Golpe

Ela alugou uma casa pelo Airbnb e vendeu todos os móveis do lugar em apenas um dia

Situação ocorreu em Balneário Rincão, Santa Catarina.

Em Balneário Rincão, Santa Catarina, uma mulher reservou uma casa pelo Airbnb para passar apenas uma noite e, antes mesmo de o prazo de saída se encerrar, já havia esvaziado o imóvel, retirando móveis e eletrodomésticos para revendê-los.

O valor obtido com a venda dos objetos a uma loja de móveis usados, R$ 3,8 mil, ficou muito aquém dos R$ 17 mil que o dono do imóvel estima que o conjunto valia. A Polícia Civil apura o caso. Para não despertar desconfiança enquanto retirava os pertences, a suspeita contou aos vizinhos que tinha acabado de comprar a casa.

Como a fraude foi descoberta

A estadia começou na manhã do dia 23 de setembro, e o check-out estava marcado para as 13h do dia seguinte. Quando o prazo passou sem resposta, o proprietário foi pessoalmente ao endereço conferir a situação.

Ao abrir a casa, encontrou o imóvel vazio. Entre os itens levados estavam duas camas box, quatro mesas de cabeceira, um sofá, três banquetas, um balcão de banheiro, uma TV de 32 polegadas, uma lava e seca e uma geladeira.

Ao conversar com os vizinhos, o proprietário obteve uma foto de um caminhão de mudanças usado na retirada dos objetos. Os moradores relataram que a suspeita havia se apresentado como a compradora recente do imóvel, numa tentativa de disfarçar a ação.

O proprietário localizou os móveis em publicações nas redes sociais de uma loja pertencente a um parente do dono do caminhão. As imagens mostravam os itens, que o dono da casa conseguiu recuperar.

Investigação e medidas tomadas

O homem que comprou os móveis na loja foi autuado por receptação culposa — quando não há comprovação de que conhecesse a ilicitude da mercadoria. Para a polícia, a mulher pode estar envolvida em outras tentativas de aplicar golpes, inclusive contra familiares.

O Airbnb suspendeu a conta usada para fazer a reserva enquanto o episódio é apurado. A Proteção contra Danos ao Anfitrião, oferecida em todas as hospedagens da plataforma, cobre prejuízos de até US$ 3 milhões em casos de danos ou furtos durante a estadia.

A investigação segue em andamento, e até a noite de 30 de setembro, a suspeita ainda não havia sido localizada.

Ciência e tecnologia

Robô completa maratona em 4h19min52s e mostra até onde as máquinas já conseguem correr

Tecnologia foi criada por engenheiros da Coreia do Sul.

01/10/2026 18h05

Foto: kinkate/Pixabay

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Um cão-robô sul-coreano terminou os 42,2 quilômetros da Maratona Anual de Caqui Seco de Sangju em 4 horas, 19 minutos e 52 segundos, tempo que o colocou à frente da média de corredores amadores na mesma prova.

O RAIBO2, criado por engenheiros da Coreia do Sul, completou a prova com uma única carga de bateria — feito que nenhum outro robô quadrúpede havia alcançado até então, segundo estudo publicado na revista Nature.

O destaque técnico da máquina não está em rivalizar com atletas de elite, mas em provar que um quadrúpede consegue manter esforço contínuo por 42,195 quilômetros sem interrupção de energia. Essa demonstração aponta o caminho para a próxima geração de máquinas dessa categoria, na qual a eficiência energética importa mais que a velocidade.

Por que a bateria durou toda a prova

Nos robôs quadrúpedes, conforme informou a revista Scientific American, dois terços da energia se transformam em calor nos motores e componentes eletrônicos, e o restante se dissipa no atrito das engrenagens. Essas perdas comprometem a autonomia, e a equipe sul-coreana conseguiu reduzi-las com mudanças estruturais precisas na máquina.

A equipe tornou cada perna mais leve e substituiu as placas do motor por versões com menor resistência elétrica. Usou o espaço economizado para encaixar uma bateria maior, combinada com motores capazes de gerar o mesmo torque com menos corrente.

A equipe também treinou a forma de caminhar com aprendizado por reforço. Os pés foram programados para pousar com suavidade, evitando escorregões e picos de temperatura que desperdiçassem energia durante o trajeto. Embora um operador humano o tenha orientado durante a maratona, o robô executou os movimentos de forma otimizada para minimizar o desperdício.

Com esses ajustes, o robô precisa de menos energia para carregar um quilograma por um metro do que um corredor humano médio.

O alcance que a eficiência energética proporciona

Comparado com outros quadrúpedes existentes, o RAIBO2 oferece mais de três vezes a autonomia por carga de bateria e pode percorrer aproximadamente 64 quilômetros com uma única recarga. Esse ganho de eficiência abre caminho para aplicações externas prolongadas, nas quais a duração da bateria é crucial, desde inspeções em terrenos acidentados até operações de resgate em ambientes remotos.

O recorde mundial oficial da maratona masculina pertence ao queniano Sabastian Sawe, que completou os 42,195 quilômetros da Maratona de Londres em 1 hora. 59 minutos e 30 segundos, em 26 de abril de 2026 — quase duas horas e meia mais rápido que a máquina sul-coreana.

A diferença mostra que o valor do RAIBO2 não está em superar atletas de classe mundial, mas em demonstrar que máquinas conseguem manter desempenho sustentado em distâncias que, até recentemente, eram inviáveis sem paradas para recarregar energia.

Ciência

Cientistas encontram novo 'oceano' a 700 km abaixo da superfície da Terra

A descoberta foi publicada em junho na revista Science.

01/10/2026 17h43

Foto: 강춘성/Pixabay

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Pesquisadores dos Estados Unidos identificaram um vasto acúmulo de água a 700 km de profundidade, enterrado na zona de transição do manto terrestre. A descoberta, publicada em junho na revista Science por equipes da Northwestern University e University of Southern California, sugere que parte da água dos oceanos atuais pode ter origem interna ao planeta.

O "oceano" subterrâneo não consiste em água líquida como conhecemos — trata-se de moléculas presas dentro da estrutura cristalina de minerais azuis chamados ringwooditas, que conseguem armazenar grandes quantidades de água misturada com rochas quentes do interior terrestre.

Os pesquisadores usaram 2.000 sismógrafos espalhados pelos Estados Unidos para analisar as ondas sísmicas de mais de 500 terremotos e detectar a presença dessa água em camadas profundas.

Como os cientistas fizeram a descoberta

As ondas sísmicas viajam através da Terra com velocidades que mudam conforme o tipo de rocha encontrada. Os pesquisadores notaram quedas bruscas nessa velocidade em certas profundidades — um indício de que um material mais leve, provavelmente água, estava presente nas rochas. Esse padrão revelou a presença de grandes quantidades de água armazenadas nas camadas profundas do manto.

A identificação dessa água subterrânea desafia a teoria que predominava há décadas na comunidade científica. A hipótese anterior propunha que toda a água terrestre teria chegado de fora — transportada por cometas que colidiram com o planeta em seus primeiros bilhões de anos de existência.

A nova pesquisa abre espaço para uma origem dual: parte da água viria realmente de impactos externos. Mas outra parte teria se infiltrado do interior do planeta ao longo de eras geológicas, ascendendo à superfície para formar os oceanos que observamos hoje.

Implicações para o ciclo da água planetário

Se toda a água armazenada nas ringwooditas e formações minerais do manto subisse à superfície de uma vez. O nível dos oceanos seria tão alto que apenas os picos das montanhas permaneceriam visíveis. Esse reservatório profundo desempenha um papel crucial na regulação do nível dos mares e na manutenção da estabilidade oceânica ao longo das eras geológicas.

O movimento das placas tectônicas cria um ciclo contínuo de água entre o manto. E a superfície: a água é levada para o interior da Terra junto com a crosta oceânica durante a subducção. E retorna à superfície através do vulcanismo e do derretimento do manto.

Esse processo, repetido milhões de vezes ao longo da história do planeta, contribui para a permanência dos oceanos e sustenta as condições necessárias para a vida.

Próximos passos da pesquisa

Os cientistas pretendem ampliar o estudo para outras regiões do mundo, coletando dados sismológicos adicionais que possam confirmar a existência de novos "oceanos" subterrâneos e aprofundar a compreensão sobre o ciclo profundo da água.

A capacidade de armazenamento das ringwooditas e outras formações minerais no manto representa uma das maiores reservas de água do planeta, cujas implicações ainda não foram totalmente desvendadas.

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