Um cão-robô sul-coreano terminou os 42,2 quilômetros da Maratona Anual de Caqui Seco de Sangju em 4 horas, 19 minutos e 52 segundos, tempo que o colocou à frente da média de corredores amadores na mesma prova.
O RAIBO2, criado por engenheiros da Coreia do Sul, completou a prova com uma única carga de bateria — feito que nenhum outro robô quadrúpede havia alcançado até então, segundo estudo publicado na revista Nature.

O destaque técnico da máquina não está em rivalizar com atletas de elite, mas em provar que um quadrúpede consegue manter esforço contínuo por 42,195 quilômetros sem interrupção de energia. Essa demonstração aponta o caminho para a próxima geração de máquinas dessa categoria, na qual a eficiência energética importa mais que a velocidade.
Por que a bateria durou toda a prova
Nos robôs quadrúpedes, conforme informou a revista Scientific American, dois terços da energia se transformam em calor nos motores e componentes eletrônicos, e o restante se dissipa no atrito das engrenagens. Essas perdas comprometem a autonomia, e a equipe sul-coreana conseguiu reduzi-las com mudanças estruturais precisas na máquina.
A equipe tornou cada perna mais leve e substituiu as placas do motor por versões com menor resistência elétrica. Usou o espaço economizado para encaixar uma bateria maior, combinada com motores capazes de gerar o mesmo torque com menos corrente.
A equipe também treinou a forma de caminhar com aprendizado por reforço. Os pés foram programados para pousar com suavidade, evitando escorregões e picos de temperatura que desperdiçassem energia durante o trajeto. Embora um operador humano o tenha orientado durante a maratona, o robô executou os movimentos de forma otimizada para minimizar o desperdício.
Com esses ajustes, o robô precisa de menos energia para carregar um quilograma por um metro do que um corredor humano médio.
O alcance que a eficiência energética proporciona
Comparado com outros quadrúpedes existentes, o RAIBO2 oferece mais de três vezes a autonomia por carga de bateria e pode percorrer aproximadamente 64 quilômetros com uma única recarga. Esse ganho de eficiência abre caminho para aplicações externas prolongadas, nas quais a duração da bateria é crucial, desde inspeções em terrenos acidentados até operações de resgate em ambientes remotos.
O recorde mundial oficial da maratona masculina pertence ao queniano Sabastian Sawe, que completou os 42,195 quilômetros da Maratona de Londres em 1 hora. 59 minutos e 30 segundos, em 26 de abril de 2026 — quase duas horas e meia mais rápido que a máquina sul-coreana.
A diferença mostra que o valor do RAIBO2 não está em superar atletas de classe mundial, mas em demonstrar que máquinas conseguem manter desempenho sustentado em distâncias que, até recentemente, eram inviáveis sem paradas para recarregar energia.




