Em um ensaio publicado em agosto de 2026, Gates afirmou que a IA impulsionará avanços capazes de salvar vidas em medicamentos e vacinas, mas também facilitará o desenho de novas doenças mortais. O alerta resume a preocupação central de quem acompanha de perto o desenvolvimento dessas ferramentas há décadas.
Vacinas mais rápidas de desenvolver, diagnósticos mais precisos e uma defesa cibernética reforçada estão entre os avanços que a inteligência artificial pode trazer para a medicina.
Criminosos, não máquinas rebeldes
Gates considerou o bioterrorismo cerca de 50 vezes mais aterrador e provável do que o risco de uma pandemia natural. Em entrevista a Jake Tapper, da CNN, o cofundador da Microsoft afirmou que o verdadeiro risco agora está em outro lugar: nas mãos de quem decide usar essas ferramentas para fins criminosos.
A combinação de pessoas mal-intencionadas, sistemas sem proteção adequada e modelos cada vez mais avançados deve produzir consequências negativas inesperadas ao longo do próximo ano, segundo o empresário. Ele citou ataques de ransomware e manipulações em mercados financeiros como cenários prováveis.
Patógenos criados em um computador
Em 2017, durante uma conferência sobre segurança em Munique, ele já chamava atenção para a possibilidade de fabricar patógenos por meio de engenharia genética. Muito antes da atual onda de ferramentas de inteligência artificial generativa. Naquela ocasião, ele afirmou que a próxima epidemia teria boas chances de nascer na tela do computador de um terrorista, não da natureza.
Um risco que cresce junto com a tecnologia
Ferramentas que ajudam cientistas a simular proteínas e reações biológicas podem, em tese, ser usadas para desenhar organismos nocivos com menos esforço do que antes.
Esse tipo de risco não depende de um cenário de ficção científica com máquinas autônomas tomando decisões sozinhas. Basta que o acesso a sistemas avançados de IA chegue a grupos dispostos a explorar brechas de segurança ou a desenvolver algo prejudicial, sem supervisão nem controle adequados.
Enquanto laboratórios buscam vacinas mais rápidas com apoio de IA, a mesma tecnologia exige vigilância redobrada para evitar seu uso como instrumento de ameaças biológicas.
Se a IA é tão perigosa para criar doenças, por que não a proíbem?
Porque não é possível simplesmente desligar a tecnologia — os mesmos sistemas que criam o risco também salvam vidas ao acelerar a descoberta de vacinas e medicamentos. A questão real é quem tem acesso, como esses sistemas são monitorados e quais proteções existem contra o uso malintencionado.
O desafio está em manter os benefícios médicos enquanto se constrói defesas contra quem queira explorar a tecnologia para fins criminosos ou terroristas.
Segundo um estudo publicado na revista British journal of clinical pharmacology em 2024, pesquisas indicam que modelos de inteligência artificial usados em farmacologia poderiam ser desviados para facilitar a criação de substâncias prejudiciais, levantando preocupações sobre a adequação das regulações atuais para controlar esses riscos. Veja o estudo.


