Guerra?

Não bastasse guerras na Terra, EUA e Rússia iniciam conflito espacial

Denúncia foi apresentada na ONU no dia 21 de outubro

Os EUA acusaram a Rússia de usar o satélite militar Kosmos 2.612 para perseguir o satélite comercial Iceye-X36, numa operação que Washington interpreta como uso de armas em órbita. A denúncia foi apresentada na ONU na última quarta-feira, 21 de outubro.

A tensão cria um novo front que afeta diretamente a segurança dos países ocidentais. Os exércitos dependem cada vez mais de satélites comerciais para vigilância e comunicação, e a Rússia já demonstrou capacidade de se acoplar a qualquer alvo orbital e permanecer junto dele.

O satélite sob perseguição

O Iceye-X36 é um satélite radar que captura imagens das posições militares russas para a Ucrânia. Pesa cerca de 90 quilos e é operado por uma empresa de origem finlandesa com filial nos EUA. Desde 2022, a empresa fornece dados de inteligência para Kiev, tornando seus satélites alvos diretos da estratégia russa de intimidação.

O Kosmos 2.612 decolou em abril de Plesetsk junto com outros cinco satélites militares. A aproximação começou em 30 de setembro, e entre 16 e 18 de outubro, o satélite russo permaneceu a poucos quilômetros do alvo. Durante doze horas, ficou a menos de um quilômetro, com a distância mínima variando entre 150 e 650 metros, segundo o rastreamento.

Diplomatas americanos denunciaram o comportamento como deliberadamente temerário e perigoso. Cada aproximação força o satélite a queimar combustível para se esquivar, numa guerra de desgaste que pode acabar com sua vida útil.

 

Acusação, negação e ameaça

Na Assembleia Geral da ONU, o subsecretário de Estado Thomas DiNanno e Brian Hardesty, do Departamento de Estado, levaram a acusação à Primeira Comissão, responsável pelo desarmamento. Os EUA prometeram defender seus interesses no espaço, a partir dele e em direção a ele, numa demonstração de que estão dispostos a enfrentar a Rússia também em órbita.

Moscou negou todas as acusações de comportamento ameaçador e disse que a atividade do satélite Kosmos 2.612 é puramente pacífica. O vice-chefe da delegação russa, Konstantin Vorontsov, classificou as denúncias como absurdas ao falar ao El Confidencial.

Porém, o mesmo diplomata já havia alertado, em 2022, que satélites comerciais que ajudam a Ucrânia poderiam ser "alvo legítimo de um ataque de represália". A declaração contrasta com a negativa atual de que a atividade russa seja ameaçadora.

A resposta russa veio com um contra-argumento: em setembro, o secretário da Força Aérea dos EUA, Troy Meink, reconheceu que Washington já possui armas de controle espacial em órbita. A Rússia usou essa admissão como escudo diplomático, invertendo a posição de acusado.

Avisos e demonstrações de força

O jornal estatal russo Rossiyskaya Gazeta publicou um artigo do coronel aposentado Yuri Knutov, que descreveu as manobras do Kosmos 2.612 como instrumento de dissuasão estratégica. Segundo Knutov, Moscou demonstra que pode cegar ou, no mínimo, identificar as fontes de ameaça. Tanto o Starlink quanto a empresa Iceye são tratados como ferramentas de inteligência da OTAN.

A ameaça vai além da retórica: o Kosmos 2.612 fez manobras intencionais a distância perigosa do satélite comercial Iceye-X36. O governo russo também avisou que qualquer satélite comercial de uma empresa que ajude a espionar a Rússia pode estar sujeito a uma inspeção forçada em órbita.

O Kosmos 2.612 se retirou no domingo, 18 de outubro, mas retornou na mesma noite para voltar à altura do Iceye-X36, indicando que a perseguição não terminou. Os satélites russos Kosmos 2611 e 2613 compartilham o plano orbital com o Iceye-X37, e há possíveis cruzamentos em 6 e 15 de novembro.

Starlink, que fornece conectividade à Ucrânia, está explicitamente na mira. Não há registro de danos ao Iceye-X36, e os dados orbitais não mostram alterações bruscas em sua trajetória. O conflito que começou na Terra ganhou uma nova dimensão. As manobras do Kosmos 2.612 funcionam como avisos — assim como os voos militares russos que desafiam o espaço aéreo da OTAN.

Washington respondeu com a mesma firmeza: não cederá o domínio do espaço, e suas empresas continuarão operando. Rússia, por sua vez, deixou claro que qualquer instrumento usado contra ela será considerado alvo legítimo, e a guerra espacial, silenciosa e invisível, já começou.

Por que as empresas que vendem imagens estão agora na linha de frente

Até agora, empresas comerciais tratavam a operação de satélites como um negócio como outro qualquer. Mas a perseguição ao Iceye-X36 mostra que fornecer dados de inteligência a um lado de um conflito pode levar o outro a perseguir o equipamento no espaço.

Empresas privadas que ajudam países em guerra, portanto, precisam considerar ameaças militares orbitais um risco real do negócio, não apenas uma hipótese teórica.

Nova vitória

A frase profética de Lula de 1988 que viralizou após vitória na Eleição de 2026

Na época, seu cargo era de dirigente sindical e deputado da Assembleia Nacional Constituinte

27/10/2026 08h16

Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil

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Uma reflexão de Lula da Silva, proferida em 1988, ganhou novo impulso após sua vitória nas eleições de 2026 contra Bolsonaro. Na época, o dirigente sindical e deputado da Assembleia Nacional Constituinte afirmou que, no Brasil, quando um pobre rouba, vai preso, enquanto, quando um rico rouba, vira ministro.

Dita no contexto de efervescência política após o fim do regime militar, a frase denunciava os pactos de impunidade e a proteção institucional da oligarquia dominante. Inicialmente um argumento em defesa da justiça social, essas palavras adquiriram significado dramático décadas depois, quando eventos políticos e judiciais as transformaram em arma de debate eleitoral.

O bumerangue de 2016

Em março de 2016, durante a crise política que cercava a presidente Dilma Rousseff, Lula recebeu a nomeação formal para o cargo de ministro da Casa Civil, responsável pela chefia do gabinete ministerial. A oposição interpretou a decisão como uma estratégia para obter foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal, o que tiraria as investigações dos juízes de Curitiba.

Horas depois, redes sociais e redações resgataram a frase de 1988. A ironia era contundente: o próprio líder que denunciara a impunidade dos poderosos aceitava uma pasta ministerial sob suspeitas de corrupção. A Justiça suspendeu a nomeação antes de a crise precipitar a queda de Rousseff e, posteriormente, o encarceramento de Lula em 2018.

 

Prisão, anulação e retorno político

Lula permaneceu 580 dias na sede policial de Curitiba, período que consolidou o relato lulista de perseguição jurídica. O Supremo Tribunal Federal anulou posteriormente todas as condenações, sob o argumento de falta de imparcialidade processual na condução dos casos.

Nas disputas eleitorais de 2022 e 2026, a frase ressurgiu como combustível discursivo. Para o lulismo, o retorno ao Palácio do Planalto representou a validação daquele postulado inicial: a comprovação de que elites judiciais, econômicas e corporativas tentaram excluir a esquerda da disputa política por meio da manipulação seletiva do sistema punitivo.

Ecos da sentença nas eleições de 2026

A vitória de Lula reacendeu o debate sobre os limites entre Justiça e poder político no Brasil. Para seus apoiadores, a frase de 1988, retomada durante a campanha eleitoral, confirmou a existência de um sistema de dois pesos e duas medidas. Para seus críticos, porém, ela sustentava uma narrativa que simplificava complexidades institucionais.

O senador Flávio Bolsonaro afirmou que pedirá a anulação da eleição após ser derrotado e acusou um ministro do Supremo Tribunal Federal de interferência, segundo o jornal O Globo, em 26 de outubro.

Durante a campanha, adversários também retomaram os mesmos argumentos sobre seletividade judicial, mas chegaram a conclusões opostas sobre quem era vítima ou beneficiário desse sistema.

Reflexão

Russel: "O mais difícil de aprender na vida é qual ponte atravessar e qual ponte queimar"

Pensamento trata de uma questão central sobre maturidade

27/10/2026 07h48

Imagem: Wikimedia Commons

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Bertrand Russell, filósofo e prêmio Nobel de Literatura, deixou uma reflexão sobre um dilema da existência: saber qual ponte atravessar e qual queimar. Escolher não significa ter todas as respostas, mas avaliar as possibilidades, aceitar os riscos e não esperar uma certeza absoluta.

Todos os dias, as pessoas enfrentam escolhas que podem transformar o futuro: aceitar um novo trabalho, encerrar um relacionamento, abandonar um sonho ou investir em uma oportunidade incerta. A metáfora das pontes convida a distinguir as oportunidades que merecem ser aproveitadas das situações que é melhor deixar para trás.

A metáfora dos caminhos impossíveis

Atravessar uma ponte significa avançar rumo ao desconhecido, em direção a um futuro diferente do presente. Queimar uma ponte significa encerrar uma etapa sem intenção de voltar, aceitando que certos caminhos já não estão abertos. Russell reconhecia que nenhuma decisão pode ser tomada com garantias absolutas — a incerteza faz parte da existência humana.

O pensador britânico defendia a importância do conhecimento crítico, mas compreendia que esperar por uma certeza impossível pode paralisar a ação. Escolher bem não significa ter todas as respostas, mas avaliar as possibilidades reais, aceitar os riscos e compreender que a paralisia também é uma escolha — apenas uma com consequências próprias.

 

O aprendizado da renúncia

A reflexão de Russell toca em uma questão central da maturidade emocional: aprender a renunciar. Muitas pessoas se agarram a determinadas opções por medo de errar, mesmo quando mantê-las abertas impede o progresso.

A verdadeira dificuldade talvez não esteja em descobrir qual caminho promete melhores resultados, mas em reconhecer quando vale a pena insistir e quando é hora de se despedir.

Decidir também significa aceitar que não se podem percorrer todos os caminhos simultaneamente. Essa dificuldade de escolher relaciona-se ao que disse o escritor espanhol Antonio Machado: ao contrário de todas as coisas que tanto valorizamos. Só há uma coisa que se perde se não se dá — o amor.

Russell convidava à reflexão não para paralisar, mas para agir com clareza sobre o que realmente importa — compreendendo que o custo da indecisão frequentemente supera o risco de errar.

Por que queimar pontes pode, paradoxalmente, proteger sua carreira

Quando um profissional se cala diante de um ambiente tóxico por medo de prejudicar sua reputação, ele acaba permitindo que más práticas continuem sem consequências. A lógica tradicional de "nunca queimar pontes" funciona como uma barreira que impede mudanças estruturais no local de trabalho.

Ao silenciar-se, o profissional não apenas protege um mau empregador — ele também deixa de agir contra discriminação, bullying ou outras injustiças que afetam sua própria vida.

À medida que as prioridades mudam, profissionais passam a expor problemas no ambiente de trabalho, e essas discussões deixam de ser tabu. Em alguns casos, ações antes vistas como o fim de uma carreira se tornaram necessárias para melhorar o ambiente de trabalho e proteger quem denuncia esses problemas.

Quando manter a ponte intacta pode prejudicar você mais que queimá-la

A regra tradicional de "nunca queimar pontes" assume que todos os relacionamentos profissionais valem a pena ser mantidos. Mas isso não se aplica quando o ambiente é discriminatório, quando há bullying ou quando a empresa viola direitos do trabalhador. Nestes casos, tentar preservar o relacionamento pode significar suportar abuso continuado.

O exemplo de Kristen, profissional de relações públicas, ilustra essa exceção. Ela aguardou o seguro-saúde do empregador enquanto sofria bullying relacionado à sua deficiência e se recusou a confrontar o gerente para "não queimar pontes". Hoje, lamenta a decisão: proteger uma relação injusta custou mais à sua dignidade do que teria custado agir.

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