Mãos à obra

Após 46 anos de trabalho, ele se aposentou e está construindo casa com 20.000 latas e pneus usados

Esse é um projeto que segue os princípios da arquitetura Earthship

Julie Walker trabalhou 46 anos no teatro antes de investir suas economias em uma casa sustentável construída com materiais recuperados em Kansas, nos Estados Unidos. A obra combina 20.000 latas de alumínio recolhidas do Arrowhead Stadium, pneus usados e sistemas de energia solar para reduzir o consumo de recursos naturais durante sua aposentadoria.

O projeto segue os princípios da arquitetura Earthship, um tipo de construção que aproveita materiais reciclados e soluções passivas para diminuir a dependência de sistemas convencionais de climatização. Walker entrou em contato com a Earthship Biotecture e passou a participar da construção ao lado da equipe.

Materiais recuperados integrados à estrutura

As latas de alumínio coletadas do estádio dos Kansas City Chiefs não servem apenas para preencher espaços. Elas também integram diversos elementos construtivos, embora não substituam os componentes estruturais principais da casa.

Os pneus usados são preenchidos e compactados com diferentes materiais para formar muros que armazenam calor e moderam as variações de temperatura interna graças à sua massa térmica.

A estrutura será erguida com quatro bóvedas de concreto armado, parcialmente integradas ao terreno. Essa disposição busca combinar resistência e aproveitamento eficiente do espaço com desempenho energético, característica relevante em Kansas, região sujeita a tempestades e tornados.

Embora o projeto tenha sido pensado para oferecer proteção contra essas condições climáticas extremas, a segurança dependerá também da intensidade dos ventos, da fundação e da resistência das aberturas.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Água e energia: sistemas de autossuficiência

A casa incorporará painéis solares para gerar eletricidade e um sistema para captar água da chuva e da neve derretida. Os depósitos de armazenamento terão capacidade aproximada de 18.900 litros, suficiente para o uso doméstico cotidiano.

O projeto também prevê o reaproveitamento de águas cinzentas provenientes de chuveiros e pias. Após tratamento adequado, elas poderão irrigar plantas e ser reutilizadas em outras finalidades compatíveis.

Walker sonha em viver cercada de plantas e árvores frutíferas. Planeja cultivar bananeiras, figueiras e abacateiros, além de desenvolver uma horta em sua propriedade. A casa também terá um espaço interior dedicado ao cultivo de plantas. Walker indicou a intenção de morar no imóvel até os 110 anos e fazer da construção sustentável seu lar durante toda a aposentadoria.

Riscos do calor

El Niño acende alerta: calor extremo pode representar risco grave para quem tem doença cardíaca

Temperaturas globais podem ampliar o risco cardíaco

15/10/2026 08h49

Foto: Flickr/Pexels

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O El Niño, fenômeno climático que aquece as águas do Pacífico Equatorial, contribui para as temperaturas globais recordes e amplia o risco cardíaco. Quando o calor sobe demais, o coração de quem tem doença cardiovascular é submetido a um esforço perigoso.

Relatórios de cardiologistas de oito grupos da Sociedade Europeia de Cardiologia mostram que essa ameaça pode ser fatal e exige planejamento prévio. Nos últimos meses, o Super El Niño de 2026 se intensificou.

Em setembro, a temperatura da região central do Oceano Pacífico ficou 2,08 °C acima da média, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Foi o segundo maior valor mensal desde 1950.

Na costa da América do Sul, a anomalia foi ainda maior. Ao fim de setembro, a temperatura das águas ficou 4,5 °C acima do normal, apenas 0,1 °C abaixo do recorde histórico de 1983.

Por que o calor extremo ameaça o coração

Quando a temperatura sobe, o corpo tenta dissipar o calor. Para isso, desvia sangue para a pele, onde ele ajuda a eliminar calor pela transpiração. O coração então precisa bater mais rápido e bombear mais sangue para manter a pressão arterial estável.

Quem já tem doença cardíaca enfrenta essa demanda adicional com mais dificuldade, e o órgão debilitado pode não suportar o esforço extra.

Pesquisadores como Georgia Chaseling. Fisiologista cardiovascular da Universidade de Sydney, e Philip Moons, professor da Universidade de Leuven, apontam que 2024 foi o ano mais quente já registrado, 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. O aquecimento global torna as ondas de calor mais frequentes e intensas, criando um novo padrão de risco para pacientes cardíacos.

 

Preparação preventiva antes da crise

Especialistas recomendam incluir a proteção contra o calor extremo no acompanhamento de rotina, e não apenas em situações de emergência. Meses antes, profissionais de saúde precisam conversar com os pacientes sobre os riscos climáticos. E identificar os mais vulneráveis: idosos, pessoas socialmente isoladas ou com acesso limitado a informações sobre ondas de calor.

O plano deve incluir o monitoramento de medicamentos, do peso corporal e dos níveis de eletrólitos durante os períodos quentes. Também deve prever a verificação regular da pressão arterial em casa para quem tem hipertensão. Reabilitação cardíaca com exercícios adaptados ao clima e vigilância contínua de sinais de alarme, como tontura, confusão, falta de ar ou palpitações.

Pacientes não devem interromper nem alterar medicamentos cardiovasculares por conta própria por causa do calor. Os sistemas de saúde também precisam ampliar a capacidade de atendimento a emergências térmicas, com equipes preparadas e recursos para o aumento da demanda hospitalar.

Intensidade do fenômeno e seus reflexos regionais

O El Niño altera a circulação atmosférica global e muda os padrões de chuva e temperatura em várias regiões do Brasil. Os efeitos variam conforme a força do episódio e as condições atmosféricas locais.

Em outubro, a anomalia na faixa central do Pacífico atingiu 3,4 °C, atrás apenas do pico registrado em dezembro de 1982. O dado consolida 2026 como um ano de extremos climáticos sem precedente recente.

A combinação de um El Niño intenso com a vulnerabilidade cardíaca reforça a necessidade de os centros de saúde implementarem protocolos antes da chegada das ondas de calor. Ainda há lacunas importantes: não se sabe por que alguns pacientes são mais vulneráveis ao calor que outros.

Além disso, a maioria das pesquisas sobre medicamentos cardíacos e calor envolve voluntários jovens e saudáveis, não os idosos e frágeis que tomam esses remédios diariamente. Georgia Chaseling, fisiologista cardiovascular da Universidade de Sydney, defende traduzir o conhecimento científico em orientações práticas para profissionais, em vez de esperar pela emergência.

Quando não é seguro esperar pela primavera: pacientes que não podem aguardar

A recomendação geral é planejar com meses de antecedência, mas há exceções críticas. Pacientes socialmente isolados ou com acesso limitado a informações sobre ondas de calor não conseguem se preparar sozinhos e dependem da ação imediata de equipes de saúde domiciliar. Também é urgente atender quem não tem recursos para resfriar a casa ou acesso confiável a medicamentos.

Para esses grupos, a preparação não pode ficar restrita ao consultório. Hospitais e órgãos públicos precisam traçar planos específicos de alcance e vigilância muito antes da chegada do calor extremo, porque essas pessoas vulneráveis não têm "tempo sobrando" para se organizar.

Registro no gelo

Câmera desce 260 metros sob o gelo da Groenlândia e registra peixe nadando para trás

Comportamento é pouco documentado em estudos sobre a vida marinha em águas polares

15/10/2026 08h12

Foto: Jean-Christophe André/Pexels

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Uma câmera submarina instalada a 260 metros de profundidade sob o gelo do Ártico registrou, na Groenlândia, um peixe nadando de ré. O comportamento é pouco documentado em estudos sobre a vida marinha em águas polares.

A gravação está disponível no YouTube e foi analisada em um estudo publicado na revista científica PLOS One. O cenário escolhido para o experimento foi o fiordo glaciar de Inglefield Bredning, uma região de difícil acesso e pouco explorada pela ciência.

Um plano pensado para narvais

A equipe pretendia acompanhar o comportamento de narvais nessas águas geladas. Para isso, combinou uma câmera de vídeo com um hidrófono, aparelho que registra sons do ambiente submerso. O equipamento foi lançado em 1º de agosto de 2025 e recuperado em 9 de agosto, depois de permanecer cerca de três dias a 260 metros de profundidade.

A equipe escolheu a luz vermelha porque essa cor interfere menos no comportamento dos animais marinhos do que outras tonalidades. Assim, foi possível observar a fauna em condições mais próximas do natural e captar cenas espontâneas sem alterar a rotina das espécies que vivem naquela profundidade.

 

O achado que surpreendeu os cientistas

Além de narvais, a gravação revelou um peixe-babosa nadando de costas, movimento pouco documentado em pesquisas desse tipo. O animal se deslocou para trás enquanto parecia se deixar levar pela corrente, com a cauda curvada, e permaneceu imóvel por cerca de 16 segundos antes de sair do enquadramento.

Ao todo, foram capturados 223 vídeos, que também registraram medusas, vermes poliquetas, camarões e vários outros peixes.

O hidrófono acoplado à câmera também captou sons do ambiente marinho. Embora os narvais tenham aparecido apenas uma vez diante da câmera, foram a principal fonte de sons biológicos registrados durante quase todos os dias do experimento. O equipamento captou ainda ruído de motores de embarcações e crujidos produzidos por icebergs, sinais da complexidade sonora do ecossistema ártico.

Essa combinação de imagem e áudio deu à equipe uma visão mais completa do que ocorre nas profundezas, onde observações diretas são raras por causa da dificuldade de acesso.

Por que o local é tão especial

O fiordo de Inglefield Bredning fica em uma área remota da Groenlândia, coberta por gelo durante boa parte do ano. Essa condição torna qualquer expedição complexa, já que exige equipamentos resistentes ao frio extremo e capazes de operar sem manutenção humana direta por longos períodos.

Por isso, episódios como o do peixe nadando ao contrário raramente são documentados. Cada operação com equipamentos submersos oferece uma oportunidade de registrar comportamentos que poderiam passar despercebidos pela ciência.

O estudo publicado na PLOS One reforça o valor de métodos não invasivos, como câmeras com luz vermelha e hidrófonos, para entender a vida marinha em regiões polares pouco estudadas. A expectativa é que novas expedições no mesmo fiordo revelem outros comportamentos ainda desconhecidos sob o gelo da Groenlândia.

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