Negócio

Empresa australiana paga R$ 3,5 bilhões por projeto de terras raras em Minas Gerais

Com a compra, a Lynas assume o controle do projeto Caldeira.

A mineradora australiana Lynas Rare Earths fechou um acordo para comprar a também australiana Meteoric Resources, negócio avaliado em cerca de A$ 968 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 3,5 bilhões pela cotação atual. Com a compra, a Lynas assume o controle do projeto Caldeira, em Minas Gerais, que reúne o que as empresas classificam como o maior volume já identificado de argila iônica rica em terras raras fora do território chinês.

O negócio foi divulgado nesta quinta-feira (1º), mas sua conclusão depende do cumprimento de uma série de condições prévias. Uma delas é o aval do CIMCE, o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, instância instituída pela lei de minerais críticos sancionada em setembro deste ano. A compra também depende da aprovação dos acionistas da Meteoric e de autorização judicial.

A homologação é exigida porque o projeto envolve direitos minerários de elementos considerados estratégicos para o país.

Como vai funcionar o pagamento

Não haverá pagamento em dinheiro: o negócio será concluído por meio de troca de ações. Cada acionista da Meteoric receberá 0,0207 ação da Lynas por cada ação da Meteoric que possui, o equivalente a A$ 0,286 por papel.

Esse valor representa um prêmio de 68,4% sobre o preço de fechamento das ações da Meteoric em 30 de setembro, usado como referência para calcular a oferta. Antes de qualquer transferência, os acionistas precisam aprovar os termos em assembleia, e a Justiça também terá que validar o acordo.

O potencial do projeto Caldeira

Segundo o estudo de viabilidade definitivo do empreendimento, a produção média anual estimada é de 3.862 toneladas de neodímio e praseodímio (NdPr) e 127 toneladas de disprósio e térbio (DyTb). As empresas classificam o Caldeira como o maior depósito já mapeado de terras raras associadas a argilas iônicas fora do mercado chinês.

O calendário prevê o envio de um documento detalhado aos acionistas em dezembro. A votação dos acionistas da Meteoric está marcada para janeiro de 2027. Março do mesmo ano é a data-limite estimada para fechar o negócio, caso todas as condições sejam cumpridas.

Como parte do acordo, a Meteoric terá acesso a uma linha de crédito de até A$ 110 milhões (cerca de R$ 396 milhões), concedida pela Lynas, destinada a bancar o avanço do Caldeira, cobrir gastos ligados à transação e suprir necessidades de capital de giro ao longo do processo. A primeira parcela, de A$ 35 milhões (aproximadamente R$ 126 milhões), estará disponível após a assinatura do acordo.

Por que as terras raras viraram alvo global

Os 17 elementos que compõem as terras raras são usados em celulares, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa. Eles não são escassos, mas o desafio é encontrar depósitos com concentração suficiente para viabilizar a extração em escala comercial.

Essa dificuldade explica por que o tema virou peça central de uma disputa que envolve tecnologia, energia limpa e indústria de defesa.

A China controla cerca de 70% da produção global e domina etapas estratégicas como o processamento do minério e a fabricação de ímãs. Essa concentração fez Estados Unidos e União Europeia correrem atrás de fornecedores alternativos para reduzir a dependência do mercado chinês.

O lugar do Brasil nessa disputa

Com reservas em Goiás, Bahia, Amazonas e Minas Gerais, o país ocupa a segunda posição mundial em volume de terras raras disponíveis. Esse potencial já apareceu nas conversas entre Brasil e Estados Unidos durante as tensões do tarifaço, quando representantes americanos sinalizaram interesse em comprar minerais estratégicos brasileiros.

O Instituto Brasileiro de Mineração destaca o Caldeira como um dos projetos mais relevantes do país no setor. Os preços ajudam a explicar o interesse das potências: o neodímio e o praseodímio chegam a € 55 o quilo, enquanto o térbio pode superar € 850 por quilo.

Em agosto, a americana USA Rare Earth já havia garantido US$ 1,55 bilhão para comprar a Serra Verde, mineradora que opera a mina Pela Ema, em Goiás. Parte desse valor veio diretamente do governo dos Estados Unidos. O movimento reforça como o Brasil se tornou peça-chave na corrida mundial por esses minerais.

Ciência e tecnologia

Robô completa maratona em 4h19min52s e mostra até onde as máquinas já conseguem correr

Tecnologia foi criada por engenheiros da Coreia do Sul.

01/10/2026 18h05

Foto: kinkate/Pixabay

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Um cão-robô sul-coreano terminou os 42,2 quilômetros da Maratona Anual de Caqui Seco de Sangju em 4 horas, 19 minutos e 52 segundos, tempo que o colocou à frente da média de corredores amadores na mesma prova.

O RAIBO2, criado por engenheiros da Coreia do Sul, completou a prova com uma única carga de bateria — feito que nenhum outro robô quadrúpede havia alcançado até então, segundo estudo publicado na revista Nature.

O destaque técnico da máquina não está em rivalizar com atletas de elite, mas em provar que um quadrúpede consegue manter esforço contínuo por 42,195 quilômetros sem interrupção de energia. Essa demonstração aponta o caminho para a próxima geração de máquinas dessa categoria, na qual a eficiência energética importa mais que a velocidade.

Por que a bateria durou toda a prova

Nos robôs quadrúpedes, conforme informou a revista Scientific American, dois terços da energia se transformam em calor nos motores e componentes eletrônicos, e o restante se dissipa no atrito das engrenagens. Essas perdas comprometem a autonomia, e a equipe sul-coreana conseguiu reduzi-las com mudanças estruturais precisas na máquina.

A equipe tornou cada perna mais leve e substituiu as placas do motor por versões com menor resistência elétrica. Usou o espaço economizado para encaixar uma bateria maior, combinada com motores capazes de gerar o mesmo torque com menos corrente.

A equipe também treinou a forma de caminhar com aprendizado por reforço. Os pés foram programados para pousar com suavidade, evitando escorregões e picos de temperatura que desperdiçassem energia durante o trajeto. Embora um operador humano o tenha orientado durante a maratona, o robô executou os movimentos de forma otimizada para minimizar o desperdício.

Com esses ajustes, o robô precisa de menos energia para carregar um quilograma por um metro do que um corredor humano médio.

O alcance que a eficiência energética proporciona

Comparado com outros quadrúpedes existentes, o RAIBO2 oferece mais de três vezes a autonomia por carga de bateria e pode percorrer aproximadamente 64 quilômetros com uma única recarga. Esse ganho de eficiência abre caminho para aplicações externas prolongadas, nas quais a duração da bateria é crucial, desde inspeções em terrenos acidentados até operações de resgate em ambientes remotos.

O recorde mundial oficial da maratona masculina pertence ao queniano Sabastian Sawe, que completou os 42,195 quilômetros da Maratona de Londres em 1 hora. 59 minutos e 30 segundos, em 26 de abril de 2026 — quase duas horas e meia mais rápido que a máquina sul-coreana.

A diferença mostra que o valor do RAIBO2 não está em superar atletas de classe mundial, mas em demonstrar que máquinas conseguem manter desempenho sustentado em distâncias que, até recentemente, eram inviáveis sem paradas para recarregar energia.

Ciência

Cientistas encontram novo 'oceano' a 700 km abaixo da superfície da Terra

A descoberta foi publicada em junho na revista Science.

01/10/2026 17h43

Foto: 강춘성/Pixabay

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Pesquisadores dos Estados Unidos identificaram um vasto acúmulo de água a 700 km de profundidade, enterrado na zona de transição do manto terrestre. A descoberta, publicada em junho na revista Science por equipes da Northwestern University e University of Southern California, sugere que parte da água dos oceanos atuais pode ter origem interna ao planeta.

O "oceano" subterrâneo não consiste em água líquida como conhecemos — trata-se de moléculas presas dentro da estrutura cristalina de minerais azuis chamados ringwooditas, que conseguem armazenar grandes quantidades de água misturada com rochas quentes do interior terrestre.

Os pesquisadores usaram 2.000 sismógrafos espalhados pelos Estados Unidos para analisar as ondas sísmicas de mais de 500 terremotos e detectar a presença dessa água em camadas profundas.

Como os cientistas fizeram a descoberta

As ondas sísmicas viajam através da Terra com velocidades que mudam conforme o tipo de rocha encontrada. Os pesquisadores notaram quedas bruscas nessa velocidade em certas profundidades — um indício de que um material mais leve, provavelmente água, estava presente nas rochas. Esse padrão revelou a presença de grandes quantidades de água armazenadas nas camadas profundas do manto.

A identificação dessa água subterrânea desafia a teoria que predominava há décadas na comunidade científica. A hipótese anterior propunha que toda a água terrestre teria chegado de fora — transportada por cometas que colidiram com o planeta em seus primeiros bilhões de anos de existência.

A nova pesquisa abre espaço para uma origem dual: parte da água viria realmente de impactos externos. Mas outra parte teria se infiltrado do interior do planeta ao longo de eras geológicas, ascendendo à superfície para formar os oceanos que observamos hoje.

Implicações para o ciclo da água planetário

Se toda a água armazenada nas ringwooditas e formações minerais do manto subisse à superfície de uma vez. O nível dos oceanos seria tão alto que apenas os picos das montanhas permaneceriam visíveis. Esse reservatório profundo desempenha um papel crucial na regulação do nível dos mares e na manutenção da estabilidade oceânica ao longo das eras geológicas.

O movimento das placas tectônicas cria um ciclo contínuo de água entre o manto. E a superfície: a água é levada para o interior da Terra junto com a crosta oceânica durante a subducção. E retorna à superfície através do vulcanismo e do derretimento do manto.

Esse processo, repetido milhões de vezes ao longo da história do planeta, contribui para a permanência dos oceanos e sustenta as condições necessárias para a vida.

Próximos passos da pesquisa

Os cientistas pretendem ampliar o estudo para outras regiões do mundo, coletando dados sismológicos adicionais que possam confirmar a existência de novos "oceanos" subterrâneos e aprofundar a compreensão sobre o ciclo profundo da água.

A capacidade de armazenamento das ringwooditas e outras formações minerais no manto representa uma das maiores reservas de água do planeta, cujas implicações ainda não foram totalmente desvendadas.

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