No dia 27 de janeiro a Petrobras reduziu em 14 centavos o preço da gasolina nas refinarias e a previsão dos revendedores de Campo Grande era de uma queda da ordem de nove centavos nas bombas. Quase duas semanas depois, porém, o que ocorre nos pontos de revenda é o contrário, com aumento nos preços médios, conforme demonstra pesquisa da Agência Nacional do Petróleo divulgada neste sábado (07).
Na pesquisa divulgada no dia 24 de janeiro, quando já havia sido aplicado o aumento de 10 centavos relativo ao aumento do ICMS, o preço médio da gasolina comum em Campo Grande era de R$ 5,89, variando entre R$ 5,69 e R$ 6,08.
Neste sábado (7), quase duas semanas após a redução nas refinarias, a mesma pesquisa revelou que o preço médio está em R$ 5,90, com variação de R$ 5,65 a R$ 6,19. Ou seja, apesar da redução na refinaria, o preço médio subiu um centavo. No caso do preço máximo, a diferença a maior é de 11 centavos, sendo que a previsão era de que ocorresse queda de nove centavos.
E não é somente em Campo Grande que o setor de revenda mais uma vez "se esqueceu" de repassar a queda ao consumidor. Antes do anúncio feito pela Petrobras, o valor médio em Mato Grosso do Sul era de R$ 6,08. Neste sábado, conforme a ANP, está em R$ 6,10. O valor máximo, que era de R$ 6,89 no dia 24 de janeiro, subiu para R$ 6,19.
Em tese, o desconto feito no final de janeiro pela Petrobras deveria ter anulado o aumento do imposto estadual, que entrou em vigor no começo de janeiro, que foi de dez centavos sobre o litro da gasolina.
Os levantamentos feitos pela ANP mostram que a realidade ficou bem longe disto. Na pesquisa fechada no dia 27 de dezembro do ano passado, antes da alta do imposto, o preço médio da gasolina em Campo Grande estava em R$ 5,78. Na mesma data, o valor médio em Mato Grosso do Sul era de R$ 5,95.
Na comparação com o fim do ano passado, neste sábado o preço médio da gasolina amanheceu 12 centavos mais alto em Campo Grande. Na média de todo o Estado, a alta é de 15 centavos.
Ou seja, os revendedores elevaram os preços quando o governo estadual passou a cobrar mais ICMS e não reduziram quando a Petrobras baixou seus valores.
Não é de agora que o setor de revenda literalmente boicota os consumidores. Desde o começo do ano passado, o preço da gasolina caiu 45 centavos nas refinarias da Petrobras. No mesmo período, os governadores de todo o Brasil elevaram em 20 centavos o ICMS.
Então, apesar do aumento do imposto, ainda sobrou uma margem de 25 centavos para que os consumidores fossem beneficiados. Mas, na comparação com o dia 8 de fevereiro do ano passado, o preço médio nas bombas tanto de Campo Grande quanto nas cidades do interior está apenas três centavos menor.
Em janeiro de 2025, o valor praticado pela estatal era de R$ 3,02 por litro. Com os três cortes anunciados desde então, o litro caiu para R$ 2,57, uma redução de 15% em pouco mais de um ano.
RANKING
Os constantes boicotes ao consumidor acabaram tirando Campo Grande do primeiro lugar no ranking da gasolina mais barata entre as capitais brasileiras. No começo de fevereiro do ano passado, com valor médio de R$ 5,93, a cidade tinha a gasolina mais em conta entre todas as capitais. Agora, como os R$ 5,90, está em terceiro lugar. Em São Luís, no Maranhão, o preço médio é de R$ 5,63, conforme a pesquisa divulgada neste sábado.
O mesmo aconteceu com o restante de Mato Grosso do Sul. No dia 8 de fevereiro do ano passado, o preço médio de R$ 6,13 colocava o Estado com o terceiro menor preço da gasolina. Amapá estava em primeiro lugar, com R$ 5,99.
Agora, Mato Grosso do Sul caiu para sexto lugar. Em primeiro lugar está o Maranhão, com R$ 5,87 (23 centavos a menos que aqui). Quer dizer, em outras regiões do Brasil os proprietários de postos e distribuidoras repassaram aos consumidores parte dos descontos feitos pela Petrobras.

