Economia

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Qualidade de vida e preço do aluguel atraem comércios para os bairros

A migração resulta em esvaziamento de salões comerciais; diante das mudanças, todo o padrão de consumo das famílias passa por alterações que vão de economia no deslocamento a ganho de tempo

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Buscando melhores condições nos preços de aluguéis, bem como mais qualidade de vida, com trabalho próximo ao lar, os comerciantes têm se interessado cada vez mais pela migração do centro de Campo Grande para os bairros.

Tal realidade resulta em um centro com mais portas fechadas e bairros cada vez mais movimentados, algo que muda toda a dinâmica de circulação de dinheiro na Capital. 

O deslocamento dos estabelecimentos é uma realidade cada vez mais frequente, tendo ganhado mais força principalmente durante a pandemia, período em que as pessoas se adaptaram mais aos recursos de compras por meios digitais, conforme o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDL), Adelaido Vila. 

Para ele, acontecem transformações no varejo que são influenciadas principalmente pelo encurtamento do tempo das pessoas.

“Não faz sentido levar uma hora para fazer algo no centro quando é possível fazer o mesmo a uma quadra de casa ou até mesmo pela internet, em cerca de 20 minutos ou menos”, pontua. 

Além disso, ele destaca a questão dos aluguéis mais em conta, bem como mão de obra mais acessível, tendo em vista que o trabalhador não precisa mais gastar tanto tempo no deslocamento para o serviço, o que pode resultar não só em qualidade de vida, mas também em economia financeira com combustível ou transporte público. 

A Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACIGG) reforça a confirmação dos motivos que levam os empreendedores a abrir comércios em bairros, entre os quais estão o custo mais alto de se ter um comércio no centro e a mudança no perfil dos consumidores. 

“Para eles, é muito mais cômodo consumir na comunidade sem precisar percorrer longas distâncias e, muitas vezes, há também a questão do relacionamento, tendo em vista que muita gente se conhece”, frisou a ACICG em nota ao Correio do Estado

Diante de tal cenário, têm sido realizados estudos para confirmar se há mais fatores resultando em tal mudança, bem como ações para fomentar a migração.

A exemplo, atualmente, a Associação possui um projeto que leva algumas capacitações aos bairros, algo que tem sido cada vez mais recorrente e realizado não somente pela ACICG, mas também por entidades como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), bem como pelas próprias associações de moradores dos bairros. 

COMERCIANTES

Um desses exemplos é a existência de uma unidade do Sebrae no Bairro Nova Lima, localizado a cerca de 12 km do centro. Pedro Domingos, presidente da Associação de Moradores do local, explica que a região foi a primeira no País a receber uma unidade como essa, algo realizado com base em estudos e entrevistas com os moradores. 

Hoje, a região que compreende o Grande Nova Lima possui cerca de dez mil comerciantes, área que inclui bairros como Iguatemi, Jardim Anache, Colúmbia, Vida Nova, José Tavares do Couto, Oscar Salazar, entre outros. 

“Alguns desses comerciantes daqui já trabalharam no centro, muitos dos quais estão localizados na principal rua de comércios do bairro, a Jerônimo de Albuquerque”, disse. 

Um desses comércios que deixou o centro rumo ao bairro é o Mix Lanches. O proprietário, Erlon Bordon Lopes, 47 anos, está com o ponto no Nova Lima há quatro anos. 

“No bairro, é muito melhor, a gente vê um lucro um pouco melhor, sabe. Ainda mais alimentação, o ramo que normalmente sempre tem. Mesmo tendo vários restaurantes nessa rua, tem cliente para todo mundo”, relata o empreendedor. 

Ao andar pelo bairro, é possível ver muitas construções, bem como um comércio pujante e crescente. Há mercados, feiras, farmácias, bancos, restaurantes e comércios dos mais diversos gêneros. 

“Hoje, quem está aqui na região do Nova Lima não sai mais para fazer coisas do cotidiano. Além disso, vemos que as lojas daqui têm mais de dez anos, fora essas pequenas, que estão entrando no comércio agora”, acrescentou o presidente do bairro, Pedro Domingos. 

QUALIDADE

Para uma das moradoras do Nova Lima, a força do comércio gerou muito mais qualidade de vida. Patrícia Bonfim, 29 anos, trabalha no comércio mais próximo de casa há quatro anos, após já ter atuado em lojas do centro da cidade. 

“Facilita muito a gente não precisar se deslocar longe, tendo as coisas mais próximas. A gente tem lotérica, mercados, lojas de roupas, eu trabalho em uma loja de perfumaria e decoração, então fica bem melhor para todo mundo”, disse. 

Em outra região da cidade, na Vila Nasser, o comércio de bairro também tem mudado a vida de mais pessoas. Uma delas é Juliana Batista, 36 anos, sócia e proprietária do salão de beleza Luxo de Mulher, Pele e Unhas, localizado na Avenida Tamandaré. 

Ela e mais duas colegas dividem custos e funções no empreendimento, que existe há dois meses. 

O bairro, que cresce tanto em habitação quanto no ramo comercial, recebeu recentemente, na respectiva avenida, a construção de muitas salas e prédios novos, os quais já estão todos ocupados por comerciantes. 

“Abrimos aqui considerando que até pouco tempo atrás muitas dessas salas estavam fechadas. A gente ficou analisando bastante e vimos que tem muito fluxo dos moradores da região. O movimento é bem grande, graças a Deus, acredito que para todo mundo aqui está ficando bom, o pessoal do bairro vem muito, as meninas todas vêm aqui, dos condomínios e das casas”, relata a empresária. 

Ela ainda destaca o quanto o preço do aluguel foi um diferencial, muito abaixo do que ela teria de custo em uma região mais central. Sobretudo após declarar falência de um outro empreendimento durante a pandemia, Juliana demonstra estar bastante otimista com o novo cenário. 

DIGITALIZAÇÃO

Com relação à diminuição do movimento de pessoas no centro da cidade. O presidente da CDL, Adelaido Vila, explicita, ainda, o quanto a bancarização digital afetou tal questão. 

“Antes, a necessidade de ir presencialmente aos bancos obrigava as pessoas a se dirigirem ao centro pelo menos uma vez ao mês”, destaca. 

Entretanto, os bancos têm se aproximado dos bairros e, sobretudo, a maior parte dos serviços é realizada de forma totalmente digital.

Somado a esse fator, o especialista conta que o perfil do consumidor também mudou, e a população em geral realiza muito mais compras pela internet, dirigindo-se ao comércio presencial, muitas vezes, apenas após decidir o que quer já pelo site. 

Desse modo, ele frisa a importância de haver uma revitalização do centro, levando em consideração os novos estilos de vida e hábitos de consumo, pois a tendência, conforme a realidade atual se encaminha, é de que cada vez mais o comércio migre do centro para os bairros. 

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IBGE

Varejo cresce em MS e Brasil bate novo recorde de vendas

Dados do IBGE mostram leve alta no comércio tradicional e avanço mais forte no varejo ampliado, puxado por veículos e construção

15/04/2026 12h11

Na comparação com o mesmo mês de 2025, o avanço foi mais expressivo, chegando a 2%

Na comparação com o mesmo mês de 2025, o avanço foi mais expressivo, chegando a 2% Divulgação/ IBGE

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O comércio varejista de Mato Grosso do Sul apresentou crescimento em fevereiro deste ano, ainda que em ritmo moderado. Dados divulgados pelo IBGE indicam que o volume de vendas no Estado subiu 0,5% em relação a janeiro, considerando a série com ajuste sazonal.

Na comparação com o mesmo mês de 2025, o avanço foi mais expressivo, chegando a 2%. Com isso, o setor acumula alta de 3,1% no ano e de 1,4% no período de 12 meses.

Apesar do desempenho positivo, o crescimento do varejo sul-mato-grossense ficou em posição intermediária no ranking nacional, ocupando a 15ª colocação entre as unidades da federação no comparativo mensal.

Já no chamado varejo ampliado, que inclui segmentos como veículos, motos, materiais de construção e atacado de alimentos, bebidas e fumo, o desempenho foi significativamente superior. Nesse recorte, Mato Grosso do Sul registrou alta de 6,2% frente a janeiro, um dos melhores resultados do país.

Na comparação anual, o avanço do varejo ampliado também se manteve consistente, com crescimento de 5,4% em relação a fevereiro do ano passado. O acumulado de 2026 chega a 3,7%, enquanto o índice dos últimos 12 meses soma alta de 2,5%.

No cenário nacional, o comércio varejista apresentou crescimento em 17 das 27 unidades da federação. Estados como Paraná, Bahia e Minas Gerais lideraram os resultados positivos no mês. Por outro lado, houve retração em nove estados, com destaque para Mato Grosso, Maranhão e Amazonas.

Quando considerada a comparação com fevereiro de 2025, o país teve um avanço mais discreto, com crescimento de 0,2% no varejo. Já no varejo ampliado, houve equilíbrio entre estados com alta e queda, evidenciando um cenário de recuperação ainda desigual entre as regiões.

Brasil renova recorde nas vendas

No cenário nacional, o comércio varejista também manteve desempenho positivo em fevereiro e atingiu o maior nível da série histórica, iniciada em 2000. Segundo dados da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada pelo IBGE, o setor cresceu 0,6% na comparação com janeiro, já considerando os efeitos sazonais.

O resultado marca o segundo mês consecutivo de alta e reforça uma trajetória de recuperação ao longo dos últimos meses. De acordo com o levantamento, o varejo acumula 21 bimestres seguidos de crescimento na comparação interanual.

O avanço foi impulsionado principalmente pelo desempenho de segmentos ligados ao consumo básico, como hiper e supermercados, além de combustíveis. Por outro lado, setores como vestuário, móveis e eletrodomésticos registraram retração no período.

No recorte ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, o comércio também alcançou recorde na série histórica, com crescimento de 1% frente ao mês anterior. Ainda assim, na comparação com fevereiro do ano passado, houve queda de 2,2%, refletindo recuos mais intensos nesses segmentos.

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PREVIDÊNCIA SOCIAL

Em MS, 400 mil aposentados vão receber o 13° entre abril e junho

Antecipação das parcelas vai injetar R$ 811,7 milhões na economia de Mato Grosso do Sul

15/04/2026 08h50

Fachada da Agência do INSS, em Campo Grande

Fachada da Agência do INSS, em Campo Grande Gerson Oliveira

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Aproximadamente 400 mil aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), residentes em Mato Grosso do Sul, receberão o 13º salário antecipadamente no primeiro semestre de 2026.

A primeira parcela será depositada entre 24 de abril até 8 de maio. Já a segunda parcela entre 25 de maio e 8 de junho.

Decreto nº 12.884 foi assinado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

A data de pagamento leva em conta o número final do cartão de benefício, sem considerar o último dígito verificador.

Confira as datas do pagamento da primeira e da segunda parcela do adiantamento do 13º salário, de acordo com o número final do cartão de benefício:

Fachada da Agência do INSS, em Campo Grande
Fachada da Agência do INSS, em Campo Grande

QUEM TEM E NÃO TEM DIREITO?

Veja quem tem direito a receber a antecipação do 13º em 2026:

  • Beneficiários por incapacidade temporária
  • Beneficiários por auxílio-acidente
  • Aposentados
  • Beneficiários por salário-maternidade
  • Beneficiários por pensão por morte

Veja quem não tem direito a receber a antecipação do 13º em 2026:

  • Pessoas contempladas pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos com mais de 65 anos e pessoas com deficiência - desde que comprovem baixa renda
  • Beneficiários de Renda Mensal Vitalícia

A antecipação das parcelas vai injetar R$ 811,7 milhões na economia de Mato Grosso do Sul.

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