A empresa Lottopro Jogos de Apostas e Gestão de Lotéricas LTDA deve ser a responsável por operar a loteria de Mato Grosso do Sul após dar o maior lance em leilão realizado nesta sexta-feira (23). O lance ofertado foi de 43,36% da receita ao governo estadual.
O percentual, considerado elevado para o setor, chama atenção por ser muito superior aos valores praticados pela própria empresa nas outras oito cidades brasileiras onde atua.
O Correio do Estado apurou a porcentagem do repasse firmado em contrato com a empresa nos demais municípios. Veja a lista abaixo:
- Lotto Assunção, em Assunção do Piauí (PI) - 10%
- Lotto Patos, em Patos do Piauí (PI) - 25%
- Lotto Tatuí, em Tatuí (SP) - 10%
- Lotto Marcolândia, em Marcolândia do Piauí (PI) - 5%
- Lotto Muquém, em Muquém de São Francisco (BA) - 7,5%
- Sorte Teresópolis, em Teresópolis (RJ) - 16,8%
- Loto Quijingue, em Quijingue (BA) - 2%
- Tutoria da Sorte, em Tutóia (MA) - não foi divulgado
Com isso, é possível observar que o repasse proposto para Mato Grosso do Sul é mais que o dobro da maioria dos contratos mantidos pela empresa e supera até mesmo o maior percentual praticado pela Lottopro em outras cidades.
O Correio do Estado entrou em contato com a Lottopro para saber qual a razão da diferença de repasse nas cidades e os critérios adotados na proposta apresentada ao governo do Estado, mas não obteve resposta.
Até o momento, o governo de Mato Grosso do Sul não detalhou como será feita a fiscalização dos valores a serem pagos mensalmente pela Lottopro, nem salvaguardas contratuais para garantir o cumprimento integral do repasse ao longo da vigência do contrato, que pode chegar a 35 anos, se prorrogado.
Em nota ao Correio do Estado, a Secretaria da Fazenda de Mato Grosso do Sul afirmou que o repasse ofertado ao Estado será feito de forma "automática" e "initerrupta".
"No modelo lotérico definido pelo Estado, a plataforma de gestão atuará como uma ferramenta de governança, tendo como uma de suas funções primordiais o registro integral de todas as transações financeiras e operacionais realizadas pelos futuros operadores de jogos. Dessa forma, independentemente do percentual de repasse ofertado pela licitante no certame, a base de cálculo para o recolhimento ao erário será aferida de forma automatizada e ininterrupta pelo sistema, que monitorará o fluxo de apostas em tempo real", disse a Sefaz.
"Nesse sentido, a fiscalização dos valores devidos ao Estado ocorrerá por meio da tecnologia de monitoramento de transações, que deverá estar integrada aos meios de pagamento eletrônicos, devidamente autorizados e aderentes às normas e diretrizes do Banco Central do Brasil. Tal estrutura garante que o percentual de repasse definido no Edital incida sobre a receita bruta efetivamente apurada, assegurando a proteção do erário e a transparência pública".
A operação da loteria estadual ainda passa por etapas formais de homologação, e a expectativa se volta, agora, para a execução do contrato.
A empresa
A Lottopro é uma empresa jovem, criada em 2024 com sede na cidade de São Paulo. É classificada como uma empresa de pequeno porte e teve um investimento inicial de R$ 20 milhões.
Segundo apurado pelo Correio do Estado, o faturamento anual já pode chegar a R$ 4,8 milhões.
Atualmente, a Lottopro tem como sócios os empresários Adriano Aristóteles Vieira de Mendonça, Alex Forte da Silva, Hiago Bezerra de Sousa Lima Piau, Reno Ramalho de Vasconcelos e Thyago Correa Marques dos Santos.
Dos mesmos sócios, a empresa responsável pelos pagamentos dos sorteios e loterias é a gateway Lottopay, criada em setembro do ano passado.
O leilão
A disputa pela loteria de Mato Grosso do Sul aconteceu na última sexta-feira (23) pela manhã no formato de leilão. A Lottopro saiu na frente após 35 minutos de lances, quando ofereceu um repasse de 43,36%. Ou seja, a cada R$ 100 milhões arrecadados, o Estado deve receber R$ 43,36 milhões.
A estimativa é que o serviço deva render um faturamento anual de até R$ 1,4 milhão, apenas da estimativa da receita média anual constatada no edital ser de R$ 51,4 milhões.
Isso porque, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB de Mato Grosso do Sul em 2022 foi de R$ 166,8 bilhões. A fatia de 0,85%, portanto, significa uma receita de R$ 1,417 bilhão.
Neste ano, a estimativa da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) é ainda mais animadora: de que o PIB chegue a R$ 227,8 bilhões. Se isso ocorrer, o ganho chegará perto dos R$ 2 bilhões ao ano.
Atualmente, a Lotesul (Loteria Estadual de Mato Grosso do Sul) administra e fiscaliza jogos e sorteios no Estado, sob comando da Secretaria de Fazenda (Sefaz/MS).
*Matéria alterada às 16h09 para inclusão de resposta da Secretaria de Fazenda de Mato Grosso do Sul

