O Parlamento grego aprovou nesta quarta-feira o impopular plano de austeridade que pode evitar a quebra do país. Em meio a protestos violentos do lado de fora do Parlamento, no centro de Atenas, o governo conseguiu 155 votos a favor das medidas, ante 138 votos contrários ao pacote. Cinco parlamentares se abstiveram da votação e dois não compareceram. Os mercados reagem de modo positivo à notícia.
Enquanto os parlamentares diziam “sim” ou “não” ao pacote, a polícia usava gás lacrimogêneo para tentar conter os manifestantes. No segundo dia de greve geral no país, trabalhadores atiravam pedras e bombas incendiárias na direção dos policiais e gritavam contra as medidas propostas, que incluem cortes de gastos, aumentos de impostos e privatizações.
O pacote de cinco anos é condição imposta pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para que a Grécia país receba ajuda externa de 78 bilhões de euros até 2015. O objetivo é reduzir o enorme déficit fiscal e tornar sustentável a dívida grega, que supera 355 bilhões de euros.
Embora existissem dúvidas sobre a aprovação do pacote, investidores já trabalhavam com esse cenário e o otimismo dava o tom aos mercados antes do início da votação. As bolsas asiáticas fecharam em alta e os mercados na Europa e nos Estados Unidos também operam com valorização.
Segundo analistas, a falência da Grécia seria inevitável sem a aprovação deste pacote, já que o país não receberia o próximo lance, de 12 bilhões de euros, do gigantesco resgate concedido em maio de 2010 pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela União Europeia (UE).
Sem esse dinheiro, Atenas não poderá pagar os salários e as aposentadorias em julho e quebraria, com um efeito imprevisível no euro e em outros países como Irlanda, Portugal, Itália e Espanha.



