Esportes

DISPUTA POR VAGA

Mundial de Skate Park pode deixar brasileiros mais perto de Tóquio

Mundial de Skate Park pode deixar brasileiros mais perto de Tóquio

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Começa nesta quinta-feira (12), em São Paulo, o Campeonato Mundial de Park, uma das modalidades do skate que estarão na Olimpíada de Tóquio. A pista tem o formato que lembra o de uma piscina (chamada bowl), mas com obstáculos que permitem ao skatista emendar manobras.

"A pista do park envolve todos os tipos de transição, com referências do vertical, rampas mais baixas, obstáculos de rua... É como se fossem várias peças de Lego. Cada pista é diferente da outra, isso que é o mais legal", explica o paulista Murilo Neves, número 17 do mundo e 4º melhor brasileiro no ranking da World Skate, que é a federação internacional.

A competição reúne 160 atletas de 31 países e é o maior evento do ano na luta por vaga nos Jogos de 2020. O campeão acumula 80 mil pontos no ranking e o vice 64 mil — mais, por exemplo, do que leva o ganhador de uma etapa do Pro Tour, um circuito internacional da modalidade. Além disso, os skatistas mais bem colocados após o Mundial entrarão direto nas semifinais dos torneios que pontuem para Tóquio até maio, quando serão definidos os participantes olímpicos.

As disputas serão na pista do Parque Cândido Portinari, zona oeste da capital paulista, com entrada gratuita. O Brasil participa do torneio com vários candidatos ao título. O país tem quatro skatistas no top-20 feminino e cinco no masculino, sendo três entre os 10 primeiros.

"Estou numa boa posição, querendo ficar cada vez melhor. E (competir) no Brasil tem a vibe da galera que estará presente, torcendo. Estou um pouco nervoso, ansioso, mas, acredito que tudo dará certo", aposta o gaúcho Héricles Fagundes, nono do mundo e terceiro melhor brasileiro.

SONHO OLÍMPICO

O skate é uma das novidades do programa olímpico. Para Letícia Gonçalves, 41ª do mundo e 5ª brasileira mais bem colocada no ranking mundial, a visibilidade mudou desde que a modalidade foi confirmada em Tóquio.

"Surgiram bem mais meninas andando de skate de lá para cá. E não só patrocinadores de skate, mas de outras marcas, que não tinham a ver com a modalidade, passaram a ver o esporte com outros olhos, dando um suporte grande", conta a paulista.

O Brasil pode ter direito a 12 vagas nos Jogos: seis na modalidade street — cujo Mundial será semana que vem, também em São Paulo — e seis na park, com três homens e três mulheres em cada. Ou seja: possibilidade real de o país lutar por pódios 100% brasileiros em 2020.

"Somos potências muito fortes no skate. Se você pegar os 20 melhores do mundo, há ao menos oito brasileiros. Então, é possível de acontecer, sim", avalia Héricles.

JUVENTUDE NA PISTA

No feminino, as principais brasileiras são Yndiara Asp (7º), Isadora Rodrigues (11ª) e Dora Varella (14ª). Já no masculino, além de Héricles, estariam hoje a caminho de Tóquio Luiz Francisco, 3º do ranking da World Skate, e Pedro Barros (2º), oito vezes campeão mundial e referência para o "xará" Pedro Carvalho, 22º do mundo e atual número 5 do país.

"O Pedro (Barros) é uma inspiração grande. Ver ele andando, dando aéreos muito altos, manobras corridas... E é uma emoção grande porque eu lembro de ter uns 10 anos, assistindo vídeos dele, e hoje compartilhar um campeonato grande com ele é irado!", diz o catarinense, de 14 anos.

O detalhe é que Pedro nem será o mais jovem na pista na competição. Por exemplo: umas das favoritas ao título, a japonesa Misugo Okamoto, tem 13 anos e lidera o ranking mundial feminino de park. A presença de rostos cada vez novos anima Murilo, "veterano" de 23 anos. Mas ele alerta: a criançada deve encarar o Mundial e a disputa pela vaga olímpica sem pressão.

"Eles não podem entrar na competição com esse compromisso imediato. Ainda não estão nos auges físico e emocional. Acredito que elas têm que aproveitar o evento para curtir, serem felizes, ganharem experiência. Para mim, não tinha nada melhor que estar em um campeonato rodeado de caras mais velhos e poder aprender com eles. Sou eternamente grato", conclui.

SERVIÇO

A fase eliminatória do Mundial de Park será nesta quinta, a partir das 9h30. As quartas de final estão previstas para sexta-feira, com o feminino iniciando às 10h e o masculino às 14h45. No sábado, as mulheres vão à pista disputar as semifinais às 9h50 e voltam às 15h35 para a final. A semifinal masculina também será sábado, às 13h35, com a decisão domingo, às 10h15. O Parque Cândido Portinari fica na Avenida Queiroz Filho, 1365, na Vila Hamburguesa, em São Paulo.

nova política

Tifanny se pronuncia após regra que veta trans no vôlei: "Retrocesso"

A jogadora, de 41 anos, é a primeira transgênero a atuar na Superliga e afirmou que não desistirá de seguir jogando

16/08/2026 22h00

Tifanny defende a equipe do Osasco São Cristóvão Saúde

Tifanny defende a equipe do Osasco São Cristóvão Saúde Foto: Divulgação / Osasco

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A oposta Tifanny, que defende a equipe do Osasco São Cristóvão Saúde, manifestou-se, pela primeira vez, sobre a nova política de elegibilidade da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), que restringe a participação nas competições entre mulheres a atletas designadas com o sexo biológico feminino ao nascer.

A jogadora, de 41 anos, a primeira transgênero a atuar na Superliga, considerou um "enorme retrocesso" e afirmou que não desistirá de seguir jogando.

"A CBV está tirando tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que eu venho exercendo todos esses anos. Mas isso não afeta só a mim. Afeta o meu clube, a torcida, patrocinadores, as pessoas que se inspiram em mim e o direito de todas as pessoas trans. É um enorme retrocesso na luta pelo reconhecimento e pela inclusão. Voltamos para a forma vexatória como se testavam as atletas nos anos 60 e 70", disse Tifanny, em pronunciamento compartilhado pela assessoria de imprensa do Osasco.

"Não vou me calar e vou tomar todas as medidas possíveis para que a minha luta pelo direito à visibilidade, à inclusão e à prática do esporte não tenha sido em vão", emendou a oposta, que atua no vôlei feminino desde 2017 e foi campeã da Superliga em 2025, sendo a primeira trans a conquistar o principal torneio do país na modalidade.

O pronunciamento foi feito após a estreia do Osasco no Campeonato Paulista da modalidade, na noite do último sábado (15), em casa, no Ginásio José Liberatti, contra o Pinheiros.

Apesar dos 19 pontos de Tifanny, muito festejada pela torcida osasquense, as visitantes levaram a melhor e venceram por 3 sets a 2, com parciais de 25/21, 25/16, 21/25, 23/25 e 15/11, após pouco mais de duas horas de partida.

A participação da oposta no jogo, mesmo depois de a nova política da CBV ser anunciada, ocorreu após a Federação Paulista de Volleyball (FPV) informar que o Estadual seguiria o regulamento em vigor desde o início do torneio. Segundo a entidade, "eventuais medidas" serão tomadas "para as próximas competições [...] após análise e manifestação das áreas jurídica e de saúde".

O novo critério de elegibilidade foi anunciado pela CBV na última sexta-feira (14). Segundo a entidade, a meta é estar em conformidade com regras do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). De acordo com a confederação, as atletas deverão atender a critérios estabelecidos pela nova política, que incluem a apresentação de resultado negativo para o gene SRY.

Antes, mulheres trans podiam atuar desde que os níveis de testosterona sérica estivessem abaixo de determinado limite. A nova determinação é válida já para as edições deste ano da Superliga (nas duas principais divisões) e da Supercopa, além da Copa Brasil e do Circuito Brasileiro de vôlei de praia de 2027.

Masters 1000

João Fonseca estreia com vitória e agora enfrenta o 129º em Cincinnati

Fonseca já igualou a campanha do ano passado em Cincinnati, quando foi eliminado na terceira rodada pelo francês Terence Atmane

16/08/2026 15h30

João Fonseca

João Fonseca Julien Crosnier / Federação Francesa de Tenis (FFT)

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João Fonseca estreou com vitória em sua segunda participação no Masters 1000 de Cincinnati. Neste domingo, o tenista de 19 anos venceu Botic van de Zandschulp, da Holanda, por 2 a 0, parciais de 6/4 e 7/6 (7/2). Na próxima rodada, o brasileiro, 26º do ranking, tem um confronto teoricamente mais tranquilo e enfrenta o australiano Christopher O'Connell, apenas o 129º do mundo e que veio do qualifying.

Com a segunda vitória seguida em sua terceira partida contra Van De Zandschulp, número 59 do ranking, Fonseca já igualou a campanha do ano passado em Cincinnati, quando foi eliminado na terceira rodada pelo francês Terence Atmane, que ocupava a modesta 136ª colocação no ranking.

Nesta temporada, como cabeça de chave, o brasileiro folgou na primeira rodada e sofreu contra Van De Zandschulp a primeira quebra da partida, no terceiro game, mas conseguiu confirmar o break point na sequência e empatou em 2 a 2. O confronto ficou equilibrado, com os tenistas confirmando seus serviços até o 10º game, quando Fonseca conseguiu a quebra e fechou em 6/4.

No segundo set, o brasileiro conseguiu abrir uma vantagem de 4 a 1, mas permitiu a reação do adversário, que venceu três games seguidos e desperdiçou um break point no nono game. Os tenistas foram confirmando seus saques e a definição do set foi para o tie break. Fonseca começou o desempate com agressividade e logo abriu 4 a 0, depois só precisou administrar a vantagem para fechar em 7/2 e 2 a 0 em 1h47.

O'Connell chegou à terceira rodada passando pelo norueguês Cásper Ruud neste domingo no Masters 1000 de Cincinnati. O ex-vice-líder do ranking e atual 17º abandonou a partida com problema físico quando o placar marcava 7/5 e 2/1 para o adversário. Será a primeira partida entre Fonseca e O'Connell, que tem 32 anos.

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