Os produtores de citros de Mato Grosso do Sul têm até o dia 15 de janeiro para entregar o Relatório Semestral de Vistoria e Monitoramento da Citricultura.
A obrigação é uma medida sanitária para proteção das lavouras de pragas, doenças e plantas daninhas, ganhando mais relevância em um cenário de expansão da citricultura no Estado.
O relatório é obrigatório para todas as propriedades que tenham fins comerciais ou que possuam mais de 50 plantas.
O formulário deve ser preenchido de forma online no site da Iagro e reúne informações sobre o monitoramento, identificação e eliminação do psilídeo Diaphorina citri, um inseto vetor da bactéria que causa o greening, considerada a pior doença da citricultura na atualidade por não ter cura.
A finalidade do Relatório é, principalmente, o monitoramento fitossanitário além da identificação de áreas com maior presença da doença ou do inseto vetor, evitando a propagação para outras propriedades.
As informações coletadas ajudam a criar estratégias regionais e nacionais de combate às pragas, aumentando a eficiência do controle e reduzindo custos para o setor.
A medida visa proteger a citricultura, em um momento onde a prática caminha para se tornar uma das principais apostas do agronegócio de Mato Grosso do Sul.
"Com o aumento da área plantada, a vigilância fitossanitária precisa avançar no mesmo ritmo. O Relatório Semestral é o instrumento que “fecha a conta” desse monitoramento, ao transformar informações de campo em dados epidemiológicos que orientam ações rápidas de prevenção e controle do HLB. As informações declaradas pelos produtores permitem identificar áreas de maior risco, planejar manejos regionais e fortalecer as estratégias de defesa sanitária", afirmou a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).
Avanço
Atualmente, são mais de 7 milhões de mudas implantadas no Estado, ao longo de 15 mil hectares plantados distribuídos em 60 propriedades e expectativa de criação de 10 mil vagas de empregos ligadas ao plantio de laranja.
Os investimentos estimados já somam R$ 2,4 bilhões e já são 35 mil hectares de projetos iniciados, com prospecção de chegar a 50 mil hectares de citricultura até 2030, em meio à expansão da atividade e ao crescente interesse de produtores e empresas do setor.
A junção de fatores positivos, como a disponibilidade de terras, clima favorável, logística estratégica e segurança jurídica, coloca Mato Grosso do Sul como um espaço propício para investimentos robustos.
É o caso do projeto Cutrale, que já possui grande parte de seus 5 mil hectares plantados no município de Sidrolândia, com previsão de atingir 8 milhões de caixas por safra, quando os pomares estiverem em plena produção.
Outros investimentos também têm ampliado presença em solo sul-mato-grossense voltados à atividade citrícola, como Cambuy, Frucamp, Agro Terena, Citrosuco, Grupo Junqueira Rodas e diversos produtores independentes.
O Estado ainda não está entre os maiores produtores do País, ranking liderado por São Paulo, responsável por cerca de 78% da produção nacional, seguido por Minas Gerais, Paraná e Bahia.
No entanto, segundo o Governo Estadual, as condições técnicas, econômicas e institucionais de Mato Grosso do Sul impulsionam o Estado para se tornar um dos principais polos citrícolas do País.
"A citricultura já engrenou em MS. E para os próximos dois a três anos, o Estado vai trabalhar ainda mais para manter a sanidade, com a tolerância zero para o greening, retenção de mão de obra indígena, e redução do ICMS que para a saída da laranja é de 2%", afirmou Verruck em evento.

