Mesmo com o aumento na procura por renegociação de dívidas, a inadimplência continua avançando em Mato Grosso do Sul. Entre maio e agosto deste ano, foram registrados 307.044 acordos no Estado, alta de 33% em relação ao mesmo período de 2025. No entanto, o número de consumidores inadimplentes passou de 1.306.986 em maio para 1.325.423 em agosto, acréscimo de 18.437 pessoas.
No mesmo intervalo, o estoque de dívidas também aumentou. O número de débitos passou de 6.130.700 para 6.287.531, crescimento de 156.831 dívidas. Já o valor total devido aumentou R$ 306,5 milhões no período, passando de R$ 10,95 bilhões em maio para R$ 11,27 bilhões em agosto.
O movimento evidencia um cenário de avanço simultâneo das negociações e da inadimplência. Embora mais consumidores estejam buscando alternativas para regularizar as contas, o estoque de pessoas com o nome restrito e de dívidas continua crescendo.
Em maio, Mato Grosso do Sul tinha 1,30 milhão de inadimplentes. O número passou para 1,31 milhão em junho e julho e chegou a 1.325.423 em agosto. Na comparação com julho de 2025, quando eram 1.201.898 consumidores negativados, o aumento chega a 123.525 pessoas, ou 10,3%.
O volume de acordos, por outro lado, apresentou crescimento expressivo. Foram 230.824 negociações entre maio e agosto de 2025, contra 307.044 no mesmo período deste ano.

RENEGOCIAÇÃO
O crescimento das negociações ocorre em meio à ampliação das condições para que os consumidores coloquem as contas em dia. Em todo o País, a Serasa contabilizou 19,7 milhões de acordos entre maio e agosto, alta de 36% sobre o mesmo período do ano anterior. O número de consumidores que buscaram regularizar as pendências também aumentou, passando de 7,1 milhões para 9,4 milhões.
Em Mato Grosso do Sul, uma ação realizada pela Serasa no dia 9 deste mês resultou em 3.459 acordos. Em todo o Brasil, foram mais de 218 mil negociações em um único dia.
Para Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira, a renegociação é importante para solucionar uma pendência, mas precisa vir acompanhada de planejamento financeiro.
“Renegociar a dívida resolve o problema imediato, mas é a educação financeira que evita que ele volte a se repetir. Por isso, sempre buscamos ajudar os brasileiros com conteúdos sobre educação financeira, cenário de crédito e demais informações que ajudem o consumidor a entender melhor o seu dinheiro, evitando que o ciclo do endividamento se repita”, avalia.
O cenário também aparece na pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box, segundo a qual 50% dos entrevistados afirmaram ter gastado mais do que planejavam no primeiro semestre.
CARTÃO
O cartão de crédito continua entre os principais instrumentos utilizados pelos consumidores para administrar o orçamento. Em agosto, quando Mato Grosso do Sul tinha 1.325.423 inadimplentes, bancos e cartões concentravam 28% das dívidas.
Na sequência utilities, que incluem contas de água e luz, com 18,64%; as financeiras, com 18,12%; serviços, com 13,56%; e varejo, com 9,18%.
“Esse comportamento indica que, para muitos brasileiros, o cartão deixou de ser apenas uma alternativa para compras parceladas e passou a integrar o planejamento financeiro cotidiano”, afirma Camila Martins, gerente de Crédito da Serasa.
Apesar do crescimento da inadimplência, a especialista em Educação Financeira da Serasa Soraia Domingos destaca que os consumidores estão aproveitando as oportunidades de negociação.
“Mesmo diante desse cenário de inadimplência ainda elevado, os consumidores estão sim aproveitando as oportunidades para renegociar suas dívidas, especialmente quando vem acompanhado de maiores e melhores condições, como é o caso desses programas e mutirões de renegociação de dívidas como o descontaço da Serasa e o Desenrola”, afirma.
Ela também aponta a importância de revisar o orçamento para evitar que a renegociação seja apenas uma solução momentânea.
“Percebemos que os consumidores estão mais conscientes sobre a importância de reorganizar o orçamento e estabelecer metas compatíveis com sua realidade financeira”, conclui Soraia.



