Economia

AGRICULTURA

Produção de milho safrinha é recorde em Mato Grosso do Sul

Estimativa é de 14,226 milhões de toneladas na 2ª safra, superando a de 2022/2023

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Mato Grosso do Sul caminha para colher a maior safra de milho da história. Dados atualizados do Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio (Siga MS) apontam que a segunda safra 2024/2025 deve atingir 14,226 milhões de toneladas, superando o recorde anterior, registrado no ciclo 2022/2023, quando foram colhidas 14,220 milhões de toneladas de milho.

A nova estimativa trazida pelo boletim Casa Rural, elaborado pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS) em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), representa um crescimento de 68,2% em relação ao ciclo anterior e confirma o bom desempenho das lavouras.

“A segunda safra de milho apresenta um ótimo potencial produtivo. Isso se deve ao bom volume de chuvas em abril, que beneficiou principalmente as lavouras que estavam nos estádios fenológicos entre V10 e R2 [desenvolvimento]”, detalha o boletim.

O levantamento indica ainda que a área plantada deve atingir 2,103 milhões de hectares, mantendo-se praticamente estável em relação ao ciclo anterior, mas a produtividade média saltou para 112,7 sacas por ha, avanço de 68,1%. Na prática, isso significa que o ganho de produção veio da maior eficiência no campo, não da expansão de área. 

Conforme a metodologia do Siga MS, as lavouras classificadas como boas representam 78,1% do total, enquanto 15,3% são consideradas regulares e apenas 6,6% estão em condição ruim. Em algumas regiões, como o Nordeste, 93% das áreas foram avaliadas como boas, consolidando médias superiores a 130 sacas por ha em municípios como Chapadão do Sul e Alcinópolis. 

Apesar do avanço, a cultura do milho perdeu espaço em relação a anos anteriores. Atualmente, ocupa 46% da área de soja no Estado, proporção menor que os 75% registrados no auge do cereal. A retração é atribuída ao alto custo de produção e ao risco climático.

ATRASO

Conforme já adiantou o Correio do Estado, houve atraso na colheita da safrinha. O último boletim Casa Rural aponta que a colheita atingiu 90,9%, ou 1,911 milhão de ha, atraso de 6 pontos porcentuais em relação a média dos últimos cinco anos. A região sul lidera o avanço, com 91,8% colhidos, seguida do centro (89,1%) e do norte (88,6%).

“Nesta safra, houve um escalonamento maior no plantio em função do deficit hídrico no início do ciclo e, com isso, o desenvolvimento das lavouras ficou desuniforme. Além disso, a ocorrência de chuvas na fase final atrasou o início da colheita em algumas regiões”, explica o assessor técnico da Aprosoja-MS, Flávio Aguena.

Ainda de acordo com a Associação, na quarta semana de junho, a frente fria que atingiu o Estado provocou geadas em diversas regiões, afetando cerca de 35 mil ha, principalmente nas áreas central e sul do Estado. Os danos estimados variam entre 10% e 30% da produção nessas localidades. Já no fim de julho, ventanias intensas afetaram principalmente o centro e o sul do Estado, provocando o tombamento de cerca de 14 mil hectares de lavouras de milho, estima-se perdas de 20% a 40% da produção.

“As chuvas no fim do ciclo do milho safrinha têm dificultado a secagem natural dos grãos, o que está atrasando a colheita. Colher o milho com muita umidade aumenta os custos, porque é preciso secá-lo antes de armazenar (abaixo de 14% de umidade) para manter a qualidade dos grãos. Por outro lado, deixar o milho no campo por mais tempo também é arriscado, pois a produção fica exposta às intempéries climáticas”, disse Aguena, e completou.

“O produtor fica em uma situação complicada: ou colhe mais cedo e gasta mais com secagem, ou espera e corre o risco de perder parte da produção por causa do clima. O ideal é acompanhar a previsão do tempo e a umidade dos grãos para tomar a melhor decisão possível”, finaliza o assessor.

O bom desempenho do milho vem em um momento estratégico para a economia estadual. Com a soja praticamente toda comercializada (80,5%) e o milho com 52% da safra já vendida, segundo levantamento da Granos Corretora, o agronegócio mantém o fluxo de receita que sustenta o Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul, garantindo competitividade no mercado interno e no exterior. 

Os preços médios praticados entre os dias 25 e 29 de agosto em MS apontam a saca de soja cotada a R$ 126,19, e a de milho a R$ 50,25. 

Segundo o analista de Economia da Aprosoja-MS, Mateus Fernandes, o segundo semestre é o período em que a quantidade de soja brasileira já foi comercializada e, por isso, os preços acabam se valorizando.

“A expectativa é que os preços melhorem um pouco mais até novembro. A cotação da soja no mercado futuro para novembro teve como preço médio R$ 131,90 a saca, e o milho, R$ 50,68. Com a grande oferta de milho no mercado, por causa de uma boa safra nos principais produtores mundiais, os preços não apresentam grande variação no mercado futuro. O preço do milho sul-mato-grossense tem sido balizado pela demanda interna e o seu principal destino é o processamento para produção de etanol e ração animal”.
 

EMPREGO

Com setor de serviços em alta, MS soma mais de 14 mil vagas criadas em 2026

No balanço geral, foram registradas 119.537 admissões e 105.507 desligamentos até março deste ano

04/05/2026 11h15

Nos últimos 12 meses, Mato Grosso do Sul acumula saldo de 20.565 empregos formais

Nos últimos 12 meses, Mato Grosso do Sul acumula saldo de 20.565 empregos formais Foto: Álvaro Rezende/ Governo do Estado

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Mato Grosso do Sul registrou saldo positivo de 3.554 novos empregos com carteira assinada em março de 2026, resultado de 40.698 admissões e 37.144 desligamentos, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego e compilados pela Assessoria Especial de Economia e Estatística da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).

Em 2026, o Estado soma 14.030 vagas formais criadas, com 119.537 admissões e 105.507 desligamentos. No comparativo com março de 2025, o desempenho do mercado de trabalho sul-mato-grossense teve crescimento de 8,41% nas contratações e de 172,55% no saldo de empregos.

Em relação a fevereiro deste ano, houve aumento de 1,56% nas contratações, enquanto os desligamentos cresceram 9,52%, impactando a variação mensal do saldo.

Artur Falcette, titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), avalia que o resultado reforça a trajetória de crescimento sustentado da economia sul-mato-grossense.

“Os números mostram a consistência do ambiente econômico de Mato Grosso do Sul, com geração de empregos distribuída entre setores estratégicos como serviços, indústria e construção. Esse desempenho é resultado de uma política de desenvolvimento que combina atração de investimentos, fortalecimento das cadeias produtivas e qualificação da mão de obra, garantindo oportunidades e renda para a população”, destacou.

A taxa de rotatividade ficou em 32,98% em março. Considerando os últimos 12 meses, de abril de 2025 a março de 2026, Mato Grosso do Sul acumula saldo de 20.565 empregos formais, com 422.425 admissões e 401.860 desligamentos, o que representa crescimento de 3,01%.

Setores

O setor de serviços liderou a geração de empregos no mês, com saldo de 1.680 vagas, o equivalente a 47,27% do total. O ramo da indústria geral ocupa a segunda colocação, com 1.208 postos (33,99%), e a construção, com 886 vagas (24,93%).

Na área do comércio, também houve resultado positivo, com 227 vagas ocupadas. Já a agropecuária registrou retração no período, com saldo negativo de 447 vagas.

Confira os municípios que mais criaram novos postos de trabalho:

  1. Campo Grande - 1.428
  2. Inocência - 899
  3. Três Lagoas - 324
  4. Corumbá - 271
  5. Chapadão do Sul - 180

Também tiveram desempenho positivo Paraíso das Águas (124), Fátima do Sul (111), Dourados (104) e Itaquiraí (92). Por outro lado, Paranaíba (-181), Aral Moreira (-142) e Laguna Carapã (-141) registraram os maiores saldos negativos no mês.

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Balanço

BNDES aprovou R$ 5,7 bilhões para o agro de MS em 3 anos

Crédito aprovado cresceu 37% desde 2023; Mato Grosso do Sul amplia o acesso a financiamento e reforça ciclo de expansão do agronegócio

04/05/2026 08h00

Extraído da Internet/ Agência Brasil

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O agronegócio de Mato Grosso do Sul tem ampliado o acesso a crédito e fortalecido sua capacidade de investimento nos últimos anos.

Dados enviados ao Correio do Estado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mostram que, desde janeiro de 2023, foram aprovados R$ 5,07 bilhões para o setor agropecuário no Estado, volume 37% superior ao registrado entre 2019 e 2022, quando os financiamentos somaram R$ 3,7 bilhões.

O avanço reforça o protagonismo do campo sul-mato-grossense na economia regional e ocorre em um momento de expansão da produção e das exportações, com destaque para cadeias como soja, milho, celulose e proteína animal.

Na prática, o aumento do crédito indica maior capacidade de investimento por parte de produtores e empresas, sobretudo em tecnologia, mecanização e ampliação da produção.

Os recursos aprovados pelo banco incluem operações no âmbito dos Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF), crédito rural e financiamentos para projetos estruturantes, como aquisição de máquinas e equipamentos, além de serviços tecnológicos voltados ao ganho de produtividade.

O desempenho de Mato Grosso do Sul acompanha o movimento nacional de expansão do crédito ao agronegócio. Em todo o País, o BNDES aprovou R$ 160,8 bilhões para o setor desde 2023, montante 65,3% superior ao liberado entre 2019 e 2022, que somou R$ 97,3 bilhões. Os recursos alcançaram 93% dos municípios brasileiros, ampliando a capilaridade do financiamento.

Parte relevante desses investimentos tem sido direcionada à agroindústria. Do total nacional, R$ 19 bilhões foram destinados ao aumento da capacidade produtiva, incluindo projetos de armazenagem, centros de pesquisa e expansão da produção de biocombustíveis – segmento que ganha força também em Mato Grosso do Sul, especialmente com o avanço das usinas de etanol de milho.

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o aumento do volume de crédito está alinhado à estratégia de fortalecimento do setor agropecuário no País.

“Por orientação do presidente Lula, o BNDES tem sido um dos principais parceiros do setor agropecuário brasileiro. Ampliamos o volume de recursos para esse setor em todas as áreas. Um dos destaques é a produção de biocombustíveis. Foram aprovados R$ 13,5 bilhões para 48 projetos de etanol, valor 217% superior ao que foi aprovado entre 2019 e 2022”, afirmou.

OPERAÇÕES

O banco também registrou crescimento expressivo no número de operações realizadas por meio de instituições financeiras parceiras, o que facilita o acesso ao crédito por produtores de diferentes portes.

De acordo com o superintendente da área de Operações e Canais Digitais do BNDES, Marcelo Porteiro, somente no último ano foram mais de 200 mil operações no setor agropecuário.

“Num setor tão importante para a economia brasileira como o agropecuário, o BNDES se faz presente apoiando especialmente o investimento. Então, no ano passado, foram mais de R$ 50 bilhões investidos no setor, mais de 200 mil operações realizadas por meio de uma extensa rede de parceiros”, destacou.

Os números foram divulgados durante a Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, realizada em Ribeirão Preto (SP), que reúne produtores, fabricantes de máquinas e instituições financeiras. O evento funciona como vitrine para novas tecnologias e reforça a importância do crédito como motor de modernização do campo.

Em Mato Grosso do Sul, o aumento de 37% nas aprovações de crédito ocorre em um cenário de consolidação do agronegócio como principal vetor econômico.

O setor responde por parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) estadual e tem sido decisivo para a geração de empregos, renda e saldo positivo na balança comercial.

Especialistas apontam que o acesso a financiamento é determinante para sustentar o ritmo de crescimento, especialmente diante da elevação dos custos de produção e da necessidade de adoção de tecnologias mais eficientes.

Investimentos em armazenagem, por exemplo, ajudam a reduzir perdas e melhorar a logística, enquanto a mecanização contribui para ganhos de produtividade.

Outro fator relevante é o avanço dos biocombustíveis no Estado, impulsionado pela produção de etanol de milho, que tem atraído investimentos e ampliado a diversificação da matriz produtiva.

Nesse contexto, o crédito do BNDES tende a desempenhar papel estratégico na viabilização de novos projetos industriais.

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