Economia

Logística

Leilão da Malha Oeste deve ocorrer em lotes e cronograma será anunciado em fevereiro

Riedel afirma que a expectativa é de anunciar a definição do calendário durante inauguração do novo trecho ferroviário em Inocência

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A concessão da ferrovia Malha Oeste, um dos principais gargalos históricos da infraestrutura logística de Mato Grosso do Sul, deve avançar para uma fase decisiva nos próximos meses. O projeto, que prevê o leilão do ativo ferroviário em lotes e exige investimentos bilionários para recuperação e modernização da malha, pode ter o cronograma oficialmente anunciado já no próximo mês, segundo afirmou o governador Eduardo Riedel (PP) em entrevista ao Correio do Estado.

De acordo com Riedel, a expectativa do governo estadual é de que o anúncio do cronograma do leilão ocorra no dia 5 de fevereiro, durante a inauguração da linha férrea que conecta a planta industrial da Arauco ao município de Inocência. O trecho, com extensão de 47 quilômetros, integra a nova estrutura logística vinculada à expansão do setor de celulose no Estado.

“Estamos com essa expectativa do leilão ferroviário da Malha Oeste, importantíssimo para o estado de Mato Grosso do Sul. A gente vai ter agora, no dia 5 [de fevereiro], com a inauguração da linha [férrea] da Arauco até Inocência, esses 47 quilômetros e a gente deve ter o anúncio desse cronograma. Estamos trabalhando com o governo federal para isso e é uma transformação também para o Estado extremamente positiva”, disse o governador.

Conforme já noticiado pelo Correio do Estado, o projeto de concessão da Malha Oeste vem sendo estruturado com base em um modelo que prevê a divisão da ferrovia em lotes. A estratégia tem como objetivo tornar o leilão mais atrativo ao mercado, facilitar a entrada de investidores e viabilizar a execução de um plano de investimentos de grande porte, necessário para recuperar um ativo que opera há anos em condições precárias.

O leilão da ferrovia Malha Oeste, que liga Corumbá a Mairinque (SP), está programado para julho deste ano, com edital previsto para abril, dentro da primeira Política Nacional de Outorgas Ferroviárias lançada pelo governo federal. O vencedor do leilão vai ter de investir R$ 89,2 bilhões ao longo de 57 anos para garantir o funcionamento de 1.593 km de linha férrea, segundo o Ministério dos Transportes.
Serão R$ 35,7 bilhões em investimentos (trilhos, locomotivas, edificações) e mais R$ 53,5 bilhões na operacionalização (manutenção e veículos).

O certame foi confirmado para julho deste ano pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, em novembro de 2025.

“É uma política nacional inédita, com alinhamento dos projetos a práticas de estruturação mais modernas, à modelagem econômica e financeira também, uma política alinhada à definição de regras contratuais que nós trouxemos do ambiente rodoviário para ferrovias. Isso foi uma decisão de país, e isso vai ser transformador”, destacou Renan Filho na ocasião.

Para ajudar a financiar os investimentos, a futura concessionária poderá contar com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com financiamento de até 80% dos custos totais. 

ESTRATÉGICA

A Malha Oeste é considerada estratégica para o escoamento da produção sul-mato-grossense, sobretudo do agronegócio e da indústria, mas enfrenta há décadas problemas como falta de manutenção, baixa capacidade operacional e trechos inoperantes. A expectativa do governo estadual é de que a nova concessão permita a modernização da ferrovia e sua reintegração aos principais corredores logísticos do País.

Outro ponto central para o avanço do projeto, conforme já mostrou o Correio do Estado, é o licenciamento ambiental. Em matéria publicada em dezembro do ano passado, a reportagem informou que o governo federal assumiu o compromisso de garantir a licença ambiental necessária para permitir a exploração da ferrovia, o que representa um passo fundamental para destravar o processo de concessão. A ausência dessa licença era apontada como um dos principais entraves para a realização do leilão.

A atuação conjunta do governo estadual e da União tem sido destacada por Riedel como essencial para viabilizar o projeto. Segundo o governador, a retomada da Malha Oeste não é uma iniciativa isolada, mas parte de um conjunto mais amplo de concessões e investimentos em infraestrutura que vêm sendo conduzidos em Mato Grosso do Sul.

Nesse contexto, Riedel citou outros projetos considerados estruturantes, como a Rota da Celulose e a concessão da BR-163, agora sob gestão da nova CCR, rebatizada de Motiva. Para o governador, essas iniciativas representam uma mudança significativa no modelo de desenvolvimento do Estado, com maior participação da iniciativa privada na execução e na operação de grandes obras de infraestrutura.

“Assim como está sendo a Rota da Celulose, a BR-163, com a nova CCR [Motiva], e outras concessões que nós estamos fazendo”, afirmou Riedel, ao destacar os impactos positivos dessas concessões para a economia estadual.

O Ministério dos Transportes afirmou que a Malha Oeste “é uma das principais ferrovias do Brasil, somando atualmente 1.973 quilômetros de extensão e constituindo parte significativa da rota bioceânica entre Santos e Antofagasta [Chile]”, porém, enfatizou que “o projeto de concessão compreende a linha tronco de 1.593 km entre Corumbá e Mairinque [EF-265], com ligação com a Bolívia e acesso aos portos fluviais de MS, fortalecendo sua relevância logística nacional e internacional”.

DETERIORAÇÃO

A Malha Oeste atravessa Mato Grosso do Sul e conecta o Estado a regiões estratégicas do País, mas perdeu relevância ao longo dos anos em razão da deterioração da infraestrutura e da redução do volume transportado. A expectativa do governo estadual é de que, com o novo modelo de concessão, a ferrovia volte a desempenhar um papel central na logística estadual, contribuindo para a redução dos custos de transporte e para o aumento da competitividade da produção local.

A retomada do modal ferroviário ganha ainda mais importância em um cenário de expansão da indústria de base florestal em Mato Grosso do Sul. O anúncio do cronograma do leilão da Malha Oeste é aguardado com expectativa pelo setor produtivo, por investidores e por lideranças políticas e empresariais. Para o governo, a concessão é vista como uma peça-chave dentro de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento econômico.

O trecho ferroviário já foi um dos mais importantes corredores de transporte de cargas do País e pilar da logística sul-mato-grossense. Nas últimas décadas, porém, a situação se deteriorou progressivamente.
Reportagens do Correio do Estado mostraram que, após a concessão à Rumo, a ferrovia passou por sucessivas reduções de operação, substituição por caminhões e abandono de trechos essenciais.

Em 2016, a empresa pediu a devolução antecipada da Malha Oeste à União, apontando inviabilidade do negócio. Desde então, os governos federal e estadual iniciaram um longo processo para relicitar o ativo.

sociedade e indústria

IA é principal preocupação de segurança para negócios no Brasil

Inteligência artificial segue vista como poderosa alavanca estratégica para negócios, mas também como fonte crescente de riscos operacionais, legais e reputacionais

25/01/2026 22h00

Essa é a primeira vez que a IA aparece como o principal risco empresarial apontado pelos executivos brasileiros.

Essa é a primeira vez que a IA aparece como o principal risco empresarial apontado pelos executivos brasileiros. Divulgação

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Ranking de riscos empresariais elaborado pela seguradora corporativa do Grupo Allianz, a Allianz Commercial, mostra que a inteligência artificial é a principal preocupação do setor de negócios no Brasil.

Essa é a primeira vez que a IA aparece como o principal risco empresarial apontado pelos executivos brasileiros.

Segundo o levantamento, a inteligência artificial segue sendo vista como uma poderosa alavanca estratégica para os negócios, mas também como uma fonte crescente de riscos operacionais, legais e reputacionais, superando a capacidade das empresas de estruturar governança, acompanhar a regulação e preparar adequadamente suas equipes.

“Considerando a crescente importância da IA na sociedade e na indústria, não é surpreendente que ela seja o principal fator de variação no Allianz Risk Barometer. Além de trazer enormes oportunidades, seu potencial transformador, aliado à rápida evolução e adoção, está remodelando o cenário de riscos, tornando-se uma preocupação central para empresas”, destacou o CEO da Allianz Commercial, Thomas Lillelund.

"Medos" atuais

As principais preocupações apontadas pelos empresários no ranking são:

  1. Inteligência artificial (32% de citações);
  2. Incidentes cibernéticos (31%);
  3. Mudanças na legislação e regulamentação (28%);
  4. Mudanças climáticas (27%) e
  5. Catástrofes naturais (21%).

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NO BOLSO

Apesar da trégua da inflação, supermercados vendem menos comida

Segundo levantamento, vendas do varejo de alimentos em dezembro do ano passado, incluindo todos os canais - mercadinhos, supermercados, hipermercados e atacarejos -, caíram 5,5%

25/01/2026 18h00

Empresa monitora 13,5 bilhões de tíquetes por ano na boca do caixa dos supermercados. Isto é, são as vendas que, de fato, acontecem.

Empresa monitora 13,5 bilhões de tíquetes por ano na boca do caixa dos supermercados. Isto é, são as vendas que, de fato, acontecem. Marcelo Victor/Correio do Estado

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Dezembro de 2025 decepcionou e foi o pior mês do ano para o varejo de alimentos. As vendas de comidas normalmente fluem nesse período sem a necessidade de esforço extra por parte dos supermercados. As festas de fim de ano e a injeção de recursos do 13.º salário se encarregam de impulsionar os negócios.

Mas, no ano passado, mesmo com a trégua da inflação de alimentos a partir de junho - fator decisivo para a inflação geral terminar o ano abaixo do teto da meta de 4,5% -, o desempenho das vendas contrariou o esperado, aponta o levantamento da Scanntech, plataforma de inteligência de dados para o varejo e indústria.

A empresa monitora 13,5 bilhões de tíquetes por ano na boca do caixa dos supermercados. Isto é, são as vendas que, de fato, acontecem.

Segundo o levantamento, as vendas do varejo de alimentos em dezembro do ano passado, incluindo todos os canais - mercadinhos, supermercados, hipermercados e atacarejos -, caíram 5,5% em unidades na comparação com o mesmo mês de 2024.

Já o recuo do faturamento foi menor, de 2,5%, na mesma base de comparação. Isso porque o preço por unidade subiu 3,2% no período. Mesmo assim, o desempenho de dezembro chama atenção porque foi o único mês no ano inteiro de 2025 que registrou queda na receita de vendas de alimentos na comparação anual.

Também contrasta com o padrão observado nos últimos três anos, observa Felipe Passarelli, head de inteligência de mercado da Scanntech. Nesse período, os meses de dezembro sempre apresentaram crescimento no faturamento em relação ao ano anterior.

"A queda das vendas de alimentos em dezembro de 2025 ante dezembro de 2024 reforça um movimento estrutural observado ao longo do ano", afirma Passarelli.

Cautela

Ele argumenta que, apesar da desaceleração da inflação e do avanço da renda média do brasileiro, o consumidor continuou cauteloso na hora de ir às compras, sobretudo diante do aumento do endividamento, que pode estar associado, entre outros fatores, ao avanço das bets, as apostas online. Elas chegam a movimentar mais de R$ 30 bilhões por mês, segundo dados do Banco Central.

Fabio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), ressalta que o aumento do consumo de serviços pesa nesse desempenho. Os serviços disputam a fatia do orçamento que o brasileiro gasta com a compra de bens, como os alimentos.

"Hoje os serviços livres (excluindo os monitorados) respondem por quase a metade dos gastos (48,7%) das famílias", diz Bentes. Em dezembro de 2008, os serviços representavam um terço (33,6%).

Em contrapartida, a parcela do gasto com bens no orçamento das famílias, que era 66,4% em dezembro 2008, recuou para 51,3% em dezembro do ano passado, segundo dados ajustados pelo economista a partir do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE

Passarelli acrescenta outros fatores inibidores das compras de alimentos, como os juros elevados e a deterioração da confiança do consumidor.

"A inflação segue como o principal motivo de preocupação para cerca de metade dos brasileiros e a percepção de que 'o dinheiro não rende' pesa diretamente sobre as decisões de compra", avalia.

Diante desse cenário, diz o executivo, o consumidor ajusta volumes de compras, dá prioridade aos itens mais essenciais e intensifica a busca por promoções.

Os estoques acumulados em dezembro devido à frustração das vendas e do fraco desempenho da primeira quinzena de janeiro estão levando redes de supermercados a fazer promoções agressivas para virar o jogo.

Redes de supermercados não quiseram se manifestar, mas a reportagem visitou lojas e constatou um grande volume de itens em oferta.

A rede Hirota, por exemplo, com 17 lojas espalhadas pela região metropolitana de São Paulo, informou que programou uma grande queima de estoque entre quarta-feira passada e hoje.

Segundo o diretor da empresa, Hélio Freddi, serão colocados mais de 150 itens em oferta, com descontos de até 50% no preço.

"Vamos colocar em oferta itens fortes, formadores de opinião, como ovos, pó de café, cerveja, carne", exemplifica o executivo. Com a promoção, a expectativa é atingir a meta de vendas. "Estamos 4% abaixo da meta de janeiro, que está sendo um mês terrível."

Gastos

Despesas com matrículas e material escolar, gastos com pagamento de impostos, como IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), e a insegurança em relação ao mercado, apesar da economia estável, aumentam o receio do consumidor para gastar, diz Freddi.

Ele relata que a dificuldade de vendas enfrentada em dezembro e janeiro é um cenário comum ao setor supermercadista, que precisa fazer caixa para quitar as despesas ordinárias. "Todo mundo está com o mesmo problema". 

 

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