Uma expedição científica no oceano Índico, em frente à costa da Ilha Maurício, identificou um tubarão nunca catalogado pela ciência. O animal foi recuperado entre 400 e 500 metros de profundidade durante uma operação de arrasto em águas profundas.
Um artigo publicado no Journal of the Ocean Science Foundation descreve a descoberta e amplia o catálogo dos chamados tubarões-lanterna, grupo marinho ainda pouco conhecido quanto ao comportamento e aos hábitos. Até agora, só existe um exemplar confirmado da nova espécie.
Um nome que vem do focinho
O animal recebeu o nome científico Etmopterus bulbosus, numa referência direta a um traço físico que chama atenção: um focinho grande e bulboso. A característica se destaca até mesmo entre os parentes do gênero, conhecidos por uma grande diversidade de formatos corporais.
As análises genéticas e morfológicas aproximam o novo tubarão de um grupo ligado ao E. pusillus, e há também pontos em comum com o E. sentosus, sobretudo por causa de uma região mais ampla de dentículos na pele, pequenas estruturas rígidas que cobrem o corpo desses animais.
O gênero Etmopterus já reúne 43 espécies catalogadas, a maioria delas habitantes de áreas profundas de difícil acesso para pesquisa direta.
Tamanho reduzido e cor incomum
O exemplar estudado é uma fêmea e mede apenas 21,5 centímetros do focinho até a cauda. A coloração mistura tons de marrom e preto com um leve matiz roxo, o que ajuda a diferenciá-la de outras espécies próximas.
Pelas dimensões reduzidas, o animal fica perto do tamanho do tubarão-lanterna-anão, tido como o menor tubarão já catalogado, com cerca de 21,2 centímetros de comprimento. A comparação exige cautela, já que a nova espécie só foi registrada a partir desse único indivíduo encontrado.
Luz própria nas profundezas
Boa parte dos integrantes do gênero Etmopterus possui fotóforos, células da pele capazes de emitir luz própria. Esse brilho natural costuma estar ligado a funções como atrair presas ou afastar predadores nas profundezas do oceano.
Viver em águas tão profundas pode funcionar como uma espécie de escudo contra a pesca comercial, que normalmente atua em camadas mais rasas. Entre as 43 espécies do gênero, a União Internacional para a Conservação da Natureza. Já avaliou 40 delas: 36 estão classificadas como de menor preocupação, três não têm dados suficientes e uma é considerada vulnerável.
O achado nas águas da Ilha Maurício reforça a ideia de que o fundo do Índico ainda guarda tubarões que a ciência nunca teve a chance de documentar.



