Economia

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Medo de perder o emprego cai no País

Medo de perder o emprego cai no País

Redação

23/03/2010 - 08h26
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É cada vez menor o número de brasileiros com medo de ficar sem trabalho, informa a edição de março da pesquisa “Índice de Medo do Desemprego”, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo a CNI, o índice registrado nesse levantamento, feito de 6 a 10 de março, foi de 82 pontos e é o menor da série histórica, iniciada em 2003, com 110 pontos. Os 82 pontos significam, pela metodologia da CNI, que o número de pessoas com medo do desemprego caiu 4,1% em relação ao resultado da pesquisa referente ao último trimestre de 2009, realizada em dezembro do ano passado. Pela primeira vez desde 2003, mais da metade dos entrevistados, ou 53%, afirmaram não estar com medo do desemprego. Em dezembro de 2009, eram 50%. Desde março de 2009 – auge da crise econômica –, o “Índice de Medo do Desemprego” acumula queda de 15,7%. A pesquisa é realizada pela CNI de três em três meses. Os números divulgados ontem resultaram de 2.002 entrevistas. Eles mostram – ainda na comparação com dezembro de 2009 – que a proporção de entrevistados com “muito medo” do desemprego caiu de 19% para 15%. Ao mesmo tempo, segundo a CNI, o universo de pessoas que se declaram com “um pouco de medo” do desemprego passou de 31% para 32%.

ANÁLISE

Queda na produção de grãos puxa o PIB de MS para baixo

Safra recorde em 2025 elevou PIB estadual, mas projeção do Banco do Brasil indica queda na agropecuária neste ano e avanço mais moderado da economia

04/03/2026 08h00

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Depois de registrar o maior crescimento do agronegócio no País em 2025, Mato Grosso do Sul deve enfrentar um recuo no campo neste ano. A Resenha Regional do Banco do Brasil aponta retração da agropecuária no Estado, movimento que ocorre após uma base de comparação elevada, marcada por safra recorde e forte expansão da produção.

No ano passado, o Centro-Oeste liderou a expansão nacional, com crescimento de 23,6% na safra de grãos.

Em Mato Grosso do Sul, a agropecuária avançou 18,6%, impulsionando o Produto Interno Bruto (PIB) estadual, que fechou o ano com alta de 5,4%, acima da média brasileira. Agora, o cenário é outro. Para este ano, a estimativa do Banco do Brasil é de retração de 2,3% na agropecuária sul-mato-grossense.

A queda está associada principalmente à redução na produtividade de soja e milho, além do efeito estatístico da base elevada do ano anterior.

O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirma a expectativa de diminuição significativa na produção de grãos, cereais e oleaginosas em toda a região. Em Mato Grosso do Sul, as projeções indicam recuo de 6,8% na produção de soja, milho e outros cereais.

Ainda conforme a Resenha do Banco do Brasil, em 2025, a indústria registrou retração de 0,6% e, neste ano, deve crescer 3,3%. E os serviços, que cresceram 3,5% em 2025, devem alcançar 2,8% neste ano.

“A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil deve impulsionar a renda disponível das famílias no Centro-Oeste, fortalecendo o consumo e contribuindo para o desempenho econômico regional em 2026, haja vista renda mais elevada e alto grau de formalização da região”, aponta a análise do Banco do Brasil.

CENÁRIO

A análise ainda estima que o movimento ocorre em um cenário em que a indústria, principalmente os segmentos de celulose e etanol, tende a assumir papel central na expansão, mantendo o dinamismo associado à cadeia do agronegócio.

“Apesar desse impulso, o setor agropecuário deve registrar retração após a safra recorde do último ciclo. A queda é esperada nos três estados da região, o que pode moderar o ritmo de crescimento, embora não comprometa a trajetória positiva projetada. Mato Grosso do Sul deve apresentar avanço industrial e nos serviços, porém, com queda na agropecuária, refletindo o comportamento pós-safra excepcional”, detalha o documento.

Com a retração da agropecuária e o avanço mais moderado dos demais setores, Mato Grosso do Sul deve crescer abaixo da média nacional neste ano. O PIB do Estado é projetado em 1,9%, após um avanço de 5,4% no ano passado.

Conforme já publicado pelo Correio do Estado, o desempenho contrasta com os quatro anos consecutivos de expansão robusta puxada pelo agronegócio.

Agora, a economia sul-mato-grossense entra em fase de acomodação, em que a indústria e os serviços ganham protagonismo, enquanto o campo atravessa um ciclo de ajuste, após o recorde registrado.

O mestre em Economia Eugênio Pavão ponderou que o ciclo de juros altos começa a esfriar a economia nacional.

“A alta de juros, usada desde a metade do ano passado para fazer convergir o índice de inflação abaixo do teto, começou a interferir na economia, com leve queda, esfriando assim a demanda por bens e serviços”.

PECUÁRIA

Na pecuária, todos os principais rebanhos cresceram até o terceiro trimestre de 2025, com destaque para suínos e aves. Na bovinocultura, embora haja expansão trimestral, já são observados sinais de desaceleração nos abates, compatível com um ciclo de retenção para recomposição do rebanho.

Fora do segmento de grãos, a cana-de-açúcar deve ser o principal vetor positivo da produção regional, com expansão estimada de 2,6%, contribuindo para o crescimento nacional.

A regularidade das chuvas, influenciada pela zona de convergência do Atlântico Sul (ZCAS), favoreceu o desenvolvimento das culturas de verão e a recuperação das pastagens, segundo boletim agrometeorológico do Inmet.

MERCADO DE TRABALHO

Mesmo com o cenário de desaceleração no campo, MS segue com uma das menores taxas de desemprego do País, abaixo de 3%, caracterizando situação próxima ao pleno emprego.

A Região Centro-Oeste mantém o maior nível de rendimento médio do Brasil, com salários acima de R$ 3 mil.

No acumulado de 2025, o Centro-Oeste criou 149,5 mil vagas formais, alta de 3,56% no estoque de trabalhadores com carteira assinada. Serviços e construção civil foram os principais motores da geração de empregos.

Entretanto, dezembro fechou com saldo negativo superior a 60 mil postos na região, influenciado pela sazonalidade típica do período. Em Mato Grosso do Sul, o recuo mensal acompanhou o movimento regional.

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Internacional

Abimaq mostra preocupação com efeito da guerra no abastecimento e nas exportações

A maior preocupação é com o transporte de cargas que passam pelo Estreito de Ormuz.

03/03/2026 22h00

Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A direção da Abimaq, entidade que representa a indústria de máquinas e equipamentos, manifestou nesta terça-feira, 3, preocupação com os possíveis efeitos de um prolongamento do conflito no Irã tanto nos mercados internacionais quanto nos investimentos em bens de capital no Brasil, especialmente no setor agrícola.

Mais do que aumento nos custos de insumos e do frete, a maior preocupação é com o transporte de cargas que passam pelo Estreito de Ormuz.

Presidente da câmara setorial de máquinas e implementos agrícolas na Abimaq, Pedro Bastos comentou que elevações de custos podem ser compensadas por aumento nos preços dos produtos exportados pelos produtores agrícolas.

Já obstruções de rotas marítimas, em função da guerra, podem provocar um impacto substancial no abastecimento de insumos, como fertilizantes e diesel, assim como dificultar vendas ao exterior de produtos agrícolas. Esse cenário, consequentemente, prejudicaria os investimentos em máquinas e equipamentos usados nas lavouras.

"Se houver desabastecimento, fica muito difícil", afirmou Bastos durante a apresentação do balanço com os resultados do setor de máquinas em janeiro.

Ele acrescentou que, além do impacto na produtividade por falta de insumos no campo, interrupções de rotas logísticas trazem incertezas a exportadores. Ele citou carne e milho entre os produtos que podem ter vendas ao Oriente Médio afetadas.

"Se tivermos uma guerra prolongada, o agricultor terá problema nas duas pontas, tanto no insumo quanto na venda", declarou Bastos.

Ainda que as vendas de máquinas e equipamentos aos Estados Unidos tenham crescido 27,3% em janeiro - sugerindo uma reação antes do fim do tarifaço -, a Abimaq prega cautela em relação ao desempenho das exportações.

Além da possibilidade de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usar novas bases legais para sobretaxar produtos brasileiros, Cristina Zanella, diretora de economia da associação, observou que a guerra no Oriente Médio pode desestruturar todo o mercado internacional.

Ela pontuou que a perspectiva de recuperação das vendas perdidas no mercado americano tornou-se mais incerta.

"Teremos que esperar e ver como que as coisas vão se dar ao longo dos próximos meses para poder rever os números que temos estimado", disse Zanella.

 

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