Lição de vida

Nobel de Física deixou lição além da ciência: "O princípio é que não deve se enganar"

Homem colocou a honestidade intelectual no centro de sua forma de investigar e explicar o mundo

Richard Feynman, ganhador do Prêmio Nobel de Física em 1965, colocou a honestidade intelectual no centro de sua forma de investigar e explicar o mundo. Uma de suas máximas mais marcantes, segundo o site oficial de Feynman, afirma que o primeiro princípio é não enganar a si mesmo, sendo a pessoa a mais fácil de enganar.

A frase identifica um obstáculo comum até entre pesquisadores: aceitar uma explicação porque ela se encaixa com o que se esperava encontrar. Examinar os próprios argumentos com o mesmo rigor usado para avaliar os argumentos dos outros — em vez de defendê-los a qualquer custo — pode levar a descobertas mais úteis do que a falsa certeza.

Uma trajetória dedicada ao rigor

Nascido em Nova York em 1918 e criado em Far Rockaway, Queens, Feynman estudou no Instituto Tecnológico de Massachusetts e se doutorou em Princeton. Durante a Segunda Guerra Mundial, participou do Projeto Manhattan, chegando a dirigir um grupo de trabalho em Los Álamos.

Após a guerra, lecionou física teórica em Cornell antes de se transferir para o Caltech em 1950, instituição onde desenvolveu o restante de sua carreira. As aulas que ministrou entre 1961 e 1963 deram origem à obra "As Conferências de Física de Feynman", que apresentou sua maneira singular de explicar a disciplina a gerações de estudantes.

 

Contribuições que marcaram a física

Em 1965, compartilhou o Prêmio Nobel de Física com Julian Schwinger e Sin-Itiro Tomonaga por suas contribuições à eletrodinâmica quântica, campo que descreve as interações entre luz e matéria. O reconhecimento distinguiu trabalho fundamental para a física de partículas.

Uma de suas intervenções mais conhecidas foi a palestra de 1959 intitulada "Há muito espaço no fundo", em que explorou possibilidades de trabalhar em escalas diminutas e levantou desafios de miniaturização.

Sua influência transcendeu a academia. Ao investigar o acidente do transbordador Challenger em 1986, demonstrou publicamente na televisão por que o frio endureceu a vedação de borracha, usando um copo com gelo para ilustrar o problema.

Faleceu em 1988, deixando um legado na pesquisa e na docência e uma exigência que sua frase sintetiza: submeter também as próprias convicções a exame.

Reflexão

Gandhi: "Um covarde é incapaz de demonstrar amor; fazê-lo é prerrogativa dos corajosos"

Quem revela o que sente corre o risco de ser rejeitado.

12/10/2026 15h00

Foto: Reprodução

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Um covarde é incapaz de demonstrar amor; fazê-lo é prerrogativa dos corajosos. A frase, atribuída a Mahatma Gandhi, resume um pensamento que atravessa gerações: para o líder indiano, amar de verdade exige abrir mão do medo e aceitar ficar exposto. A ideia ainda orienta quem hesita em se abrir para outra pessoa.

Quem revela o que sente corre o risco de ser rejeitado ou magoado, mas também cria espaço para laços mais verdadeiros.

O que está por trás da frase

Expressar sentimentos não é apenas um gesto espontâneo: envolve assumir um risco emocional real. Nessa leitura, a vulnerabilidade não enfraquece ninguém — pode ser, ao contrário, prova de força.

O medo, quando vira barreira contra qualquer aproximação, impede que uma conexão genuína se forme entre duas pessoas. Blindar-se de todo risco não torna ninguém mais forte; arriscar-se também exige coragem.

Quem foi o autor do pensamento

Mohandas Gandhi nasceu em Guzerate, na Índia, em 1869, numa família de elite, antes de rejeitar as armas na luta contra o domínio britânico. Ele deixou o país para estudar direito em Londres antes de construir sua atuação política.

Essa trajetória o tornou símbolo da independência indiana por meio da desobediência civil pacífica. Sua resistência não violenta ajudou a Índia a conquistar a independência após cerca de um século de controle colonial britânico, e marchas e boicotes se tornaram símbolos dessa luta.

Para ele, força e ternura nunca foram opostos: caminhavam juntas. Essa é a herança por trás da repetição da frase até hoje.

Preservação ambiental

Mulher plantou 119 mil árvores em antigo canavial e criou floresta com 150 espécies

Tudo teve início em 2015.

12/10/2026 14h37

Foto: Gundula Vogel/Pexels

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Depois de uma década de trabalho ininterrupto, uma área que havia sido desmatada perto de Wonga Beach, em Queensland, se transformou em floresta tropical. A responsável pela mudança foi Annie Schoenberger, que adquiriu o local e promoveu o plantio de 119 mil árvores nativas no espaço onde antes havia um canavial.

Tudo teve início em 2015, quando Schoenberger buscou apoio da Rainforest Rescue, entidade dedicada à recuperação de florestas tropicais. No ano seguinte, nasceu o NightWings Rainforest Centre, sustentado por ações de plantio realizadas todos os anos com a participação de moradores da região.

A recuperação foi planejada com mais de 150 espécies nativas. A maioria produz frutos que atraem aves e morcegos propagadores de sementes.

Como a floresta ganhou vida

A dispersão natural de sementes acelerou a regeneração, e as árvores mais antigas já ultrapassam 10 metros de altura. Ao recuperar uma zona úmida dentro da propriedade, Schoenberger ajudou a formar um corredor ecológico que liga três ambientes distintos: a mata de planície da região do Daintree, a vegetação de altitude e a faixa litorânea. Essa ligação permite que os animais circulem com segurança entre diferentes habitats.

A escolha das espécies foi fundamental para o resultado. Cada variedade foi selecionada para produzir frutos e atrair a fauna que regenera naturalmente a floresta, acelerando processos que levariam décadas sem intervenção.

Fauna rara retorna à região

O casuar-do-sul se tornou símbolo do sucesso do plantio, e um filhote foi avistado na propriedade em novembro de 2018, pela primeira vez em mais de quarenta anos. O avistamento também foi o primeiro registro da espécie ao sul do rio Daintree em mais de quatro décadas.

Em julho de 2022, outro jovem casuar apareceu na mesma área, confirmando que a população está se estabelecendo.

Além dos casuares, a fauna se diversificou, com equidnas, morcegos, lagartos, insetos e várias espécies de aves. Esses animais encontram alimento e refúgio na vegetação densa que cobre o antigo canavial. Dois casuares nasceram na propriedade ou perto dela e circulam pelo local. Dois equidnas vivem na área, enquanto morcegos encontram alimento em uma grande extensão de floresta.

Benefícios para ecossistemas marinhos

A nova floresta também protege a Grande Barreira de Corais. As árvores reduzem o escoamento de sedimentos do solo exposto para os córregos e rios da região. Testes de qualidade da água comprovaram queda significativa de sedimentos e turbidez nos cursos d'água vizinhos, beneficiando diretamente a saúde do recife marinho próximo.

Lições para restauração florestal

O projeto reúne quatro aprendizados para qualquer área degradada, e a persistência foi fundamental: foram dez anos de plantios contínuos, mantidos pela Rainforest Rescue e por Schoenberger sem interrupção. A diversidade reconstruiu a estrutura da floresta tropical com mais de 150 espécies nativas.

A proteção legal também foi essencial: Queensland declarou a área de alto valor de conservação, garantindo sua preservação. A etapa final de plantio contou com a mobilização de voluntários e parceiros, além da presença do ancião Bennett Walker, reconhecido como proprietário tradicional da terra, o que reforçou o caráter coletivo da iniciativa.

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