Em meio à relevância do tema meio ambiente em todo o planeta e com os olhos do mundo voltados ao Brasil e às ações do País, o qual aparece entre os maiores produtores globais de alimentos, os produtores rurais, organizações sem fins lucrativos e empresas estão se unindo em trabalhos diversos que têm como objetivo promover ações sustentáveis e, ao mesmo tempo, elevar o valor dos produtos do bioma.
Em um dos exemplos de iniciativas como esta, o valor da carne pantaneira já pode ser comercializada com ganhos que variam entre 5% e 25% sobre o valor da arroba, a depender da ação realizada.
Na semana passada, dois programas que visam preservar o bioma Pantanal passaram a atuar em conjunto. Sim, a meta número um é manter a fauna e a flora pantaneiras mais vivas do que nunca, mas, também, elevar os ganhos dentro de um modelo de produção sustentável.
O programa Felinos Pantaneiros, ação do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), que visa à implantação de ações para mitigar a predação de bovinos e animais domésticos das fazendas por onças-pintadas e onças-pardas nas propriedades rurais e nas comunidades ribeirinhas do Pantanal, passou a ter o apoio da Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO).
“Esta é mais uma iniciativa sustentável para que, lá na ponta da cadeia de consumo, o consumidor possa nos premiar por isso”, explica Eduardo Cruzetta, presidente da ABPO. Segundo ele, isso já ocorre com a carne orgânica pantaneira.
Pelo menos, quatro grandes fazendas pantaneiras já estão sendo alcançadas pelo programa Felinos Pantaneiros.
Cruzetta afirma que a intenção é integrar a preservação dos felinos a outras iniciativas já levadas adiante pela ABPO, em que a principal delas é o Programa de Carne Sustentável e Orgânica do Pantanal, lançado no ano passado.
Na ponta da caneta, significa que, se o produtor rural adotar apenas os critérios de rastreabilidade e certificação para ser incluído no programa de carne sustentável, ele conseguirá incentivos fiscais do governo com abatimento de até 50% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) devido por animal, desde que se enquadre em critérios como rastreabilidade bovina, estar com a propriedade em dia com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e devidamente certificada por instituições credenciadas pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro).
Nesse caso específico, o ganho em relação à produção comum pode ser de aproximadamente 5% sobre o preço da arroba e é plenamente aceito em todos os frigoríficos.
Ele pode aumentar caso o produtor decida produzir de forma orgânica, retirando de vez os antibióticos e os produtos químicos da cadeia. Assim, os ganhos podem ser em até 25%, o que, segundo Cruzetta, compensa a elevação dos custos e tem um mercado específico. Nesse caso, o abate dos bovinos ainda ocorre em pequenos frigoríficos, já certificados.
BOM CONVÍVIO
Na semana passada, o IHP e a ABPO firmaram um acordo que visa reduzir a predação de bovinos pelas onças-pintadas e melhorar a relação entre produtores. Ainda não se possui um cálculo sobre o prejuízo que a predação de bovinos por onças-pardas e pintadas causam, mas, certamente, o objetivo é que, em um futuro não muito distante, o que é prejuízo hoje possa virar lucro um dia.
“Tudo vai depender da comunicação nossa com o consumidor. Já temos avanço grande na produção de carne orgânica no Pantanal e também com a carne regular com a do Programa Carne Sustentável”, frisa Cruzetta.
Na ocasião da assinatura do acordo estiveram Cruzetta, o presidente do IHP, Coronel Ângelo Rabelo, e o diretor de comunicação da General Motors (GM) para a América Latina, Nelson Silveira.
A GM reforçou sua parceria cedendo mais uma caminhonete para os integrantes do IHP que atuam no monitoramento dos felinos e na visitação de fazendas, em uma parceria cujos valores envolvidos ultrapassam R$ 1 milhão.
“Esse acordo formaliza a troca de experiências entre os atores envolvidos no Programa na busca por ações efetivas que mostre, na prática, que é possível o convívio entre produção e biodiversidade”, explica Eduardo Cruzetta.
Diego Viana, veterinário do IHP e coordenador do Felino Pantaneiros, explica que, aos poucos, os resultados vêm sendo conquistados nas fazendas.
Entre as ações estão: palestras e conversas com os capatazes, uso de tecnologia para repelir os felinos e técnicas como a implantação de cercas elétricas de baixa amperagem.
“Antigamente, as fazendas abriam as portas para os caçadores para resolver um problema. De fato, é um problema. Hoje, abrem as portas para nós, que estamos aqui para ouvi-los e ajudá-los”, explica Diego Viana.
Nelson Silveira, destaca que a cadeia sustentável do Pantanal pode ser um exemplo para todos.
“A onça-pintada está no topo da cadeia. Quando ela é preservada e convive em harmonia com a produção, significa que todo o bioma está preservado”, afirma.





