Economia

INFRAESTRUTURA

Após encontro, Ministro garante a reativação da ferrovia Malha Oeste

A Malha Oeste para MS envolve os trechos Mairinque/Corumbá e Campo Grande/Ponta Porã

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O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, garantiu que dará prioridade para importantes projetos de Campo Grande, com destaque para a reativação da Ferrovia Malha Oeste, antiga Noroeste do Brasil. 

A Malha Oeste envolve os trechos Mairinque/Corumbá e Campo Grande/Ponta Porã. O objetivo com a reativação é facilitar o escoamento da produção e gerar novos postos de trabalho. 

O prefeito da Capital, Marcos Trad (PSD), está em Brasília, nesta quarta-feira (22), para viabilizar projetos para a cidade.  

A Malha Oeste é a antiga estrada de ferro Noroeste do Brasil, que após 25 anos de concessão e uma história de abandono, passará por estudos de viabilidade técnica e econômica para a relicitação, o que de acordo com o secretário Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Rudi Fiorese, irá contribuir para o desenvolvimento do Estado. 

“Com a entrada em operação da fábrica de Celulose da Suzano em Ribas do Rio Pardo, em 2024, certamente haverá uma forte demanda de cargas, que torna o trecho viável economicamente”, apontou Rudi.

Conforme noticiado, o processo de reativação já está em andamento e foi qualificado para ser feito por Parceria Público-Privada (PPI), segundo o Ministério da Economia. Abriu-se então o edital com fundo de US$ 3 milhões para que se fizesse um estudo de pregão. 

Após esse procedimento, deverá ser feita a montagem de edital para o processo de relicitação em si. Por conta dos trâmites burocráticos, somente no 2º semestre de 2022 a Malha Oeste estará nas mãos de uma empresa para sua modernização, caso o processo de concessão seja conduzido de maneira tradicional.

Além do transporte ferroviário, Trad discutiu a criação do porto seco na Capital, que se transformaria em um entreposto de exportação e importação.

“Foi uma reunião muito produtiva, com importantes resultados para a economia de Campo Grande e, consequentemente, de Mato Grosso do Sul. O ministro nos garantiu que vai priorizar a reativação da Malha Oeste, ligação ferroviária de Corumbá a Bauru, passando por Campo Grande. Este projeto é muito importante para nossa cidade, que com o porto seco, se transforma em um entreposto de exportação e importação”, apontou o chefe do Executivo. 

Acompanham o prefeito na viagem a Brasília, a subsecretária de Gestão e Projetos Estratégicos, Catiana Sabadin; o secretário municipal de Inovação, Desenvolvimento Econômico e Agronegócio, Rodrigo Terra; e o diretor-presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Janine Bruno.

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MEDIDA PROVISÓRIA

A Medida Provisória 1.075, publicada em edição extra do Diário Oficial da União no dia 30 de agosto, facilita a reativação da Malha Oeste e fixa um novo marco legal para o transporte ferroviário.

De acordo com a medida, o marco moderniza a concessão de trechos ferroviários concedendo autorização através de contrato de adesão, e não mais por licitação. Além disso, a autorização será formalizada em contrato de adesão proposto pela própria empresa interessada em operar uma nova linha. 

O prazo do contrato de autorização terá duração máxima de 99 anos, prorrogáveis por períodos iguais e sucessivos.  

O texto também permite a autorização para a exploração de trechos sem operação, devolvidos, desativados ou ociosos. Nesse caso, será feito um chamamento público pelo Ministério da Infraestrutura para a escolha dos operadores.

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ECONOMIA

Preço da cesta básica de janeiro bateu R$783 em Campo Grande

Aumento foi observado em 24 capitais, com a Cidade Morena entre as três menores altas e abaixo de um ponto percentual neste começo de 2026

09/02/2026 12h18

Tomate apresentou uma variação acima de 40% do valor observado desde dezembro de 2025

Tomate apresentou uma variação acima de 40% do valor observado desde dezembro de 2025 Marcelo Victor/Correio do Estado

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Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a análise mensal dos alimentos divulgada hoje (09) mostra que Campo Grande está entre as 24 capitais que registraram aumento no valor da cesta básica, porém, com uma alta menor que um ponto percentual, ficando em R$ 783,41 em janeiro deste ano.

Conforme balanço repassado pelo escritório regional do Dieese em Mato Grosso do Sul, enquanto a alta de Campo Grande ficou em 0,97%, de dezembro de 2025 a janeiro de 2026 as principais altas ocorreram em: 

  1. (4,44%) - Manaus
  2. (3,37%) - Palmas
  3. (3,22%) - Rio de Janeiro 
  4. (2,52%) - Fortaleza
  5. (2,47%) - Cuiabá
  6. (2,44%) - Aracaju
  7. (2,15%) - Vitória
  8. (2,02%) - Belo Horizonte

Cabe lembrar que, a partir de agosto de 2025, a parceria entre o Dieese e a Conab ampliou a coleta de preços de 17 para 27 capitais brasileiras, em contribuição à Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e à Política Nacional de Abastecimento Alimentar.

Cenário local

Segundo o balanço divulgado, essa variação menor que um ponto percentual levou a cesta básica de Campo Grande ao valor de R$783,41, comprometendo mais da metade (52,25%) do salário mínimo do campo-grandense. 

Com isso, para custear uma cesta básica em janeiro, foi necessário que o campo-grandense trabalhasse pelo menos 106h19m. No acumulado de 12 meses, a elevação para a Capital do MS foi de 2,51%.

Lançado olhar sobre os itens que compõe a cesta básica, pelo menos 13 produtos subiram os preços, com o principal "vilão" neste início de ano sendo o tomate, que apresentou uma variação acima de 40% do valor observado desde dezembro de 2025, quando já comprometia mais da metade do salário mínimo na Capital.

Além desses, entre o último mês do ano passado e janeiro de 2025 o campo-grandense pôde sentir mais levemente no bolso o peso da variação da manteiga (1,42%) e da batata (0,49%), com queda no preço dos outros 10 itens que compõe a cesta básica, sendo: 

  • Leite integral (-8,00%),
  • Óleo de soja (-7,97%),
  • Arroz agulhinha (-6,50%),
  • Feijão carioca (-5,01%),
  • Farinha de trigo (-4,10%),
  • Café em pó (-3,81%),
  • Açúcar cristal (-3,37%),
  • Banana (-2,31%),
  • Pão francês (-0,78%) e
  • Carne bovina de primeira (-0,22%)

Se comparado com o início do ano passado, porém, o campo-grandense sente que pelo menos metade desses produtos ficaram mais caros, como bem mostra a variação percentual no acumulado dos últimos 12 meses. 

Nesse recorte anual, itens diários ainda tiveram um aumento "tímido", abaixo dos quatro pontos percentuais, como a carne bovina de primeira (3,95%) e farinha de trigo (3,74%). 

Enquanto o pão francês ficou 5,61% mais caro entre janeiro de 2025 e o primeiro mês deste ano, os principais vilões nesse acumulado dos últimos doze meses foram: o café em pó (31,47%) e o tomate (24,32%). 

E se o valor mais caro foi sentido até no preço da batata (5,67%) nesse intervalo de um ano, há aqueles produtos que ficaram, sim, mais baratos de um ano para cá, com destaque para as quedas observadas nos seguintes itens no acumulado de 12 meses: 

  • Arroz agulhinha (-39,87%),
  • Açúcar cristal (-16,30%),
  • Feijão carioca (-9,30%),
  • Leite integral (-9,26%),
  • Banana (-3,23%),
  • Manteiga (-2,06%) e
  • Óleo de soja (-0,67%)

Por fim, cabe também apontar que o tempo médio na jornada de trabalho para arcar com a cesta básica caiu de um ano para cá, de 110 horas e 46 minutos para 106 horas e 19 minutos.  

 

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AGRICULTURA

Produção do milho safrinha 2025/2026 deve ter queda de 21%

O cereal que já ocupou cerca de 75% da área cultivada com soja deve responder agora por 46% dessa área

09/02/2026 08h40

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Mesmo com expansão da área cultivada, a segunda safra de milho em Mato Grosso do Sul deve registrar uma forte retração na produção em 2025/2026.

A estimativa mais recente do Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (Siga MS), desenvolvido pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS), aponta que o Estado deve colher 11,139 milhões de toneladas, volume 21,6% inferior ao registrado no ciclo anterior, que registrou recorde com 14,226 milhões de toneladas.

A queda é atribuída principalmente à redução expressiva da produtividade média, reflexo de fatores climáticos e do próprio efeito estatístico da supersafra passada.

Segundo os dados técnicos, a área destinada ao milho da segunda safra deve alcançar 2,206 milhões de hectares, o que representa um crescimento de 3% em relação à safra 2024/2025.

Ainda assim, a produtividade média projetada é de 84,2 sacas por hectare, número 22,4% menor do que o obtido no ciclo anterior, quando o rendimento chegou a 108,42 sacas por hectare.

De acordo com o assessor técnico da Aprosoja-MS, Flávio Aguena, a metodologia utilizada para a projeção da safra explica, em parte, a magnitude dessa diferença.

“A expectativa inicial para a segunda safra de milho 2025/2026 considera uma área de 2,206 milhões de hectares, uma produtividade de 84,2 sacas por hectare, o que corresponde a um volume de produção de 11,139 milhões de toneladas”, explica.

Ele detalha que a estimativa de área leva em conta o comportamento médio das últimas safras. “A metodologia utilizada considera a média de aumento de área das últimas cinco safras, que foi de 3%. Por isso, projetamos esse crescimento em comparação ao ciclo passado”, afirma.

Já a produtividade, segundo Aguena, segue uma lógica mais conservadora. “Ela é estimada com base na média das últimas cinco safras. Quando comparamos com a safra 2024/2025, que teve produtividade de 108,42 sacas por hectare, há uma redução de 22,4%. Ou seja, a média histórica é bem inferior à produtividade excepcional do ciclo passado”, pontua.

Além da base de comparação elevada, o milho safrinha deste ano enfrenta um cenário climático mais adverso. O plantio avança em ritmo mais lento do que o observado na temporada passada.

Até o fim de janeiro, apenas 2% da área prevista havia sido semeada, 5,6 pontos porcentuais abaixo do registrado no mesmo período da safra 2024/2025.

O atraso reduz a janela ideal de desenvolvimento da cultura e aumenta a exposição das lavouras ao período de estiagem que costuma se intensificar a partir de março, sobretudo na região sul do Estado.

Outro fator estrutural destacado pelos técnicos é a mudança no uso das áreas agrícolas. O milho da segunda safra, que já ocupou cerca de 75% da área cultivada com soja em Mato Grosso do Sul, deve responder agora por 46% dessa área.

A redução indica maior cautela dos produtores, que têm direcionado parte das áreas para culturas alternativas, como sorgo, milheto e pastagens, consideradas menos arriscadas do ponto de vista climático.

SOJA

Embora o milho concentre as maiores revisões negativas, a soja também deixou de sustentar o cenário de otimismo que marcou o início do ciclo.

A expectativa inicial para a safra 2025/2026 da oleaginosa aponta uma área de 4,794 milhões de hectares, produtividade média de 52,82 sacas por hectare e produção estimada em 15,195 milhões de toneladas.

Segundo Flávio Aguena, o panorama mudou significativamente desde janeiro. “Havia um otimismo até dezembro de 2025, devido ao bom volume de chuvas, principalmente na região sul do Estado, onde está a maior área plantada de soja”, afirma.

No entanto, a situação climática se deteriorou rapidamente. “O mês de janeiro de 2026 foi marcado por uma seca severa nas regiões centro e sul, com algumas áreas ficando mais de 20 dias sem chuvas”, relata.

Na safra 2024/2025 foram colhidas 14,2 milhões de toneladas de milho em Mato Grosso do Sul - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

O problema se agravou porque a estiagem coincidiu com uma fase crítica da cultura. “Essa situação é ainda mais preocupante porque ocorreu durante o período reprodutivo da soja, quando a planta precisa, em média, de 5 a 7 milímetros de água por dia para expressar todo o seu potencial produtivo”, explica o assessor técnico.

Diante desse cenário, a Aprosoja-MS já descarta a manutenção do discurso de supersafra. “Hoje, o cenário para a soja em Mato Grosso do Sul não é mais de otimismo. O impacto da seca só será mensurado com a evolução da colheita”, ressalta Aguena.

A associação realiza atualmente levantamentos de campo para avaliar os danos efetivos. “Nossa equipe está fazendo o levantamento de produtividade e, após uma amostragem mínima de 10% das áreas, será feita uma nova estimativa para a safra de soja no Estado”, conclui.

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