Apesar do novo adiamento do lançamento da pedra fundamental para a construção da ponte sobre Rio Paraguai, entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (PY), a ordem de serviço foi autorizada nesta segunda-feira (13).
O presidente Jair Bolsonaro era aguardado para a agenda e não conseguiu chegar à cidade paraguaia. Mesmo sem a presença dele a ordem de serviço para a construção da ponte foi assinada.
A ponte é o que falta para que o corredor rodoviário, a Rota Bioceânica, comece a entrar em operação.
“Estou muito feliz! O sonho acabou, porque agora acordamos. Não tem mais volta, a construção da ponte é simbólica, um marco. A Rota Bioceânica já é realidade”, comemorou o prefeito de Porto Murtinho Nelson Cintra (PSDB).
Cintra já havia afirmado que muitas empresas esperavam o pontapé inicial da obra para começarem a investir na cidade.
“Agora os investidores começam a acreditar. Porque do outro lado [Paraguai] as rodovias estão sendo construídas”, avalia.
Conforme publicado no Correio do Estado na edição do dia 4 de dezembro, o prefeito informou que empresas de diversos setores estavam a espera do início das obras para investir na cidade sul-mato-grossense.
Entre os empreendimentos estão armazéns de grande rede varejista, frigorífico, dois novos portos, entre outros empreendimentos.
A Rota Bioceânica é considerada um dos maiores projetos logísticos com intenção de ligar os portos dos oceanos Pacífico e Atlântico.
“A ponte tem um simbolismo muito forte ao garantir esse corredor ao Pacífico, que dará maior competitividade a Mato Grosso do Sul e a toda região Centro-Oeste, integrando definitivamente os quatro países [Brasil, Paraguai, Argentina e Chile] não só economicamente, mas também na cultura e no turismo”, disse o governador Reinaldo Azambuja (PSDB).
Conforme estudo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), os custos para o envio da produção sul-mato-grossense serão reduzidos, além do tempo de viagem, que será encurtado em até 17 dias rumo ao mercado asiático.
“O Centro-Oeste exporta 68% de sua produção aos países asiáticos e a rota vai encurtar distâncias e reduzir o custo do frete em até 35%”, completou.
ATRASO
O projeto da Rota Bioceânica começou a ser debatido em 2014, e foi autorizado pelo Mercosul em 2017.
Já em 2018 os recursos da usina hidrelétrica Itaipu Binacional foram liberados para a construção de duas pontes entre o Brasil e o Paraguai.
Uma no Paraná (Foz do Iguaçu-Presidente Franco) e outra entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, em Mato Grosso do Sul.
Enquanto a obra estadual começa a sair do papel a partir deste mês, a obra construída em Foz do Iguaçu, chamada de Ponte Internacional da Integração, está 71,5% concluída conforme os jornais paranaenses.
Desde que a obra na fronteira de Porto Murtinho foi lançada em 2018, já ficou US$ 18 milhões (R$ 100,8 milhões) mais cara, tendo aumentado de US$ 65 milhões para US$ 83 milhões, conforme informou na edição de ontem (13) o Correio do Estado.
A ponte será do tipo estaiada, terá 680 metros de extensão, mais de 100 metros de altura e viadutos de 150 metros em ambas as cabeceiras, com pilares a cada 30 metros antes do vão principal.
A obra será executada por um consórcio binacional composto pelas paraguaias Tecnoedil Construtora e Cidade Ltda., além da brasileira Paulitec Construções.
Segundo o prefeito de Murtinho, o plano é que a obra seja entregue em três anos.
“[O consórcio] estava presente e vai começar a trabalhar na construção da ponte. A empresa disse que vai acelerar o projeto e que vai inaugurar a ponte em 2024”, finaliza Cintra.
O cronograma também foi confirmado pelo presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez. E ainda anunciou a pavimentação do último trecho da rodovia do Chaco Paraguaio, de Carmelo Peralta a Lomo Plata (do total de 275 quilômetros, faltam apenas 28 quilômetros).
Também confirmou a contratação da segunda etapa da rodovia, correspondente a 350 quilômetros entre Marescal Estigarribia e Pozo Hondo (Argentina).
“Estamos aqui celebrando uma aliança estratégica de irmandade e fraternidade com o Brasil.
"Este ato está demonstrando como tem que ser a relação de países irmãos e o Paraguai sustenta a sua posição de ser aliado para a competitividade que a Rota Bioceânica proporcionou a todo o eixo que a interliga. Teremos um impacto muito grande na economia e também na cultura”, finalizou.
ACORDO
O ato de descerramento de placa, que seria formalizado com a presença do presidente Jair Bolsonaro será remarcado para o próximo mês.
Por conta do mau tempo em Mato Grosso do Sul, o avião do presidente não pousou em Bonito de onde seguiria de helicóptero para Carmelo Peralta.
Mesmo sem a presença de Bolsonaro, a solenidade que marca o início das obras da ponte tiveram prosseguimento.
Durante o evento, o governador de MS defendeu a formalização de um acordo alfandegário comum, com um registro único para as mercadorias que transitarão pelos quatro países.
“O Brasil deve promover a organização do tratado específico do Mercosul para que tenhamos desembaraço alfandegário e maior agilidade na movimentação das mercadorias”, disse.
Com esse tratamento aduaneiro, segundo Reinaldo Azambuja, os produtos dos quatro países, em especial de Mato Grosso do Sul (carnes processadas, grãos e celulose), ganharão mais competitividade no mercado.



