Mato Grosso do Sul vive um dos ciclos de crescimento econômico mais intensos de sua história recente. Com expansão do agronegócio, chegada de novas indústrias, obras estruturantes e avanço populacional acima da média nacional, a demanda por energia elétrica cresce em ritmo acelerado.
Para acompanhar esse cenário, a Energisa MS anunciou um aporte de R$ 928 milhões neste ano, o maior investimento anual desde que assumiu a concessão, há 11 anos.
O pacote contempla ampliação e modernização da rede de distribuição, aumento da capacidade de subestações, construção de novas subestações, incorporação de tecnologias para tornar o fornecimento mais resiliente e ações integradas com prefeituras para mitigar impactos de eventos climáticos severos.
Na prática, o recurso é fundamental para garantir a chegada de novos empreendimentos, apoiar o avanço industrial e do agronegócio e assegurar que regiões em forte expansão, como o Cone Sul, tenham a energia necessária disponível.
Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, o diretor-presidente da Energisa MS, Paulo Roberto dos Santos, detalhou como os investimentos serão distribuídos, quais regiões receberão mais obras, como a empresa está lidando com a intensificação de eventos climáticos e de que maneira a expansão da infraestrutura elétrica sustenta o desenvolvimento econômico do Estado.
Confira abaixo a entrevista completa.
A Energisa MS anunciou um grande aporte financeiro para este ano, o maior desde que assumiu a concessão no Estado. O que torna este ano tão decisivo para a infraestrutura elétrica sul-mato-grossense?
A Energisa MS está alinhada ao ritmo acelerado de crescimento de Mato Grosso do Sul e acompanhando a evolução das novas demandas.
Por isso, ampliar o volume de investimentos representa uma ação estratégica e necessária. Estamos falando de R$ 928 milhões, praticamente R$ 1 bilhão, que serão destinados à modernização e à expansão da capacidade de fornecimento de energia em todo o Estado.
Metade desses recursos será aplicada na ligação de novos clientes, novos empreendedores e novas indústrias, que deverão gerar empregos e contribuir diretamente para o desenvolvimento econômico.
A outra metade contempla ações essenciais, como modernização da rede, manutenções preventivas, ampliação de seis subestações e construção de duas novas, garantindo mais potência energética para Mato Grosso do Sul.
O Estado vive um momento de transformação, crescimento populacional e expansão produtiva. Nosso papel é assegurar que a infraestrutura elétrica acompanhe esse avanço e impulsione ainda mais o desenvolvimento dos sul-mato-grossenses.
Quando falamos de Brasil, é importante citar que, este ano, o Grupo Energisa terá um investimento previsto de R$ 6,5 bilhões, dos quais 92% serão direcionados às distribuidoras de energia elétrica do grupo, com foco na modernização da rede elétrica, resultando em maior qualidade e segurança no fornecimento ao cliente.
Nós estamos falando de mais de 20 milhões de pessoas em 939 cidades de todas as regiões brasileiras, ou seja, conforto e desenvolvimento também.
O volume de obras previsto para este ano é expressivo. Como a empresa se organiza para executar tantas frentes simultâneas em todas as regiões?
Temos uma estrutura organizacional robusta, distribuída estrategicamente por todo o Estado. Esse modelo, aliado aos prestadores de serviço já contratados para 2026, nos garante capacidade operacional para cumprir o planejamento sem dificuldades.
Mato Grosso do Sul cresce entre 7% e 8% ao ano, número que supera largamente a média nacional. Em resposta, ampliamos nosso investimento em quase 50% em relação ao ano passado, quando aplicamos cerca de R$ 700 milhões.
Além disso, estamos em contato direto com todos os grandes empreendedores que estão chegando ao Estado. Conhecemos o cronograma de cada projeto e suas necessidades de energia e garantimos alinhamento total entre oferta e demanda.
Mais da metade do investimento será voltado à expansão de rede. Quais regiões terão a maior transformação no acesso à energia já neste ano?
Todas as regiões do Estado receberão investimentos, mas o Cone Sul se destaca pelo volume de novos empreendimentos e pela velocidade de crescimento. Cerca de 35% a 40% do investimento para expansão será direcionado para essa região, onde a demanda por energia aumenta de forma muito acelerada.
Também estamos concentrando esforços em municípios como Inocência, Paranaíba e Cassilândia, que apresentam forte atividade agroindustrial e rural. Em Maracaju, construiremos uma nova subestação, que deve solucionar limitações históricas e dar mais estabilidade ao fornecimento.
A modernização da rede, que representa 41% do investimento, promete elevar a qualidade do serviço. Que melhorias o consumidor poderá perceber ainda este ano?
O consumidor perceberá avanços importantes, especialmente no desempenho da rede e na agilidade das equipes durante serviços e em ocorrências emergenciais. Estamos incorporando novas tecnologias e ampliando sistemas automatizados que ajudam a identificar e isolar defeitos com mais rapidez.
Mato Grosso do Sul tem enfrentado uma intensificação de eventos climáticos severos, marcados pela alternância entre calor extremo, secas históricas, tempestades e tempestades severas.
Em 2025 e no início de 2026, o Estado registrou recordes de temperatura e instabilidade climática significativa. Por isso, estamos garantindo a evolução contínua da infraestrutura da rede elétrica do Estado.
Outro ponto essencial são os convênios com as prefeituras para poda e limpeza de faixa, que é a vegetação próxima à rede. Hoje, mais de 30 municípios já aderiram, o que garante redução de impactos e oscilações.
Cerca de 80% das ocorrências têm relação direta com vegetação: galhos, cipós e árvores que atingem a rede durante tempestades. Com a parceria das prefeituras e os investimentos em modernização, reduziremos significativamente essas interferências, sobretudo nas áreas rurais.
O restabelecimento após tempestades enfrenta muitos obstáculos. O que está sendo feito para reduzir o tempo de resposta?
Nosso maior desafio é a logística de acesso. Em vários casos, equipes enfrentam pontes danificadas, estradas alagadas e vias obstruídas por quedas de árvores. Isso torna o deslocamento mais demorado.
Para minimizar esse impacto, além de investir cada vez mais em treinamentos de reciclagem e na capacitação dos nossos colaboradores, estamos ampliando o número de equipes, contratando mais profissionais e trazendo mão de obra de fora do Estado, já que há escassez local.
Também estamos aumentando a quantidade de equipamentos e veículos especializados.
É importante reforçar que, em muitas situações, as atividades são muito complexas e precisamos de apoio do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e, eventualmente, da ajuda de equipamentos pesados para chegarmos ao local da ocorrência. O restabelecimento exige esforço intenso e operações complexas.
Novas subestações e ampliações estão entre as obras mais relevantes. Como essas entregas impactam setores como indústria, agro e serviços?
Subestações mais modernas e com maior capacidade são fundamentais para garantir energia estável e suficiente para atender às novas cadeias produtivas.
Quando ampliamos a capacidade de fornecimento, criamos condições para que novos empreendimentos industriais e agropecuários se instalem no Estado e para que os já existentes possam crescer sem restrições.
Essas obras fortalecem diretamente o desenvolvimento regional, ampliam a competitividade de Mato Grosso do Sul e ajudam a atrair novos investimentos privados. É um efeito em cadeia: energia confiável gera segurança para produzir, expandir e gerar empregos.
Recentemente, a Energisa MS anunciou um programa de formação de eletricistas com foco no público feminino. Como vai funcionar?
O setor elétrico é historicamente marcado pela predominância masculina, mas a presença feminina vem crescendo nas atividades de campo. O nosso programa busca acelerar esse movimento, oferecendo capacitação técnica gratuita e preparando profissionais para atuar em uma das áreas mais estratégicas do País.
Até agora, 30 mulheres concluíram o curso em Dourados e Campo Grande. A turma mais recente se formou em fevereiro, na Capital. A meta da companhia é ampliar ainda mais a participação feminina no setor elétrico.
Vamos ofertar novas turmas exclusivas para mulheres ainda este ano. Queremos fortalecer cada vez mais essa presença aqui em Mato Grosso do Sul.
{Perfil}
Paulo dos Santos
Executivo do setor elétrico com mais de 40 anos de atuação, já ocupou cargos de liderança em várias áreas, como Operação, Automação, Medição e Transmissão.
Na Energisa há 14 anos, em 2017, o executivo assumiu a Diretoria Técnica e Comercial da Energisa Mato Grosso do Sul. Em setembro de 2024, assumiu como diretor-presidente da concessão no Estado.




