Em evento de reabertura da Fábrica de Fertilizantes da Bahia (Fafen BA), que contou com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quinta-feira (14), a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que a empresa negocia a finalização Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3), em Três Lagoas.
Em entrevista ao Correio do Estado em abril deste ano, o gerente Executivo de Projetos de Desenvolvimento da Produção e Descomissionamento da Petrobras, Dimitrios Chalela Magalhães, afirmou que a retomada da UFN3 deve acontecer entre junho e julho deste ano.
A previsão é de que a unidade entre em operação plena no primeiro semestre de 2029, com potencial para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados e impulsionar a economia de Mato Grosso do Sul.
Neste quinta, Magda afirmou que a reabertura da Fafen BA faz parte de uma estratégia mais ampla de retomada de plantas industriais, citando, além da negociação para finalizar a UFN3, a reativação da Fafen Sergipe e a reabertura da Araucária Nitrogenados (Ansa), no Paraná.
Segundo ela, o objetivo é reforçar a segurança alimentar e a geração de emprego e renda, com o argumento de que o gás natural tem como “destino nobre” a produção de fertilizantes nitrogenados. “Um dos destinos nobres do gás é o fertilizante”, afirmou.
Com as fábricas de fertilizantes na Bahia, em Sergipe, no Paraná e em Mato Grosso do Sul, a Petrobras passará a produzir 35% do fertilizante nitrogenado consumido no País. Magda também anunciou que a companhia incluiu no planejamento 2027-2031 o compromisso de buscar autossuficiência em diesel e gasolina até 2030.
O presidente Lula também reforçou o papel dos fertilizantes para agricultura.
“O Brasil é um país agrícola e o segundo maior produtor de alimentos, em alguns momentos chega a ser o terceiro, e precisa de fertilizantes. O país não pode importar 90% dos fertilizantes de que a nossa agricultura necessita. Ele precisa ser autossuficiente e produzir fertilizantes”, afirmou Lula.
Com investimento de R$ 100 milhões, a Fafen-BA tem capacidade de produção de 1.300 toneladas diárias de ureia, o que representa aproximadamente 5% da demanda nacional. A retomada integra a carteira de fertilizantes do Novo PAC, cujo valor consolidado é de cerca de R$ 5,9 bilhões.
UFN3
A retomada da UFN3 ocorrerá após mais de uma década de paralisação do empreendimento, considerado estratégico para a política nacional de fertilizantes.
Segundo a Petrobras, a conclusão da unidade demandará investimento estimado em cerca de US$ 1 bilhão, o equivalente a aproximadamente R$ 5 bilhões no câmbio atual. O projeto foi dividido em 11 pacotes de contratação, que abrangem diferentes etapas da construção e montagem industrial.
A expectativa é de que a maior parte dos contratos seja executada por empresas brasileiras, com possibilidade de consórcios envolvendo companhias estrangeiras.
O pico das obras deve gerar entre 7 mil e 8 mil empregos diretos no canteiro, além de postos indiretos na economia regional.
Quando estiver em operação, a UFN3 terá capacidade de produzir 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas de amônia.
O projeto da fábrica permanece essencialmente o mesmo elaborado em 2011. Segundo Magalhães, a tecnologia continua competitiva e eficiente no consumo de gás natural.
O funcionamento da unidade depende do fornecimento de gás natural, principal insumo para a produção de fertilizantes nitrogenados. A demanda estimada é de 2,3 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.
A estatal informou que aprovou investimentos em novos projetos de exploração e produção capazes de ampliar a oferta nacional do insumo, o que deve garantir o abastecimento da unidade.
Parte da infraestrutura existente será aproveitada, incluindo a malha de gasodutos já instalada na região, com possibilidade de adaptações para viabilizar o fornecimento.
Mesmo após anos de paralisação, a Petrobras afirma que a estrutura física foi preservada e poderá ser aproveitada na retomada do empreendimento, sendo necessária uma etapa de inspeção e recalibração de equipamentos antes da retomada plena da construção.



