últimos meses tem favorecido o avanço da ferrugem asiática nas lavouras.

Dados contabilizados pelo Consórcio Antiferrugem, parceria público-privada (PPP) coordenada pela Embrapa Soja, apontam 68 ocorrências já registradas do fungo nesta safra, desde o mês de setembro de 2025.

A alta umidade, que já se acumula desde o fim do ano passado, contribuiu para o cenário, com 41 das ocorrências totais – foram relatadas somente no mês de janeiro deste ano.

O aumento das ocorrências é expressivo, ainda de acordo com o monitoramento. Na safra passada, foram apenas 12 registros do fungo em MS. Assim, neste ano na incidência da ferrugem nas lavouras chega a ser cinco vezes maior.

O avanço das incidências acontece também em outros estados. O Paraná lidera a quantidade de ocorrências da ferrugem asiática, com 127 registros neste ano, em comparação com 66 registros na safra anterior.

Na análise de Flavio Aguena, assessor técnico da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS), a falta de chuva ainda é preocupação maior para o produtor rural.

“Essa safra teve uma maior incidência por causa do clima mais úmido que tivemos até dezembro de 2025, o que favoreceu a reprodução e disseminação do fungo”, explica.

“No entanto, isso não foi motivo de grande preocupação dos produtores. O principal fator que prejudicou as lavouras, nesta safra, foi a seca que ocorreu em uma fase crítica da cultura da soja”, comenta.

O último boletim técnico de Agricultura divulgado nesta semana pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) e elaborado com a Aprosoja-MS ressalta como a irregularidade climática continua sendo o maior inimigo do produtor.

Na linha da análise de Aguena, ainda 64,7% das lavouras do Estado apresentam boa condição. Conforme o relatório, a ferrugem asiática já apareceu em lavouras nas regiões nordeste, oeste, sul e sudoeste.

Mesmo se mantendo em maior parte em boas condições, o cenário de janeiro representa uma “piora acentuada” na qualidade das lavouras, quando 75% dos plantios de soja apresentavam boas condições.

“O agravamento foi motivado por um período de estiagem e temperaturas elevadas, com os maiores prejuízos concentrados na região sul do Estado. Veranicos severos na região sul de MS causaram significativos danos à agricultura. Os levantamentos de campo da última semana de janeiro apontam que mais de 640 mil hectares já foram impactados, com períodos de estiagem superiores a 20 dias em determinadas localidades. Destaca-se os municípios de Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Amambai como os mais impactados pela seca”, é detalhado no boletim.

CHUVA

O boletim técnico também reforça que a quantidade maior de volume de chuvas no fim do ano passado, quando foram registrados volumes acima da média histórica, com acumulados variando entre 150 mm e 300 mm.

O maior volume de chuva foi observado em Mundo Novo, com um total acumulado de 439 mm, valor que representa um desvio positivo de 144% em relação à média climatológica do período.

Em janeiro, a reportagem do Correio do Estado divulgou que a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já indicava volumes consideráveis de chuva para o início deste ano, o que criaria um cenário de contrastes para o produtor rural.

Na ocasião, Eder Comunello, Pesquisador em Agrometeorologia da Embrapa Agropecuária Oeste, também previa a ferrugem asiática nas lavouras por causa da umidade.

“A distribuição das chuvas, e por consequência, do deficit hídrico, tem sido extremamente desigual, deixando o Estado ‘dividido pelo clima’”, avaliou.

“No extremo Sul, a abundância de água acende o sinal de alerta”, explicou. Municípios como Mundo Novo e Sete Quedas registraram acumulados expressivos, superando 70 milímetros em uma semana.

Para os produtores desta região, a chuva pode trazer uma “dor de cabeça” logística e sanitária: o excesso de umidade em lavouras prontas para a colheita favorece a abertura de vagens e pode impulsionar casos de ferrugem asiática.

O solo encharcado dificulta o trânsito de máquinas, prejudicando pulverizações de controle e a própria colheita”, alertava.

A previsão continua com possibilidade de clima instável, apesar de menos chuva no comparativo. “Climatologicamente, em grande parte do Estado, as chuvas variam entre 300 mm a 500 mm”, foi explicado no boletim técnico.

“A tendência climática para o trimestre fevereiro, março, abril de 2026 indica precipitação irregular no Estado, com variações regionais. No entanto, a expectativa é de que, de modo geral, os volumes de chuva fiquem abaixo da média histórica”.

PRODUTIVIDADE

Conforme publicado pelo Correio do Estado na edição de segunda-feira, mesmo com expansão da área cultivada, a segunda safra de milho em Mato Grosso do Sul deve registrar uma forte retração na produção em 2025/2026.

A estimativa mais recente do Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (Siga MS), aponta que o Estado deve colher 11,139 milhões de toneladas, volume 21,6% inferior ao registrado no ciclo anterior, que registrou recorde com 14,226 milhões de toneladas.

Embora o milho concentre as maiores revisões negativas, a soja também deixou de sustentar o cenário de otimismo que marcou o início do ciclo.

A expectativa inicial para a safra 2025/2026 da oleaginosa aponta uma área de 4,794 milhões de hectares, produtividade média de 52,82 sacas por hectare e produção estimada em 15,195 milhões de toneladas.

Segundo Flávio Aguena, o panorama mudou significativamente desde janeiro. “Havia um otimismo até dezembro de 2025, devido ao bom volume de chuvas, principalmente na região sul do Estado, onde está a maior área plantada de soja”, afirma.

No entanto, a situação climática se deteriorou rapidamente. “O mês de janeiro de 2026 foi marcado por uma seca severa nas regiões centro e sul, com algumas áreas ficando mais de 20 dias sem chuvas”.

O problema se agravou porque a estiagem coincidiu com uma fase crítica da cultura. “Essa situação é ainda mais preocupante, porque ocorreu durante o período reprodutivo da soja, quando a planta precisa, em média, de 5 a 7 milímetros de água por dia para expressar todo o seu potencial produtivo”, explica o assessor técnico.

Diante desse cenário, a Aprosoja-MS já descarta a manutenção do discurso de supersafra. “Hoje, o cenário para a soja em Mato Grosso do Sul não é mais de otimismo. O impacto da seca só será mensurado com a evolução da colheita”, ressalta Aguena.

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