Maria de Fátima para a costura, olha ao longe, como se voltasse ao passado, e diz, sorrindo: “nasci e cresci em cima de uma máquina”. A ênfase em cada palavra indica de onde vem a força da costureira para seguir com a empresa de confecção, situada na “zona de abandono” do comércio da área central de Campo Grande.
A região, que morre aos poucos, abrange a antiga rodoviária e seu entorno e chega à Rua de Julho, depois da Avenida Mato Grosso, passando pela Avenida Calógeras, sobretudo no trecho após a Rua Marechal Cândido Mariano Rondon. São fileiras de portas fechadas, prédios deteriorados pelo tempo, alguns com placas de “aluga-se” sem encontrar candidatos a inquilinos e uma e outra loja funcionando, já sem empregados ou em número reduzido.
Em um primeiro momento, parece não ter ninguém na loja que ostenta o nome estrangeirado Dorothy Atelier, na Rua 14 de Julho. Essa impressão é quebrada pelo som da máquina de costura. No estabelecimento, roupas são confeccionadas, reformadas e comercializadas. A fábrica, oficina e comércio funcionam graças ao trabalho de apenas uma pessoa: Maria de Fátima Berlamino Vieira. O negócio foi iniciado com a mãe, Dorothy, também costureira, quando Maria tinha 28 anos. Após 25 anos, ela cuida sozinha da loja – a mãe tem, hoje, 84 anos. “Já tive funcionários, mas não tenho mais. Não dá pra pagar salário”, afirma.
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