Fluminense e Manchester City se enfrentaram na tarde desta sexta-feira (22), no estádio King Abdullah, na Arábia Saudita, para definir quem ergueria a taça do Mundial de Clubes da Fifa de 2023.
Antes da partida, torcedores do Fluminense entrevistados pelo Correio do Estado se mostraram ansiosos para o jogo, e com expectativas elevadas para assistir as equipes treinadas pelos técnicos Fernando Diniz e Pep Guardiola, conhecidos como "românticos do futebol" pelo estilo de jogo empenhado.
"O Fernando Diniz é maluco, mas sabemos que ele pode surpreender contra os ingleses, como já fez em alguns jogos da Libertadores", havia pontuado o empresário e administrador do grupo CGR_FLU de Campo Grande, Renato Oliveira Guimarães, de 51 anos.
Mesmo sabendo que os tricolores do grupo se reuniriam no Barolé, bar localizado na Avenida Afonso Pena, Renato optou por assistir ao jogo em casa, acompanhado do filho.
Para entrar no clima da final, a equipe de reportagem do Correio do Estado esteve no bar e acompanhou a torcida durante o jogo.
1' - Balde de água fria
Antes mesmo do primeiro minuto de jogo se completar, Nathan Aké acertou a bola na trave, e no rebote o argentino Julián Álvarez abriu o placar, marcando de peito para o clube ingês.
"Foi um azar, uma bobeira, uma bola espirrada na trave. O jogador estava bem posicionado ali, não tinha o que fazer", avaliou um torcedor que se identificou como Eduardo.
A bola cruzou a linha aos 40 segundos, e o gol ficou marcado como o mais rápido da história da final do Mundial de Clubes.
Esperança segue viva
Marcelo Victor/Correio do EstadoiMesmo com o time atrás no placar, os torcedores continuaram confiando no trabalho de Fernando Diniz e na atuação de seus jogadores.
Um dos nomes que anima o torcedor é o do jovem John Kennedy, de 21 anos, que começou o jogo no banco de reservas e é uma das armas da equipe tricolor.
"Tem segundo tempo, tem John Kennedy, tem muita coisa para acontecer ainda. O jogo só começou", comentou Eduardo.
Na Libertadores, John Kennedy saiu do banco de reservas aos 80 minutos para, na prorrogação, marcar o gol que sacramentou a vitória do Fluminense sobre o Boca Juniors, da Argentina. Além disso, também marcou o gol de empate na semifinal contra o Internacional, em partida que se encerrou em 2 a 1.
No Mundial de Clubes, balançou as redes na partida de estreia contra o Al Ahly, do Egito, válida pela semifinal da competição.
15' - Flu no ataque
Após conseguir se organizar novamente em campo, o Fluminense foi ao ataque, e quase conseguiu um pênalti - se não fosse a posição irregular do atacante Germán Cano.
O torcedor Alan Moreira, de 26 anos, descreveu o momento como de "desespero e agonia", mas, até aquela altura do jogo, estava confiante no gol de empate.
"[A virada] vai vir, eu confio, pô. Sempre deu certo, não vai ser agora que vai ser diferente", brincou.
Alan também confiava que o gol "iluminado", o da virada, sairia dos pés de John Kennedy.
"O primeiro, vai ser do Germán Cano, e o segundo vai ser do Kennedy, no finalzinho", palpitou.
27' - Fogo Amigo
Marcelo Victor/Correio do EstadoNem a posse de bola mais equilibrada e a troca de passes envolvente foi capaz de evitar o ataque que resultou no segundo gol do Manchester City, aos 27 minutos do primeiro tempo.
Após uma enfiada de bola de Rodri, Phil Phoden tentou um cruzamento na área, mas a bola desviou em Nino e "traiu" o goleiro Fábio.
O placar em 2 a 0 deixou os torcedores apreensivos. Muitos questionaram o erro na marcação e o gol contra de Nino. A festa - que se mantinha mesmo com o resultado desfavorável - deu espaço para o desespero e as reclamações.
39' - Primeira defesa de Ederson
A primeira boa chance do Fluminense chegou em um cabeceio de Jhon Arias, que foi defendido pelo brasileiro Ederson, que veste a camisa celeste.
O ataque fez a torcida voltar a comemorar e criar novas expectativas positivas para a segunda etapa.
Intervalo - Celebração e sonho
Durante o bate-papo no intervalo, foi possível notar que, apesar da derrota, os torcedores estavam aproveitando o privilégio de acompanhar o time jogar pela primeira vez uma final de Mundial.
"A gente está curtindo muito estar no Mundial, é um sonho que tem se tornado realidade. O ano de 2023 foi incrível para o Fluminense, conquistamos a Libertadores, um campeonato muito difícil, e o Fluminense é um time gigante. O Fluminense está voltando para o lugar onde ele sempre tinha que estar: entre os melhores", destacou o empresário Rafael Aguiar, de 27 anos, integrante da torcida organizada Flu Pantanal.
Isaías Carneiro, que também faz parte da Flu Pantanal, lamenta a derrota para o City, mas concorda que a Libertadores já "coroa" o excelente ano do Tricolor das Laranjeiras.
"Nós queremos ser campeões mundiais, mas a Libertadores já valeu muito, né?", comentou.
Neste momento, a rivalidade não fica de lado.
"Só o fato do Flamengo não ganhar nada neste ano, já está ótimo", brincou.
Segundo Tempo
O 2 a 0 no placar não afastou a esperança de um segundo tempo melhor para a equipe carioca.
"É um jogo sofrido, é um jogo pegado, tem que jogar perfeitamente, sem erro. Eu acredito que o Fernando Diniz vai brigar com os jogadores no intervalo, como ele gosta de fazer, e o Fluminense vai voltar como um leão no segundo tempo", avaliou Rafael Aguiar.
72' - Veio o terceiro
Aos 26 minutos do segundo tempo, Phil Phoden ampliou a vantagem para os ingleses, com um gol típico de centro-avante. No bar, a reação da torcida foi o silêncio. O clima era de apreensão, já que os tricolores reconhecem que enfrentavam uma das melhores equipes do mundo.
Muitos relaxara, foram tirar fotos e aproveitar o momento de descontração entre amigos; outros roíam as unhas e mantinham os olhos fixos no telão.
Marcelo Victor/Correio do Estado88' - Mais um de Álvarez
O quarto gol veio a poucos minutos do fim da partida, e deixou ainda mais evidente a discrepância entre o futebol sul-americano e o futebol europeu.
Após troca de passes, do jeito que Guardiola gosta, Matheus Nunes tocou para Julián Álvarez dentro da área. O argentino dominou, tirou o zagueiro e chutou com força para balançar a rede.
Privilégio de jogar entre os maiores
O Fluminense enfrentou uma das equipes mais emblemáticas da Europa, que conquistou nesta temporada seu primeiro título da Liga dos Campões, sob o comando de Pep Guardiola e contando com a estrela de nomes como Erling Haaland e Kevin De Bruyne. Nem mesmo a ausência de ambos foi capaz de "abaixar o nível" do futebol apresentado pela equipe inglesa.
Apesar do resultado não ter sido o desejado, os torcedores reconheceram e destacaram a superioridade do adversário.
"O Fluminense não se adaptou à 'pegada' do time europeu. É outra realidade da que a gente está acostumado a viver. A gente está acostumado a jogar com times sul-americanos. Além disso, estamos na final da temporada, eles estão no meio, em outro ritmo. E os caras são muito feras, né?", avaliou Vinícius Portfílio.
Para Vinícius, a participação na competição foi "extremamente positiva", e, assim como os demais torcedores presentes no bar, ele mencionou que erguer a taça da Libertadores já foi suficiente para fechar o ano com chave de ouro.
"Meu sonho era ver o Fluminense sendo campeão da Libertadores. Eu fiz aniversário em novembro e ele me deu esse presente. Então eu já estou muito satisfeito. Mas a gente tem que aceitar que é uma barreira extremamente difícil, time do Brasil é difícil de passar [de time europeu]. A qualidade dos caras, o recurso que eles têm de treino, é tudo bem superior ao nosso", comentou.
O clima final era de curtição.
"Tô curtindo e tô extaziado, né? Tô aqui, tranquilo, na minha folga, então tem que curtir, o importante é você se divertir", concluiu.




