Um candidato a planeta orbita muito perto da anã branca HS 0209+0832, núcleo denso deixado após a morte de um astro parecido com o Sol. A composição química encontrada ao redor da anã branca não tem equivalente em nenhum objeto já catalogado no Sistema Solar, e o achado foi publicado na revista Nature Astronomy.
Um núcleo denso e extremamente quente
Quando um astro como o Sol chega ao fim do ciclo de vida, suas camadas externas se expandem e se dispersam pelo espaço, deixando apenas um núcleo compacto e muito quente. A HS 0209+0832 tem temperatura de cerca de 35.800ºC, e esse calor mostra a intensidade da energia liberada nesse estágio final.
Mais de 95% das estrelas da Via Láctea devem evoluir para se tornar anãs brancas, de acordo com o CNN Brasil.
Nem todo o material expelido nesse processo se perde no vazio. Parte dele pode permanecer em órbita e, aos poucos, se aglutinar até formar um novo corpo. Os cientistas chamam esse fenômeno de planeta de "segunda geração", em contraste com a formação clássica a partir de poeira e gás ao redor de um Sol recém-criado.
Química sem precedentes no espaço
Zinco, cobre e nióbio aparecem em concentrações elevadas na região observada, enquanto o silício é escasso e o ferro quase não existe. Nenhum planeta, asteroide ou meteorito conhecido reúne esses elementos nessa proporção, o que chamou a atenção da equipe responsável pela análise.
A hipótese ganhou força com outro dado: a variação de brilho captada por um telescópio espacial. A combinação entre esse sinal e a composição química sustentou a possibilidade de um planeta recém-formado.
O sinal captado pelo TESS
O telescópio espacial TESS registrou uma oscilação periódica no brilho do sistema, repetida a cada 4,4 dias — padrão que combina com a presença de um corpo massivo orbitando bem próximo do núcleo quente e sendo aquecido por sua radiação.
A hipótese mais forte é a de um planeta gigante, do tamanho de Júpiter, originado recentemente a partir do disco de restos deixado pela morte do astro. A radiação intensa estaria corroendo a atmosfera desse corpo, e os gases arrancados acabam capturados pela gravidade do núcleo denso — o que explicaria os elementos raros detectados.
Confirmação ainda depende de observação direta
Nenhum telescópio flagrou o objeto diretamente até agora, por isso ele segue classificado como candidato, não como planeta confirmado. A força da hipótese vem do cruzamento entre a química estranha e o padrão repetido de brilho.
O caso amplia a ideia de que sistemas planetários podem se formar também em fases tardias, muito depois do fim do ciclo ativo de um astro. Esse tipo de registro químico inédito pode ajudar outras equipes a identificar casos parecidos em futuras observações do mesmo telescópio.
Como os cientistas sabem que existe um planeta ali se ninguém viu?
O planeta não foi fotografado diretamente, mas deixa sinais indiretos. O telescópio TESS detectou que o brilho da anã branca diminui a cada 4,4 dias, de forma regular e previsível. Esse é o padrão esperado quando um objeto massivo passa em frente à estrela.
Além disso, a composição química ao redor da estrela — nióbio, cobre e zinco em concentrações elevadas — é diferente da encontrada em qualquer planeta ou asteroide conhecido no Sistema Solar. Esse padrão químico só faz sentido se a atmosfera de um gigante gasoso recém-formado estiver sendo despedaçada pela radiação e caindo na estrela.
A combinação dos dois sinais — o brilho periódico e a composição química incomum — sustenta a hipótese de que o planeta existe, mesmo sem uma imagem dele.


