Curiosidades

Enquanto população brasileira é de 214 milhões, ilha da Espanha tem mais gatos do que pessoas

Nueva Tabarca é a menor ilha habitada do país.

Perto de Alicante, na costa espanhola, fica Nueva Tabarca, uma faixa de terra de 1.800 metros de comprimento onde moram cerca de 50 pessoas — número bem menor que o de gatos que circulam por lá. 

A título de comparação, a população brasileira é estimada em 214,2 milhões de habitantes, conforme os dados oficiais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ofuscada pela popularidade das Baleares, Nueva Tabarca é a menor ilha habitada do país, e seu passado remete a três continentes diferentes.

No trecho mais largo, a ilha chega a 400 metros, e essa escala reduzida ajudou a mantê-la afastada do avanço imobiliário que alterou outras partes da Costa Blanca. Embora pertença administrativamente a Alicante, a ilha recebe visitantes diariamente por meio de embarcações com casco transparente que partem do porto pesqueiro de Santa Pola.

Nueva Tabarca

A origem do nome remete a uma história iniciada do outro lado do Mediterrâneo, na costa da Tunísia. A ligação com o norte da África e a Itália ainda molda os costumes do pequeno povoado espanhol.

Dois terços do território permanecem intocados e pouco explorados, e desde 1986, quando a ilha se tornou a primeira reserva marinha da Espanha, essa área funciona como refúgio para a vida marinha.

De Tabarka a Nueva Tabarca

O prefixo "Nueva" no nome não é por acaso. Entre 1500 e 1800, a antiga ilha de Tabarka, na costa tunisiana, era rica em coral vermelho, um produto de alto valor comercial na época.

No século XVI, a família genovesa Lomellini obteve autorização dos governantes locais para explorar o coral. A comunidade formada ali reuniu 2 mil habitantes em meados do século XVIII, em sua maioria de origem genovesa.

O ataque que mudou tudo

Forças do Bei de Túnis invadiram a ilha original em 1741, escravizaram parte dos moradores e espalharam pânico pelo Mediterrâneo ocidental. Os reis da Espanha ofereceram abrigo aos sobreviventes e pagaram resgates para libertar os capturados.

Os sobreviventes que conseguiram fugir foram reassentados numa ilha árida batizada de Illa Plana, que recebeu o nome de Nueva Tabarca em homenagem à terra deixada para trás. Engenheiros militares projetaram um traçado urbano inspirado nas ideias iluministas da época, com ruas retas que convergem para uma praça central, e o desenho ainda é visível.

Uma muralha erguida ao redor do povoado servia de proteção contra ataques frequentes de piratas. Nem todo o grupo tabarquino seguiu para a Espanha: parte buscou refúgio na Sardenha, região em que foram acolhidos por determinação do rei Carlo Emanuele III de Savoia nas ilhas de San Pietro e Sant'Antioco, origem das vilas de Carloforte e Calasetta.

Descendentes mantêm tradições vivas

Os descendentes espalhados entre Espanha e Itália ainda falam o dialeto "tabarquino". Esse laço entre as três comunidades motivou iniciativas recentes de reaproximação cultural.

Representantes das comunidades tabarquinas se encontraram em Pegli, perto de Gênova, em 2024, reunindo cerca de 75 pessoas em torno das raízes comuns. Entre os participantes, chegou a surgir a proposta de levar a trajetória tabarquina ao reconhecimento da Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial.

Carmen Martí e José Manuel Pérez integram essa comunidade e preservam uma história que une Tunísia, Itália e Espanha em uma pequena ilha do Mediterrâneo.

Ciência

Novo estudo feito em 93 países revela uma ligação surpreendente entre gatos e felicidade

Análise foi publicada na revista científica PLOS One.

06/10/2026 14h03

Foto: Helena Lopes/Pexels

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Países com mais gatos domésticos tendem a registrar índices mais altos de felicidade, segundo uma análise de pesquisadores internacionais publicada na revista científica PLOS One. O levantamento cruzou dados de 93 países sobre a presença de felinos, o bem-estar da população e a circulação do Toxoplasma gondii, parasita transmitido principalmente por esses animais.

O parasita, que pode infectar até 1 em cada 3 pessoas, costuma ser inofensivo e não causa sintomas na maior parte dos casos. Em grupos mais vulneráveis, porém, já foi relacionado a quadros de ansiedade, depressão e esquizofrenia, e essa possível relação intrigou a equipe responsável pelo estudo.

Dois sinais que parecem se contradizer

Nações com maior concentração de gatos domésticos aparecem associadas a níveis mais elevados de satisfação com a vida. Ao mesmo tempo, lugares com maior circulação do Toxoplasma gondii na população mostram o padrão oposto, com índices de felicidade mais baixos.

A princípio, os dois resultados soam incoerentes, já que os felinos são os principais hospedeiros do parasita. Só que os próprios números do levantamento ajudam a destrinchar esse paradoxo: nos países com mais gatos por habitante, a exposição ao T, e gondii tende a ser menor, não maior.

Por que a conta não fecha como parece

A explicação passa longe de uma relação direta entre ter mais bichos de estimação e espalhar mais o parasita. Fatores econômicos ajudam a entender o cenário: em países mais ricos, famílias têm mais recursos para manter gatos dentro de casa, levá-los ao veterinário com regularidade e alimentá-los com ração industrializada em vez de deixá-los caçar.

Esse conjunto de hábitos reduz as chances de contaminação, já que o contato com presas infectadas é uma das principais formas de transmissão do parasita. A China ilustra bem essa complexidade: o país reúne um índice de felicidade relativamente alto mesmo tendo uma densidade de gatos menor do que a maioria das outras nações analisadas.

O que os autores pedem cautela

O biólogo Javier I, e borráz-León, do Instituto Nacional de Psiquiatria Ramón de la Fuente Muñiz, no México, argumenta que o cuidado com os animais, o saneamento. E as condições socioeconômicas de cada país pesam tanto quanto o simples número de gatos na equação.

Para ele, essa combinação de fatores derruba a ideia simplista de que mais felinos significa automaticamente mais exposição a parasitas.

Os pesquisadores reforçam que os resultados dizem respeito a comparações entre países, não a histórias individuais de quem convive com um gato em casa. Não é possível, a partir desses dados, afirmar que adotar um felino torna alguém mais feliz ou que contrair toxoplasmose reduz o bem-estar de uma pessoa específica.

Próximos passos da pesquisa

Para entender melhor essas relações, os cientistas defendem que trabalhos futuros acompanhem indivíduos ao longo do tempo, comparando diretamente donos de gatos com pessoas que não possuem gatos. Essa abordagem ajudaria a isolar efeitos que hoje aparecem apenas em médias nacionais.

No artigo publicado, a equipe defende que investigações futuras sobre felicidade combinem explicações econômicas e sociais com variáveis biológicas, unindo diferentes áreas do conhecimento para entender os mecanismos por trás desses números.

Tecnologia

Robôs com quase 3 metros de altura vão lutar no Japão, e atração chama atenção do público

A partir de 15 de outubro, experiência terá endereço fixo em Tóquio.

06/10/2026 13h44

Foto: Soly Moses/Pexels

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Registros de um confronto entre duas estruturas robóticas gigantes tomaram conta das redes sociais nos últimos dias, feitos por quem presenciou a cena. Quem está dentro de cada estrutura comanda os próprios braços e pernas, e o exoesqueleto reproduz esses gestos em dimensões muito maiores, como se fossem de um robô de verdade.

O resultado lembra uma luta saída diretamente de um jogo eletrônico ou de um anime japonês. A partir de 15 de outubro, essa experiência terá endereço fixo em Tóquio, dentro de um shopping na orla de Odaiba.

Como funciona o exoesqueleto por trás da luta

Por trás do equipamento está a empresa japonesa Skeletonics, dona de um sistema patenteado conhecido como "estrutura tridimensional de elos fechados", capaz de transferir para a armação metálica, em tempo real, cada movimento feito pelos braços e pernas de quem está operando a máquina.

Nada ali se move sozinho: o robô só avança, soca ou recua porque a pessoa dentro dele fez exatamente aquele gesto primeiro.

Um minuto costuma bastar para vestir o equipamento, segundo a fabricante, sem exigir qualquer preparo prévio. O modelo pensado para combates, batizado SKELETONICS FIGHTER, chega a 2,2 metros de altura e pesa 30 quilos — já as versões maiores da linha ultrapassam os 3 metros.

O que o visitante encontra no parque

Instalado na região de Minato, o THE ROBOT PARK ODAIBA fica no sexto piso do shopping Aqua City Odaiba. A principal atração é o ROBOT FIGHT, em que dois competidores vestem as estruturas. E se enfrentam com regras dos jogos de luta: barra de energia visível, golpes especiais e sensores que registram cada impacto em tempo real.

A plateia também participa — dispositivos próprios permitem que o público interfira na disputa e ajude seu competidor favorito durante o combate.

Quem prefere não lutar pode experimentar o ROBOT RIDE, pilotando um Skeletonics de cerca de 3 metros para empunhar uma espada ou arremessar uma bola. Outra opção é o Cyber KASSEN, modalidade com espadas de material macio e sensores embutidos.

Da oficina de testes ao ponto turístico

Antes de chegar a Odaiba, a experiência rodou numa unidade de desenvolvimento em Hachioji, onde mais de 7 mil pessoas, entre elas turistas estrangeiros, já haviam testado os robôs. Há também uma oficina de montagem, em que o visitante monta estruturas próprias usando peças de alumínio.

O passe de 30 minutos sai por 2 mil ienes, cerca de R$ 70. Para 60 minutos, a tarifa é de 3 mil ienes, aproximadamente R$ 105. Já o pacote de 90 minutos custa 4 mil ienes, por volta de R$ 140.

Odaiba foi escolhida porque concentra um dos fluxos turísticos mais intensos de Tóquio. A instalação dos robôs ali amplia o alcance de um projeto que até então estava restrito a uma única oficina, e combates entre robôs gigantes já viraram espetáculo internacional antes.

Em 2017, o Guinness World Records já havia reconhecido um confronto entre o japonês Kuratas e o americano Eagle Prime como o maior combate entre robôs já registrado, somando as duas máquinas 14,5 toneladas.

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