Casos de infecção por um fungo extremamente perigoso que ataca o sistema nervoso central estão crescendo de forma acelerada nos Estados Unidos, de acordo com alerta emitido pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças do país. O número de registros da Cladophialophora bantiana, nome do fungo, multiplicou-se por quatro no intervalo entre 2023 e 2025, e os pesquisadores ainda não conseguiram identificar o que motivou esse salto.
Mesmo quando submetidos a tratamento intensivo, de 60% a 70% dos pacientes contaminados pelo patógeno acabam morrendo. Chama a atenção dos especialistas o fato de que, em metade dos casos registrados, os pacientes contaminados não tinham o sistema imunológico comprometido, o que foge do perfil normalmente associado a esse tipo de infecção. Ainda assim, a rota exata de transmissão continua desconhecida pelos pesquisadores.
Um aumento sem explicação
De 2009 a 2023, as detecções ocorriam de forma esporádica, oscilando entre um e cinco casos ao ano. O cenário mudou drasticamente: em 2024 foram registrados oito casos, número que saltou para 14 em 2025.
Quando cientistas analisaram amostras de tecido do sistema nervoso central, constataram um crescimento. Ainda mais impressionante — de 8,4 detecções por mil amostras em média entre 2017 e 2023 para 26 por mil em 2025, um aumento de 210%.
Pesquisadores da Universidade de Washington e dos CDC destacam que o salto reflete elevação real na circulação do fungo, não apenas mais encaminhamentos para análise.
Diagnóstico confundido e tratamento desafiador
Uma das maiores dificuldades enfrentadas pela medicina é que muitos casos são diagnosticados erroneamente como tumores cerebrais, retardando o tratamento correto e aumentando o risco de morte. Quando a infecção fúngica é finalmente identificada, o tratamento agressivo que se segue frequentemente não consegue curar o paciente.
Especialistas especulam que a via de infecção ocorra por inalação ou através de lesões na pele, seguida pela disseminação até o cérebro, onde forma um abscesso. No entanto, os fatores de risco específicos e a epidemiologia do fungo permanecem amplamente desconhecidos.
Joshua Lieberman, um dos autores do estudo, disse ao New York Post que mesmo indivíduos com sistema imunológico aparentemente saudável podem contrair a infecção e enfrentar risco elevado de morte, e classificou como preocupante o fato de a doença atingir pessoas fora dos grupos que costumam apresentar imunidade severamente comprometida.
Quando a infecção por Cladophialophora bantiana não segue o padrão esperado
O que mais intriga médicos é que metade dos pacientes infectados possui o sistema imunológico aparentemente saudável — saindo completamente do perfil tradicional de risco. Isso quebra a lógica comum de que infecções graves por fungos afetam principalmente pessoas com imunidade comprometida. Nesses casos, mesmo pacientes jovens ou sem doenças crônicas podem contrair a infecção e correr alto risco de morte, o que torna impossível usar os critérios habituais para identificar quem está em perigo.


