John Alliston, comandante condecorado da Marinha Real britânica, desembarcou em Three Hummock Island em 1951 com a esposa, Eleanor, e três filhos, em busca de uma vida autossuficiente. A ilha de 7.400 hectares no estreito de Bass, na Austrália, não tinha ruas, cais, e nem mesmo eletricidade — apenas construções precárias deixadas por ocupantes anteriores.
Pouco depois, nasceu a quarta filha, Ingrid, e a família enfrentou desafios que moldaram sua vida naquele território isolado. Para sobreviver, precisou construir abrigos, recolher água da chuva, cortar lenha para se aquecer e usar lampiões a querosene à noite.
Rotina moldada pelo isolamento
O dia a dia girava em torno da criação de ovelhas e gado. As marés e o calado dos barcos vindos da Tasmânia determinavam quando os suprimentos chegavam e quando a lã produzida saía da ilha. Em emergências, a família precisava contornar esses desafios logísticos sozinha.
John Alliston abriu uma faixa de terreno e construiu uma pista rudimentar para receber pequenos aviões. Os quatro filhos estudaram em casa por quase dez anos, por meio de programas por correspondência e com materiais enviados por navio. Depois, foram internados na Tasmânia para completar o ensino médio.
Eleanor documentou essa vida em dois livros: Escape to an Island (1966) e An Island Affair. As obras registraram o cotidiano rural, o trabalho com animais e as dificuldades de viver tão isolado.
Da pecuária à proteção ambiental
A criação de gado dos Alliston alterou a paisagem local. Um estudo publicado na Royal Society of Tasmania identificou 289 espécies de plantas vasculares na ilha, das quais 60 eram introduzidas, além de seis espécies nativas raras ou vulneráveis.
A partir da década de 1970, as políticas de proteção ambiental ganharam força na região, levando o governo australiano a declarar a área reserva natural em 1978.
O gado foi retirado gradualmente para proteger colônias de aves e a vegetação nativa. Em 2001, o território recebeu a designação de Reserva Estadual. Eleanor faleceu em 2003, e John, um ano depois.
Os descendentes mantiveram a propriedade até 2006, quando terminou o contrato de arrendamento com o Estado de Tasmânia, após 55 anos de permanência da família. A ilha passou à gestão do serviço de parques nacionais, e a maior parte do território ficou sob proteção integral.


