Astronomia

Nuvem de 1.800 km surge perto de Marte e desaparece em menos de 24 horas

Descoberta foi publicada na revista Nature Geoscience.

A Nuvem Alongada de Arsia Mons surge todas as manhãs perto do vulcão. E se dissolve ao longo do dia, em um ciclo que desafia o conhecimento tradicional sobre a formação de nuvens.

A Nuvem Alongada de Arsia Mons, batizada de AMEC, chega a 1.800 km de comprimento, mas tem menos de 200 quilômetros de largura. Ela aparece durante a primavera e o verão do hemisfério sul marciano.

A descoberta, publicada na revista Nature Geoscience em 7 de outubro, revela um mecanismo atmosférico raro que explica como o gelo se forma na atmosfera marciana sem a necessidade dos grãos de poeira que normalmente catalisam esse processo na Terra. Os pesquisadores combinaram observações da sonda Mars Express, da Agência Espacial Europeia, com simulações computacionais que confirmaram sua hipótese.

Como o ar subindo cria o gelo

O vulcão Arsia Mons, com aproximadamente 20 km de altura, faz o ar subir quando os ventos passam por ele. Durante a ascensão, a temperatura cai rapidamente — cerca de 30 °C em dez minutos — e transforma o vapor de água em cristais de gelo que formam a estrutura visível.

Nesse processo, o gelo se forma por nucleação homogênea. Ao contrário do que ocorre nas nuvens convencionais, o vapor de água gera partículas de gelo espontaneamente, sem depender de grãos de poeira ou de outras partículas preexistentes. A supersaturação do vapor na atmosfera marciana cria as condições precisas para isso.

Confirmação por meio de modelos computacionais

Os cientistas incorporaram esse mecanismo às simulações da atmosfera marciana e reproduziram as características observadas da nuvem. O modelo computacional ainda tem limitações: reproduz a maioria dos aspectos do fenômeno, mas não captura perfeitamente todos os detalhes das observações.

A inclusão da nucleação homogênea foi determinante para que as simulações explicassem aspectos que os modelos convencionais não conseguiam reproduzir. Esse avanço reforça a hipótese de que esse mecanismo desempenha um papel importante na dinâmica das nuvens marcianas e pode ocorrer em outros contextos planetários.

Implicações para entender Marte e além

A nucleação homogênea era teoricamente viável em certas condições atmosféricas, mas sua demonstração em ambientes naturais era rara. Os resultados ampliam o conhecimento sobre o comportamento da água em Marte e permitem investigar a formação de nuvens em diferentes ambientes planetários.

A descoberta também pode contribuir para a compreensão dos processos atmosféricos em outros planetas, segundo destacou a pesquisadora Milena Corcos em comentário publicado na mesma edição da Nature Geoscience.

Por que a nuvem desaparece durante o dia

A nuvem se forma pela manhã e se dissolve de maneira previsível ao longo do dia. Isso ocorre porque as condições de formação não persistem: conforme o sol aquece a superfície de Marte. A temperatura da atmosfera sobe, e o gelo recém-formado evapora e volta a ser vapor de água.

O ciclo depende dessa oscilação térmica diária, que faz a estrutura se formar e desaparecer em poucas horas.

O processo é reversível porque a nucleação homogênea funciona apenas em condições muito específicas, com temperatura extremamente baixa e umidade muito elevada. Quando a temperatura sobe novamente, essas condições desaparecem, e o gelo retorna ao estado de vapor. O ciclo se repete diariamente durante a primavera e o verão marcianos.

História

Arqueólogos encontram na Turquia um navio que afundou há quase 5 mil anos

Casco da embarcação desapareceu completamente com o tempo.

15/10/2026 13h28

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Um navio que naufragou há aproximadamente 4.700 anos foi localizado perto da Ilha de Kekova, na costa sul da Turquia, e pode ser a embarcação mais antiga já descoberta pela arqueologia. A embarcação estava a cerca de 30 metros de profundidade no Mar Mediterrâneo, onde mergulhadores recuperaram mais de 30 ânforas de cerâmica e três grandes âncoras de pedra.

Como a madeira não foi preservada, o casco da embarcação desapareceu completamente com o tempo. O navio tinha cerca de 10 metros de comprimento, e ainda assim, as peças encontradas guardam pistas valiosas sobre a carga que transportava e a época em que navegou.

Como os arqueólogos dataram o navio

Sem madeira para fazer a datação por radiocarbono, a equipe comparou o formato e os detalhes decorativos das ânforas — recipientes antigos com duas alças laterais usados para armazenar e transportar mercadorias. O estilo desses vasos se assemelha ao de peças já catalogadas no Egito e no Oriente Médio e datadas entre 4.400 e 4.700 anos.

Essa comparação visual e estilística permitiu aos pesquisadores situar o naufrágio no início da Idade do Bronze, período em que o comércio marítimo já conectava diferentes regiões do Mediterrâneo. Algumas das ânforas ainda contêm vestígios do conteúdo original, e os arqueólogos trabalham para confirmar se o resíduo é realmente da carga inicial ou resultado da reutilização dos recipientes.

Rede comercial da antiguidade

A análise das peças indica que produtos como azeite de oliva e vinho eram transportados entre portos distantes em ânforas fabricadas no Vale do Jordão. As evidências apontam para uma rede de trocas já consolidada há quase cinco mil anos e documentam relações comerciais anteriores a muitos dos registros marítimos conhecidos atualmente.

Se a datação se confirmar, o navio ocupará o topo da lista dos naufrágios mais antigos do mundo, à frente da embarcação encontrada perto da ilha grega de Dokos, com 4.200 anos. A descoberta cria uma nova referência para entender como os povos antigos navegavam e comerciavam pelo Mediterrâneo.

Por que o estilo das ânforas revela a Idade do navio

Os arqueólogos não conseguiram usar o radiocarbono porque não havia madeira preservada. Por isso, compararam o formato e a decoração das ânforas encontradas com os de outras peças já estudadas. As ânforas de Kekova têm características específicas — duas alças, uma saliência no meio.

E base plana — que correspondem às de vasos descobertos no Egito e no Oriente Médio e datados entre 4.400 e 4.700 anos.

A técnica funciona porque os estilos de cerâmica mudam ao longo do tempo. Ao reconhecer o desenho e as técnicas de decoração, os pesquisadores conseguem associar o objeto a um período específico da História — neste caso, o início da Idade do Bronze. Quanto mais peças semelhantes encontram espalhadas pelo mundo, maior é a confiança na datação.

Ciência

Fungo mortal que pode atingir o cérebro se espalha, e cientistas ainda tentam entender o motivo

Casos estão crescendo nos Estados Unidos.

15/10/2026 13h01

Foto: Artem Podrez/Pexels

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Casos de infecção por um fungo extremamente perigoso que ataca o sistema nervoso central estão crescendo de forma acelerada nos Estados Unidos, de acordo com alerta emitido pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças do país. O número de registros da Cladophialophora bantiana, nome do fungo, multiplicou-se por quatro no intervalo entre 2023 e 2025, e os pesquisadores ainda não conseguiram identificar o que motivou esse salto.

Mesmo quando submetidos a tratamento intensivo, de 60% a 70% dos pacientes contaminados pelo patógeno acabam morrendo. Chama a atenção dos especialistas o fato de que, em metade dos casos registrados, os pacientes contaminados não tinham o sistema imunológico comprometido, o que foge do perfil normalmente associado a esse tipo de infecção. Ainda assim, a rota exata de transmissão continua desconhecida pelos pesquisadores.

Um aumento sem explicação

De 2009 a 2023, as detecções ocorriam de forma esporádica, oscilando entre um e cinco casos ao ano. O cenário mudou drasticamente: em 2024 foram registrados oito casos, número que saltou para 14 em 2025.

Quando cientistas analisaram amostras de tecido do sistema nervoso central, constataram um crescimento. Ainda mais impressionante — de 8,4 detecções por mil amostras em média entre 2017 e 2023 para 26 por mil em 2025, um aumento de 210%.

Pesquisadores da Universidade de Washington e dos CDC destacam que o salto reflete elevação real na circulação do fungo, não apenas mais encaminhamentos para análise.

Diagnóstico confundido e tratamento desafiador

Uma das maiores dificuldades enfrentadas pela medicina é que muitos casos são diagnosticados erroneamente como tumores cerebrais, retardando o tratamento correto e aumentando o risco de morte. Quando a infecção fúngica é finalmente identificada, o tratamento agressivo que se segue frequentemente não consegue curar o paciente.

Especialistas especulam que a via de infecção ocorra por inalação ou através de lesões na pele, seguida pela disseminação até o cérebro, onde forma um abscesso. No entanto, os fatores de risco específicos e a epidemiologia do fungo permanecem amplamente desconhecidos.

Joshua Lieberman, um dos autores do estudo, disse ao New York Post que mesmo indivíduos com sistema imunológico aparentemente saudável podem contrair a infecção e enfrentar risco elevado de morte, e classificou como preocupante o fato de a doença atingir pessoas fora dos grupos que costumam apresentar imunidade severamente comprometida.

Quando a infecção por Cladophialophora bantiana não segue o padrão esperado

O que mais intriga médicos é que metade dos pacientes infectados possui o sistema imunológico aparentemente saudável — saindo completamente do perfil tradicional de risco. Isso quebra a lógica comum de que infecções graves por fungos afetam principalmente pessoas com imunidade comprometida. Nesses casos, mesmo pacientes jovens ou sem doenças crônicas podem contrair a infecção e correr alto risco de morte, o que torna impossível usar os critérios habituais para identificar quem está em perigo.

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