A três-lagoense Daiane Muniz foi a Árbitra de Vídeo (VAR) no jogo entre Corinthians e Palmeiras, na noite desta quinta-feira (27), que definiu o 31º título paulista para o lado alvinegro, mas com polêmicas que irritaram os dois lados.
O lance capital aconteceu aos 25 minutos do segundo tempo, quando Vitor Roque é lançado, vence Félix Torres na corrida, mas é atingido por um carrinho por trás do zagueiro equatoriano. Matheus Candançan, árbitro principal, prontamente assinalou o pênalti e não mostrou cartão amarelo para o defensor corintiano, o que seria o seu segundo e, consequentemente, seria expulso.
O Corinthians reclama que não foi pênalti, mas sim uma falta fora da área. Já o Palmeiras diz que, além da falta ser dentro da área, o que foi marcado, Félix deveria receber mais uma advertência, o que não aconteceu. Do minuto da marcação da penalidade até a cobrança, Abel Ferreira e sua comissão técnica ficaram indignados com a omissão do árbitro ao não mostrar o cartão ao zagueiro.
Durante um de seus gritos, o treinador teria falado ao quarto árbitro que “vocês têm que ver direito, é tudo contra nós, isso é absurdo, tais a roubar”, como relatado em súmula. Com isso, Matheus Candançan expulsou o português do jogo, que foi obrigado a assistir ao restante da partida no vestiário alviverde.
Mesmo com esse “rolo” todo, Daiane Muniz não sugeriu nenhuma revisão e o VAR não interrompeu o jogo, ou seja, se manteve a decisão de campo. Para “sorte” do quadro de arbitragem, Raphael Veiga perdeu o pênalti e Félix Torres faria mais uma falta dois minutos depois e, assim, também foi expulso.
Ainda nos minutos finais, o VAR finalmente foi acionado, após uma briga entre jogadores das duas equipes. Ao assistir filmagens da confusão, Matheus Candançan expulsou Marcelo Lomba, goleiro reserva do Palmeiras, e José Martinez, volante do Corinthians.
Não houve mais interrupções do Árbitro de Vídeo e o placar se manteve em 0x0, resultado que deu o título do Campeonato Paulista de 2025 ao Corinthians, o 31º de sua história.
Paulistão & Daiane
Com o fim deste Campeonato Paulista, Daiane Muniz também encerra sua participação na competição, atuando como VAR e árbitra principal em alguns jogos.
- Novorizontino 0 x 1 Ponte Preta (Paulistão)
- Portuguesa 1 x 2 São Paulo (Paulistão)
- Velo Clube 0 x 1 Mirassol (Paulistão)
- Inter de Limeira 1 x 1 RB Bragantino (Paulistão)
- Palmeiras 1 x 1 Corinthians (Paulistão)
- Ferroviária 2 x 2 Santo André (Paulistão)
- Portuguesa 2 x 2 Corinthians (Paulistão)
- São Paulo 1 x 2 Ponte Preta (Paulistão)
- Corinthians 2 x 0 Mirassol (Paulistão - Quartas de Final)
- Corinthians 0 x 0 Palmeiras (Paulistão - Final)
Além desses citados acima, Daiane também participou de um jogo da Copinha e dois da Série A2 do Paulistão. Agora, a três-lagoense deve atuar
Quadro FIFA
Na primeira semana de janeiro, Daiane Muniz foi indicada para compor o quadro da FIFA, federação máxima do futebol, de 2025.
A lista dos selecionados pela Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foi divulgada no último dia 06, com árbitros centrais, árbitros-assistentes e árbitros de vídeo (VAR) selecionados pela entidade.
Com essa designação, os profissionais presentes na lista estão aptos a para competições internacionais masculinas, femininas e de base. Os nomes foram enviados ao Comitê da FIFA, que vai analisar e, se tudo estiver certo, serão aprovados.
História
Árbitra FIFA desde 2018, Daiane iniciou sua carreira no Campeonato Sul-mato-grossense em junho de 2014, inclusive foi a primeira mulher a ser árbitra principal no estadual, no jogo entre Corumbaense e Maracaju, em 2020, mas mudou-se para São Paulo logo depois, tanto que hoje faz parte do quadro de arbitragem da Federação Paulista de Futebol (FPF).
A partir deste momento, ganhou reconhecimento nacional e comandou o VAR em vários jogos da primeira divisão nacional e chegou até a Copa do Mundo Feminina de 2023, disputada na Austrália, onde ela também trabalhou como assistente de vídeo.
No ano passado, ela também esteve no quadro de árbitros para comandar o VAR em Paris, durante a realização dos Jogos Olímpicos, chegando a apitar a final masculina, entre Espanha e França, e a disputa de bronze no feminino, entre Espanha e Alemanha.
Ainda, atuou na Copa do Mundo Feminina sub-17, onde também apitou a final, disputada entre Coreia do Norte e Espanha.